segunda-feira, 14 de março de 2016

Nicolau Breyner

Sempre desdenhei dos actores portugueses. Sempre padeci daquele provincianismo de que os estrangeiros eram muito melhores na arte de representar e por isso fui resistindo ao aportuguesamento progressivo que essa arte (felizmente) foi conhecendo.
Se fui injusto no meu provincianismo com tantos e tantos bons actores (reconheço-o e penitencio-me), sempre excepcionei o enorme Nicolau Breyner.
Não conheço actor português – ou melhor, artista – mais versátil, completo e notável.
Podia ser galã ou vilão. No teatro ou no cinema. Na revista ou na telenovela. Podia ser em registo de humor ou de drama. A cantar ou a declamar. Ao vivo ou em estúdio. Podia ser a sorrir ou a chorar. Em monólogo ou a contracenar. A preto e branco ou a cores.
Nicolau Breyner era simplesmente notável. Sempre notável. O que é notável!
Paz à sua alma.

#Jardim

domingo, 13 de março de 2016

Assunção Cristas



Os partidos políticos justificam a sua existência – e a militância de quem adere – por serem instrumentos de conformação e de transformação do país.
A maior ou menor adesão que suscitam depende da capacidade que tiverem de representar a mundividência, as preocupações e as aspirações dos eleitores.
Se é verdade que os partidos hão-de representar uma proposta de conformação, não é menos verdade que lhes cabe um esforço de abertura e abrangência que, sem descaracterização, garanta eficácia a essa proposta.

Tenho imensa esperança no CDS da Assunção Cristas. Essa esperança é tanto maior quanto nela projecto a «representação» de que Portugal precisa.

A Assunção é líder do CDS – e por via do CDS, apresenta-se ao país – com espontaneidade e cheia de vontade (e bem sabemos que não há vagas de fundo que suplantem genuinamente a falta de vontade).
A Assunção é mulher, é mãe de família, tem experiência de governo, tem experiência de administração pública, tem carreira académica, tem presença parlamentar, é advogada e tem obra publicada. O mundo da Assunção é, ele próprio, uma proposta mobilizadora.
É por isso que nela é tão natural a enorme empatia no contacto com as pessoas. Com todas as pessoas, das mais simples às mais sofisticadas.

A «liderança irreverente» que a Assunção Cristas nos propõe é uma oportunidade para o CDS. Mas é sobretudo uma oportunidade para o país.


#Escritório

quarta-feira, 9 de março de 2016

Uma questão de cultura. E educação.


Hoje, no preciso momento em que tomava posse na Assembleia da República o novo Presidente da República, foi bonito constatar a naturalidade com que todos os presentes na sala se ergueram para aplaudir. É assim em democracia. É assim entre pessoas com respeito pelas instituições. É assim entre pessoas educadas.
Claro que onde abunda a cultura de intolerância normalmente falta a cultura democrática. Duas faces da mesma moeda. E por isso não foram bem todos os que aplaudiram o simples acto de posse do novo Presidente da República eleito livremente pelos portugueses.

Já estamos habituados à elevação do BE e do PCP. É uma pena.

#Escritorio

terça-feira, 8 de março de 2016

Da noite para o dia

Às terças no La movida. Às quartas no River Café. Às quintas no Mau Mau. Às sextas no Estado Novo. Elas com bar aberto. Nós com direito a 2 bebidas a troco de 2 contos. A noite da mulher era bem giro.
Ao dia da mulher nunca fui. Onde é?

#Saladeestar

segunda-feira, 7 de março de 2016

Cavaco Silva

Eu lembro-me. Por estes dias haverá muitos que se esqueceram. Mas eu lembro-me. Eu lembro-lhes.

A personalidade em quem os portugueses mais confiaram, em quem mais votaram, durante mais anos - acima de qualquer outra, muita acima da segunda - confiando-lhe o Governo do país, entregando-lhe absolutamente o Parlamento, e escolhendo-o para Presidente da República, tem um nome. Aníbal Cavaco Silva. Foi assim em absoluta normalidade. E sobretudo, foi assim em absoluta liberdade.

10 anos como Primeiro-Ministro. 10 anos como Presidente da República.

Nunca reservei a Cavaco Silva o maior dos entusiasmos. O ponto, todavia, que hoje se impõe relevar é outro.
Alguém que se submete tantas vezes ao voto, merecendo a confiança inequívoca da maioria dos eleitores. Alguém que, no respeito pelo pluralismo democrático, dedica tantos anos ao exercício abnegado e digno dos mais altos cargos do Estado neste nosso Portugal, tem sempre o meu reconhecimento independentemente de lhe ter ou não confiado o voto, independentemente do maior ou menor grau de adesão ao longo de tais mandatos populares.

