sexta-feira, 8 de abril de 2016

A cultura da impunidade

1. Não me chocou, não me indignou e até me divertiu o caso da promessa de bofetadas.
2. Gostei ainda mais da conclusão da história.
3. Do que não gostei nada – nunca gostei e nunca haverei de gostar – é da presunção de superioridade moral e de impunidade que estão na origem destes tristes impulsos de João Soares e quejandos (até o ter escolhido o termo bofetada serve bem para representar o que digo).

#Escritório

quinta-feira, 7 de abril de 2016

O que levarias na mochila?

Não é bem suposto vivermos atormentados, mas de cada vez que penso no drama dos refugiados (e penso especialmente nas milhares de crianças órfãs que vagueiam por esses campos de lama, frio e indiferença) fico transtornado e quase bloqueado. Não posso largar tudo – afinal não posso, eu próprio, gerar mais órfãos – mas é criminosa a indiferença ao mais alto nível que este drama colossal suscita.

Há um ano a divulgação das imagens de um enorme naufrágio, com as pessoas a desaparecerem no mar, despertaram a nossa sensibilidade para o drama dos refugiados. Mas foi com a fotografia horrível daquela criança entregue pela espuma da maré que a nossa sensibilidade ficou genuinamente exacerbada. Era demasiado real e chocante para não gerar um impulso de disponibilidade, ainda que difusa.

Confesso que por algum tempo alimentei a esperança de que aquelas vidas não se teriam perdido em vão. Internamente, projectei essa esperança no processo eleitoral em curso e nos programas que cada partido então preparava. Achava que fariam eco do «bruá» colectivo que momentaneamente a causa dos refugiados experimentava. Foi curta e vã a minha esperança. A pobreza dos programas – de todos os programas – estava totalmente alinhada com o calculismo e o jogo político que os Estados exibem, sem pudor e sem humanismo, nos acordos e verbas que com pompa anunciam.
 
Enquanto tiver consciência farei um esforço para não me ser indiferente. E procurarei que à minha volta o sofrimento e a desgraça alheia nunca sejam indiferentes. Sei que só faço o mínimo – diariamente, ao deitar e ao acordar, junto-me aos meus filhos para pedir pelos que mais sofrem (especialmente as crianças como eles).

Mas apetecia-me fazer-me à estrada. E à pergunta «o que levarias na mochila» responderia tão simplesmente com «nada». Levaria os braços abertos para abraçar aquelas crianças abandonadas e apresentava-lhes a cara envergonhada para um enorme pedido de desculpas.

#Jardim

terça-feira, 5 de abril de 2016

Não foi só hoje

1. Miserável é pouco. Não correm, não querem, não se importam.
2. Podia ter sido o que vulgarmente se designa de "futebol". Mas não. Tem sido sempre assim.
3. Ninguém nos respeita. Os erros contra nós já nem a nossa indignação geram. E tudo e todos sabem explorar isso contra nós.
4. Não suporto os comentários e a realização da Sport TV. Não exibem as repetições óbvias, tratam-nos com deselegância e impõem-nos horários indignos.
5. Estamos isolados. Não estamos presentes em lado nenhum. Primamos pela ausência. Consentimos tudo - a marcação do jogo para hoje às 7h é um triste exemplo.
6. Danilo enorme. O único.
7. Não foi só hoje.

#Saladejogos

O líder Passos Coelho

Por motivos de força maior, não pude seguir o Congresso deste fim-de-semana em Espinho.
Segui, ainda assim, o discurso de encerramento de Passos Coelho.
Não consigo apontar nada ao discurso. Nem quanto ao conteúdo, nem quanto ao ritmo, nem sequer quanto à colocação da voz.
Parece fútil colocar as coisas nestes termos mas ao ouvir aquelas frases longas e graves - naquele porte imperturbável ornamentado pelo pin da bandeira na lapela - dei por mim desgastado a duvidar. A liderança vem da adesão. Da percepção de futuro. Da novidade também.
Pouco importará se é justo ou não é justo. Se há ou não há ingratidão. A política é, por regra, avessa a esses sentimentos - o que recomenda distanciamento pessoal.
A pergunta que faço, porventura injusta e ingrata, mas com distanciamento, é esta: Passos Coelho gerará a adesão, a percepção de futuro e de novidade de que o PSD tanto carece?

#Escritório

quinta-feira, 31 de março de 2016

Cidade do Futebol (ou do futuro)

Não me canso de exaltar as virtudes do futebol. Por muito que lhe possam imputar os maiores defeitos e iniquidade - ao que respondo que suspeito não ser diferente nas demais actividades sociais e económicas - o futebol é um poderoso e singular instrumento de coesão, de integração e de realização. A que acresce o carácter interclassista que em mais nenhuma área da nossa vida comunitária se observa com tanta eficácia.


Hoje vim à inauguração da Cidade do Futebol. Um espaço de excelência construído em menos de um ano e meio, sem financiamento público e que se abre para albergar a Federação Portuguesa de futebol e as selecções nacionais. Uma promessa eleitoral do Presidente Fernando Gomes que se cumpre para surpresa de muitos, mas para bem do futebol.

Como dizia o Presidente Marcelo no seu discurso de inauguração, se este novo espaço não descurar aquela dimensão de coesão e integração que só o futebol cumpre, então esta não será apenas a Cidade do Futebol. Será do Futuro.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Caixa Negra

Há alguma resistência. Há também alguma troça (para não dizer desprezo). E há preconceito. Muito preconceito.
Eu apenas sugiro que o recente livro de Rui Moreira (escrito a duas mãos com o seu assessor Nuno Santos) merece ser lido. Naturalmente que para quem se interesse pelo dossier específico da TAP e do Porto, e das opções do Estado relativamente às infraestruturas aeroportuárias, o livro reúne matéria suficiente para no mínimo ficarem no «ar» muitas interrogações (ou como dizia António Lobo Xavier na apresentação do livro em Serralves, outro título possível poderia ser «à procura da lógica»).
A maior utilidade do livro, do meu ponto de vista, prende-se com o que revela sobre as «regras», as cumplicidades, os cruzamentos, no fundo o modus operandi do Estado central e do poder ou poderes que o cercam. No caso do livro é o Porto e o Norte que estão como pano de fundo. Mas podia ser qualquer outra região menos próxima do poder central.
Por mim, sobram-me duas interrogações embaraçantes.
De onde são e o que aportam os senhores - cada um dos senhores - que se sentam no Conselho de Ministros (de qualquer Governo)?
Para que servem as listas distritais e os seus eleitos - cada um dos seus eleitos - na Assembleia da República?
Como nunca fiz parte de uns ou de outros, pouco me pesa a consciência. Mas não me liberto da ideia de que seja quem for, seja de onde for, não faz muita diferença. Mas devia.

#Salaodevisitas
#Escritório

Portugal – Bélgica em Leiria



Não é o dia mais apetecível. Nem sequer é aqui perto. Está frio e ameaça chuva. É apenas um amigável. Até vimos de um resultado pouco animador. E obriga-me a um esforço de 400 Km à noite.
Mas é contra a Bélgica. Somos anfitriões por causa dos atentados em Bruxelas. E é uma notável organização da FPF que me habituei a admirar (podem achar que não, mas organizar um jogo destes do dia para a noite revela uma capacidade de resposta e uma competência sem paralelo).
Desta vez faço questão de estar presente.

#Saladejogos