quarta-feira, 13 de abril de 2016

Onde estás, prima?

Não sei se te perdeste. Se estás a preparar uma entrada de arromba que perdurará para nosso deleite por Outubro e Novembro adentro. Admito até – numa explicação conspirativa (isto anda tudo ligado!) – que foste vítima das rotas que a TAP eliminou para o Porto (e estarás perdida numa ligação algures).
Nunca pensei sentir tanto a tua falta. Mas aparece de uma vez Vera!
#Saladeestar

terça-feira, 12 de abril de 2016

Parábola no Serviço de Finanças

Sempre me intrigou a parábola do filho pródigo. Ainda por cima a mais popular.
Não é tanto a leitura que dela nos recomendam que me intriga - como todas as parábolas, se nelas meditarmos sem preconceito, são inúmeras as ilações práticas e justas.
A minha resistência à parábola advém de nela se consagrar a condenação do «certinho», para promover à categoria de herói o «pândego e gastador» . Eu sei que o que se pretende sinalizar é o valor do arrependimento. E ainda o desvalor do «bem» meramente rotineiro. Mas a verdade é que sem o bem rotineiro do filho mais velho não haveria colo para receber o mais novo arrependido.
Sempre que vou a um Serviço de Finanças e me vejo de senha na mão atrás de uns quantos contribuintes - o que por ofício me acontece frequentemente - sinto a tentação de me ir embora qual filho mais novo. E só não vou à minha vida, gozar até ao limite, porque me pesa a responsabilidade do filho mais velho.
Reconheço que talvez falte a este filho mais velho um coração aberto e generoso no cumprimento do dever diário. Mas se fossemos todos filhos pródigos isto havia de estar bonito (já para não falar das coimas e execuções a que nos expúnhamos)!
Já perceberam. Mesmo com os meus momentos de filho pródigo (quem não os tem?), tenho tendência para o filho mais velho. O tal da fidelidade rotineira e sensaborona. E se é verdade que os momentos de rasgo, os impulsos que mudam a história, se fazem mais à custa dos arrependimentos dos filhos pródigos, não é menos verdade que são os filhos mais velhos que aguentam o barco e lhe asseguram a estabilidade para que não afunde (e nos poupam às coimas e às execuções ...).
Continuo na fila...
#Saladeestar

domingo, 10 de abril de 2016

Irmãos

A hierarquização do amor tem tanto de absurdo como de impossível. Há diferentes amores, há diferentes relações de amor e há naturalmente diferentes expressões de amor.
Mesmo em família, não vale a pena comparar o amor dos pais pelos filhos (porventura o mais incondicional de todos), com o dos filhos pelos pais (na hora justa, talvez o mais reconhecido e agradecido), ou com o amor conjugal (que emana da nossa escolha e se exprime na comunhão mais completa).
Os irmãos conhecem-se de sempre. No seu melhor e no seu pior. Sabem uns dos outros o que nunca os pais saberão e o que os maridos ou mulheres não têm nada que saber. Não fazem cerimónia entre si e partilham os orgulhos e os embaraços familiares.
Quando penso no amor de irmãos não penso nessa lógica impossível de saber se é o maior da nossa vida. Sei que é enorme. Que provavelmente é o mais transparente, mais genuíno e mais autêntico.
E, já agora, para mim é sobretudo indispensável.
#Jardim

sexta-feira, 8 de abril de 2016

A cultura da impunidade

1. Não me chocou, não me indignou e até me divertiu o caso da promessa de bofetadas.
2. Gostei ainda mais da conclusão da história.
3. Do que não gostei nada – nunca gostei e nunca haverei de gostar – é da presunção de superioridade moral e de impunidade que estão na origem destes tristes impulsos de João Soares e quejandos (até o ter escolhido o termo bofetada serve bem para representar o que digo).

#Escritório

quinta-feira, 7 de abril de 2016

O que levarias na mochila?

Não é bem suposto vivermos atormentados, mas de cada vez que penso no drama dos refugiados (e penso especialmente nas milhares de crianças órfãs que vagueiam por esses campos de lama, frio e indiferença) fico transtornado e quase bloqueado. Não posso largar tudo – afinal não posso, eu próprio, gerar mais órfãos – mas é criminosa a indiferença ao mais alto nível que este drama colossal suscita.

Há um ano a divulgação das imagens de um enorme naufrágio, com as pessoas a desaparecerem no mar, despertaram a nossa sensibilidade para o drama dos refugiados. Mas foi com a fotografia horrível daquela criança entregue pela espuma da maré que a nossa sensibilidade ficou genuinamente exacerbada. Era demasiado real e chocante para não gerar um impulso de disponibilidade, ainda que difusa.

Confesso que por algum tempo alimentei a esperança de que aquelas vidas não se teriam perdido em vão. Internamente, projectei essa esperança no processo eleitoral em curso e nos programas que cada partido então preparava. Achava que fariam eco do «bruá» colectivo que momentaneamente a causa dos refugiados experimentava. Foi curta e vã a minha esperança. A pobreza dos programas – de todos os programas – estava totalmente alinhada com o calculismo e o jogo político que os Estados exibem, sem pudor e sem humanismo, nos acordos e verbas que com pompa anunciam.
 
Enquanto tiver consciência farei um esforço para não me ser indiferente. E procurarei que à minha volta o sofrimento e a desgraça alheia nunca sejam indiferentes. Sei que só faço o mínimo – diariamente, ao deitar e ao acordar, junto-me aos meus filhos para pedir pelos que mais sofrem (especialmente as crianças como eles).

Mas apetecia-me fazer-me à estrada. E à pergunta «o que levarias na mochila» responderia tão simplesmente com «nada». Levaria os braços abertos para abraçar aquelas crianças abandonadas e apresentava-lhes a cara envergonhada para um enorme pedido de desculpas.

#Jardim

terça-feira, 5 de abril de 2016

Não foi só hoje

1. Miserável é pouco. Não correm, não querem, não se importam.
2. Podia ter sido o que vulgarmente se designa de "futebol". Mas não. Tem sido sempre assim.
3. Ninguém nos respeita. Os erros contra nós já nem a nossa indignação geram. E tudo e todos sabem explorar isso contra nós.
4. Não suporto os comentários e a realização da Sport TV. Não exibem as repetições óbvias, tratam-nos com deselegância e impõem-nos horários indignos.
5. Estamos isolados. Não estamos presentes em lado nenhum. Primamos pela ausência. Consentimos tudo - a marcação do jogo para hoje às 7h é um triste exemplo.
6. Danilo enorme. O único.
7. Não foi só hoje.

#Saladejogos

O líder Passos Coelho

Por motivos de força maior, não pude seguir o Congresso deste fim-de-semana em Espinho.
Segui, ainda assim, o discurso de encerramento de Passos Coelho.
Não consigo apontar nada ao discurso. Nem quanto ao conteúdo, nem quanto ao ritmo, nem sequer quanto à colocação da voz.
Parece fútil colocar as coisas nestes termos mas ao ouvir aquelas frases longas e graves - naquele porte imperturbável ornamentado pelo pin da bandeira na lapela - dei por mim desgastado a duvidar. A liderança vem da adesão. Da percepção de futuro. Da novidade também.
Pouco importará se é justo ou não é justo. Se há ou não há ingratidão. A política é, por regra, avessa a esses sentimentos - o que recomenda distanciamento pessoal.
A pergunta que faço, porventura injusta e ingrata, mas com distanciamento, é esta: Passos Coelho gerará a adesão, a percepção de futuro e de novidade de que o PSD tanto carece?

#Escritório