segunda-feira, 5 de junho de 2017

A segurança no Porto

O JN deu à estampa dados moderadamente animadores a propósito dos índices de segurança no Porto.
Não sou nenhum especialista em políticas de segurança e criminalidade. Mas sou quase doutorado em ideias óbvias.
Intimamente relacionado com este tema da segurança está o modo como olhamos para os nossos bairros sociais, pelos quais sempre nutri um carinho especial. De tão transversais na cidade, fazem parte da nossa vida comunitária. Desde a infância à idade adulta, ninguém terá escapado. Seja à tensão, seja à descoberta, seja à participação na acção social. Seja simplesmente nas discussões sobre soluções e reabilitações.

Sempre achei – e sempre fui dizendo – que era essencial abrir os bairros sociais à cidade. Sempre gostei, aliás, de usar o neologismo «desguetização dos bairros sociais» (é mesmo só para passar a ideia de que sou um especialista respeitável, mesmo que não seja verdade).

Ora, esta desguetização ou abertura dos bairros deve enquadrar-se, do meu ponto de vista, numa revolução mais completa que se traduz – ou vai-se traduzindo – na reabilitação do ambiente urbano nos bairros tendencialmente problemáticos (há muitos bairros sociais que não são problemáticos, pelo que não confundo uma coisa com a outra, para que fique claro!). Refiro-me à limpeza urbana e asseio dos arruamentos, à disposição dos contentores de recolha de lixo, à periodicidade da recolha e limpeza pelos serviços municipais, à renovação do mobiliário urbano, ao ajardinamento e respectiva manutenção, e acima de tudo, à preservação do património edificado, a começar pelos blocos e espaços comuns, mas passando pelos diversos fogos. E aqui incluo os serviços públicos que, pela proximidade, servem as populações destes bairros. As escolas primárias, os centros de saúde, as esquadras da polícia, os gimnodesportivos e parques urbanos, só para dar alguns exemplos. Na justa medida em que forem equipamentos qualificados e modernos, com serviços de qualidade, há como que um efeito contágio às próprias pessoas. Gera-se um ambiente de cuidado geral, de limpeza, de urbanidade que muito contribui para a qualidade de vida das populações. Chega a ter a virtualidade de propiciar a transformação dos comportamentos colectivos e individuais e gera, naturalmente, mais segurança.

Há depois um trabalho mais difícil neste processo de desguetização que é o de procurar abrir, no sentido físico, as vias públicas interiores de cada bairro à malha urbana circundante. Por erro de palmatória que já não vale a pena imputar, a maioria dos bairros são fechados e, portanto, não têm vias de atravessamento (o termo gueto é-me inspirado por esta constatação). E não é preciso explicar como esse condicionamento físico prejudica aquele propósito de mais segurança e abertura. É essencial apostar na inversão deste condicionamento. Isso mesmo já foi ensaiado, por exemplo, com a nova via que rasga o Bairro Pinheiro Torres e o Bairro da Pasteleira Nova até ao Bairro da Pasteleira.

Há ainda muito a fazer neste capítulo. O ímpeto de reabilitação dos Bairros e das Escolas Municipais tem sido notável (e há que distribuir o mérito, neste particular, entre este e o anterior executivo). Mas ainda estará para chegar o dia em que os canteiros dos bairros sociais merecerão o mesmo esmero que os relvados da Marechal Gomes da Costa. Ainda estará para chegar o dia em que os Jardins do Parque Oriental se confundirão com os jardins dos Bairros Falcão, Contumil ou Lagarteiro. Em que entre o novo Gabinete Municipal dos Aliados e a sede da Associação Cultural e Desportiva do Bairro Falcão, não haverá diferença na qualidade do mobiliário, das janelas e dos acessos (estou a exagerar de propósito).


A bem do Porto.

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