Aliás, não é apenas reconhecimento. É sobretudo agradecimento.

#Escritorio

sábado, 5 de março de 2016

Maria Luís Albuquerque

1. Não fui um entusiasta da nomeação de Maria Luís Albuquerque como Ministra das Finanças;
2. Pode ser injusto, mas fico sempre desconfiado do bom senso de alguém que aceita ser ministro das finanças estando sob a nuvem de um dossier politicamente crítico e potencialmente embaraçante para o próprio governo (como era o dos SWAPS a que estava ligada antes de ser governante);
3. Pode ser injusto, mas fico sempre desconfiado do bom senso de alguém que aceita ser ministro das finanças num governo de coligação sabendo do desagrado do outro partido da coligação;
4. Pode ser injusto, mas politicamente tudo recomendava que à falta de bom senso no convite não se juntasse a falta de bom senso na aceitação (para o que, reconheço, seria necessário um enorme desprendimento e resistência aos apelos do poder);
5. Pode ser injusto, mas o meu escasso entusiasmo de então não melhorou com os tristes ímpetos marialvas e infantis do próprio marido de Maria Luís Albuquerque;
6. Apesar de todo este quadro de partida, fui sendo conquistado ao longo dos seus dois anos enquanto ministra das finanças: apreciei o seu discurso, serenidade e até a classe de quem sabe estar (não só politicamente);
7. Ao não resistir ao convite para administradora não executiva da Arrow Global - para mais, mantendo-se na Assembleia da República como deputada - regressou àquela falta de bom senso de que já quase não me lembrava. E o pior é que essa falta de bom senso veio acoplada ao desprezo egoísta pela reputação do seu próprio partido (em boa verdade, tal como pelo governo quando aceitou ser ministra);
8. Lá em cima ressalvava que "pode ser injusto"? Desculpem. Infelizmente não é nada injusto. Estava lá tudo. Já estava e ainda está.
9. Tenho pena. Não devia ser assim.

#Saladeestar
#Escritorio

quinta-feira, 3 de março de 2016

O Porto descoberto

O que mais me surpreende na emergência do Porto como destino é o modo como nos soubemos abrir à descoberta e o sentido de oportunidade que revelámos nessa abertura. Quando digo «destino» não penso apenas na sua expressão puramente turística, mas também cultural, social, comercial, e até territorial. O próprio país também se tem encontrado com o Porto (o que, temo, não seja o maior elogio ao país que éramos).
Dizem de nós que somos o tesouro mais bem escondido. Eu não diria escondido. Talvez prefira dizer por revelar.
Para quem, como eu, vive embrenhado nesta urbe de que não se distingue, pode parecer estranho ou mesmo contraditório arriscar dizer que o Porto não valia assim tanto a pena.
Valia, com certeza. Este destino tão especial não nasceu agora. E se vale hoje é porque valia!
Com o distanciamento que não tenho, diria, todavia, que nunca como agora estivemos tão preparados para nos revelarmos. Não vivíamos tão abertos e tão disponíveis. Tínhamos os nossos espaços (alguns deles, aos olhos de hoje, aparentemente tão estranhos e incompreensíveis). Os nossos grupos. Os nossos temas. E era difícil penetrar neste nosso mundo. Para quem lograva tal façanha, vibrava connosco e percebia quão especial (já) era este lugar.
Era também o tempo dos espaços urbanos esventrados, por cuidar, e mais ainda por criar. Talvez estivéssemos aquém do nosso potencial. Nos conteúdos. Nas novidades. Nas recriações. Na descoberta de funcionalidades (dedicávamo-nos mais a outras, em boa verdade).
Quase parece que o sol não brilhava tanto no mar como agora (e o mar é o mesmo). Quase parece que o rio não nos reflectia tanto como agora (e o rio é o mesmo). Que «os campos, as árvores e as flores» não se abriam como agora (e somos os mesmos).
Não sei explicar. Mas sinto um efeito novo. Uma vida nova. Uma cor mais forte. E tudo isto sem termos perdido aquela mística, algo egoísta, que não se explica e que nos condena a sentir em circuito fechado certas dimensões do Porto.
Revelarmo-nos agora, só agora, fez todo o sentido. Não foi por calculismo. Mas foi sábio.

#Salaodevisitas