domingo, 14 de fevereiro de 2016

Intervenção

Às vezes venho, outras vejo. Quando venho, vim. Quando vejo, vi. E depois dizem de mim - Ele veio! Ele viu!

Há vezes, porém, em que intervenho, outras em que entrevejo. Quando intervenho, intervim. Quando entrevejo, entrevi. E depois dizem de mim - Ele interveio! Ele entreviu!

Ainda ontem o ministro da economia nos garantia que o governo interviu. Confesso que entrevi a necessidade de uma intervenção. Talvez no português...

#Biblioteca; #Saladeestar

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Filhos da Ponte

A TAP e a opção que a sua administração vem tomando há já muito tempo relativamente ao Porto e ao Norte do país (e que numa empresa privada pode ser muito criticável, mas é legítima) roça já o insulto.
Para quem acompanha este debate há mais de 10 anos sabe bem que a discussão sobre as rotas serem ou não serem rentáveis, haver ou não haver procura no tão falado «hinterland» do aeroporto do Porto, foi sempre uma sonsa arma de arremesso da TAP.
Praticamente todas as rotas que a TAP suprimiu ou não criou foram sendo preenchidas por outras companhias com – pasme-se! – enorme sucesso. Luanda é um caso escandaloso. A TAP, pura e simplesmente não mais quis investir no Porto. Deixou de querer ter aviões, equipas e equipamentos sedeados no Porto, para concentrar os seus investimentos no aeroporto de Lisboa. E o mesmo aconteceu (ainda mais) relativamente a Faro e às Ilhas. Agora, pelos vistos, a estratégia passou do desinvestimento à concorrência directa e ao boicote.
Sonsamente, acenam-nos com uma Ponte Aérea que já nem sequer inclui um voo nocturno compatível com os horários do médio curso.


Imagino como nos tratarão no conselho de administração da TAP. Filhos da Ponte. Deve ser gralha …

#Saladeestar

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Portugal é a razão

1. Eu não tenho reservas mentais nem estados de alma sectários na hora de pensar em Portugal e por isso desejo, genuinamente, que as coisas corram bem ao Governo português. É que não é o Governo do PS com o apoio do PCP e do BE que está em causa. É Portugal.
2. As minhas sinceras ansiedades, desconfianças e mesmo divergências não são nem agoiros nem desejos. E merecem tanto respeito como se fossem entusiasmos ou quase excitações.
3. Recuso-me a entrar no jogo infantil do «estão a ver como eu vos avisei» ou «estão a ver como eu tinha razão»? Ter razão não é um fim. Prefiro não ter razão porque as coisas correram melhor do que esperava.
4. Nem as resistências da Comissão ao esboço do OE nem o acordo alegadamente alcançado me alegram ou entristecem. E muito menos servem – ou deverão servir – para o tal jogo infantil do «estão a ver como eu tinha razão»?
5. A razão que assistirá ao actual Governo português na estratégia adoptada está por demonstrar. Oxalá lhe assista essa razão. Porque Portugal é a razão.

#Escritório

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Patriotas da fé

O Governo, os seus apaniguados no parlamento e nas redes sociais, são, obviamente os mais sábios, sérios e patriotas de todos nós. Ia dizer «eleitos» mas temi que não fosse um termo consensual.
Por patriotismo – o deles, claro! – temos de estar acriticamente ao lado do governo no esforço patriótico (insisto no patriótico) de acabar com a austeridade, aumentar as pensões e os salários, reduzir o horário de trabalho, diminuir o endividamento, cortar no IVA e no IRS, baixar o défice, consolidar as contas públicas, garantir o crescimento da economia, o aumento das exportações, a diminuição do desemprego, o fim das taxas moderadoras na saúde, a TAP, o fim de algumas SCUT, e muito mais (sempre mais e melhor). E tudo isto, no estrito e garantido cumprimento dos compromissos internacionais perante os nossos credores e sempre ao abrigo do Tratado Orçamental.
Não vou perder muito tempo com esta convocação parola ao patriotismo. O Céu não é nem de direita nem de esquerda. A fé no Céu ao virar da esquina, com rosas e sem dor, é que parece ser mais de esquerda.
Lamento muito. Não nos podem exigir a fé que não temos.
Ou já não vivemos num Estado laico?

#Escritório