quarta-feira, 16 de março de 2016

Lula

Esta história do Lula inspira imensos trocadilhos e acaba por nos desviar do nojo que nos devia causar.

Qualquer democracia, qualquer Estado de Direito, qualquer sociedade civilizada, não consegue resistir a tão despudorada e eloquente instrumentalização das regras.
Tal como um bom exemplo ou um testemunho marcante tem uma força tremenda, também o mau exemplo ou péssimo testemunho causa enorme dano.

Ter um ex-chefe de Estado – que persiste como referência para milhões de concidadãos – a jogar com as regras, a abusar de prerrogativas e a gozar com o sistema judicial do Estado que chefiou, não é só uma «confissão» de culpa (como hoje li com graça e acerto). É a verdadeira falência do Estado e das suas mais altas instituições.
O ex-presidente e agora ministro até pode ser inocente dos crimes de corrupção de que o acusam (já nem quero saber). Deste crime de lesa Estado é definitiva e tristemente culpado.

Nojo foi o termo que usei lá em cima? Talvez seja mais ilustrativo dizer «escarro». Ou «lula», como dizíamos entre nós na escola.


#Escritorio

segunda-feira, 14 de março de 2016

Nicolau Breyner

Sempre desdenhei dos actores portugueses. Sempre padeci daquele provincianismo de que os estrangeiros eram muito melhores na arte de representar e por isso fui resistindo ao aportuguesamento progressivo que essa arte (felizmente) foi conhecendo.
Se fui injusto no meu provincianismo com tantos e tantos bons actores (reconheço-o e penitencio-me), sempre excepcionei o enorme Nicolau Breyner.
Não conheço actor português – ou melhor, artista – mais versátil, completo e notável.
Podia ser galã ou vilão. No teatro ou no cinema. Na revista ou na telenovela. Podia ser em registo de humor ou de drama. A cantar ou a declamar. Ao vivo ou em estúdio. Podia ser a sorrir ou a chorar. Em monólogo ou a contracenar. A preto e branco ou a cores.
Nicolau Breyner era simplesmente notável. Sempre notável. O que é notável!
Paz à sua alma.

#Jardim

domingo, 13 de março de 2016

Assunção Cristas



Os partidos políticos justificam a sua existência – e a militância de quem adere – por serem instrumentos de conformação e de transformação do país.
A maior ou menor adesão que suscitam depende da capacidade que tiverem de representar a mundividência, as preocupações e as aspirações dos eleitores.
Se é verdade que os partidos hão-de representar uma proposta de conformação, não é menos verdade que lhes cabe um esforço de abertura e abrangência que, sem descaracterização, garanta eficácia a essa proposta.

Tenho imensa esperança no CDS da Assunção Cristas. Essa esperança é tanto maior quanto nela projecto a «representação» de que Portugal precisa.

A Assunção é líder do CDS – e por via do CDS, apresenta-se ao país – com espontaneidade e cheia de vontade (e bem sabemos que não há vagas de fundo que suplantem genuinamente a falta de vontade).
A Assunção é mulher, é mãe de família, tem experiência de governo, tem experiência de administração pública, tem carreira académica, tem presença parlamentar, é advogada e tem obra publicada. O mundo da Assunção é, ele próprio, uma proposta mobilizadora.
É por isso que nela é tão natural a enorme empatia no contacto com as pessoas. Com todas as pessoas, das mais simples às mais sofisticadas.

A «liderança irreverente» que a Assunção Cristas nos propõe é uma oportunidade para o CDS. Mas é sobretudo uma oportunidade para o país.


#Escritório

quarta-feira, 9 de março de 2016

Uma questão de cultura. E educação.


Hoje, no preciso momento em que tomava posse na Assembleia da República o novo Presidente da República, foi bonito constatar a naturalidade com que todos os presentes na sala se ergueram para aplaudir. É assim em democracia. É assim entre pessoas com respeito pelas instituições. É assim entre pessoas educadas.
Claro que onde abunda a cultura de intolerância normalmente falta a cultura democrática. Duas faces da mesma moeda. E por isso não foram bem todos os que aplaudiram o simples acto de posse do novo Presidente da República eleito livremente pelos portugueses.

Já estamos habituados à elevação do BE e do PCP. É uma pena.

#Escritorio

terça-feira, 8 de março de 2016

Da noite para o dia

Às terças no La movida. Às quartas no River Café. Às quintas no Mau Mau. Às sextas no Estado Novo. Elas com bar aberto. Nós com direito a 2 bebidas a troco de 2 contos. A noite da mulher era bem giro.
Ao dia da mulher nunca fui. Onde é?

#Saladeestar

segunda-feira, 7 de março de 2016

Cavaco Silva

Eu lembro-me. Por estes dias haverá muitos que se esqueceram. Mas eu lembro-me. Eu lembro-lhes.

A personalidade em quem os portugueses mais confiaram, em quem mais votaram, durante mais anos - acima de qualquer outra, muita acima da segunda - confiando-lhe o Governo do país, entregando-lhe absolutamente o Parlamento, e escolhendo-o para Presidente da República, tem um nome. Aníbal Cavaco Silva. Foi assim em absoluta normalidade. E sobretudo, foi assim em absoluta liberdade.

10 anos como Primeiro-Ministro. 10 anos como Presidente da República.

Nunca reservei a Cavaco Silva o maior dos entusiasmos. O ponto, todavia, que hoje se impõe relevar é outro.
Alguém que se submete tantas vezes ao voto, merecendo a confiança inequívoca da maioria dos eleitores. Alguém que, no respeito pelo pluralismo democrático, dedica tantos anos ao exercício abnegado e digno dos mais altos cargos do Estado neste nosso Portugal, tem sempre o meu reconhecimento independentemente de lhe ter ou não confiado o voto, independentemente do maior ou menor grau de adesão ao longo de tais mandatos populares.

Aliás, não é apenas reconhecimento. É sobretudo agradecimento.

#Escritorio

sábado, 5 de março de 2016

Maria Luís Albuquerque

1. Não fui um entusiasta da nomeação de Maria Luís Albuquerque como Ministra das Finanças;
2. Pode ser injusto, mas fico sempre desconfiado do bom senso de alguém que aceita ser ministro das finanças estando sob a nuvem de um dossier politicamente crítico e potencialmente embaraçante para o próprio governo (como era o dos SWAPS a que estava ligada antes de ser governante);
3. Pode ser injusto, mas fico sempre desconfiado do bom senso de alguém que aceita ser ministro das finanças num governo de coligação sabendo do desagrado do outro partido da coligação;
4. Pode ser injusto, mas politicamente tudo recomendava que à falta de bom senso no convite não se juntasse a falta de bom senso na aceitação (para o que, reconheço, seria necessário um enorme desprendimento e resistência aos apelos do poder);
5. Pode ser injusto, mas o meu escasso entusiasmo de então não melhorou com os tristes ímpetos marialvas e infantis do próprio marido de Maria Luís Albuquerque;
6. Apesar de todo este quadro de partida, fui sendo conquistado ao longo dos seus dois anos enquanto ministra das finanças: apreciei o seu discurso, serenidade e até a classe de quem sabe estar (não só politicamente);
7. Ao não resistir ao convite para administradora não executiva da Arrow Global - para mais, mantendo-se na Assembleia da República como deputada - regressou àquela falta de bom senso de que já quase não me lembrava. E o pior é que essa falta de bom senso veio acoplada ao desprezo egoísta pela reputação do seu próprio partido (em boa verdade, tal como pelo governo quando aceitou ser ministra);
8. Lá em cima ressalvava que "pode ser injusto"? Desculpem. Infelizmente não é nada injusto. Estava lá tudo. Já estava e ainda está.
9. Tenho pena. Não devia ser assim.

#Saladeestar
#Escritorio