quarta-feira, 11 de maio de 2016

O meu minuto 92

Não lamento nada. Há quem se arrependa de não se ter entregue à medida do momento. Eu não. Não lamento nada.
Festejei como se não houvesse amanhã. Com quem queria, a começar pelo meu filho que já viveu e sentiu como eu. Saltei, abracei, beijei, gritei, dancei. Tudo superlativamente. Lembro-me que já não estava quase ninguém no estádio e que até tive de ser convidado a sair do Dragão (não queria sair enquanto estivesse lá, em sofrimento e para meu supremo gozo, a falange do adversário).
Agasalhei-me depois com uma francesinha numa das várias cervejarias que por toda a cidade se apinharam de gente feliz. Recordo-me de encontrar imensos amigos (que, naquela ocasião, eram ainda mais amigos tal era a recíproca abertura de coração e disponibilidade para mais abraços). Sempre ao som dos festejos daquele momento, daquele golo. E sempre acompanhado das imagens em repetição sucessiva que preenchiam os vários ecrãs que costumeiramente decoram as paredes destes templos do pós-jogo. E matei uns finos. Muitos.
Se há momento que gozei e que percebi o quanto valia, foi esse.

Há 3 anos.

#Saladejogos

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Na berma até Fátima

Todos os anos somos surpreendidos (surpreendidos não será bem o termo, infelizmente) com a tragédia dos atropelamentos de grupos de peregrinos a caminho de Fátima. Se é certo que não há "épocas baixas" é com a proximidade do 13 de Maio - data em que afluem mais peregrinos - que essas tristes notícias são demasiado frequentes.

No país das auto-estradas (já vai da A1 à A49!, imaginem), das super escolas com mobiliário de assinatura e dos Programas Polis, ainda não temos um simples caminho, com um mínimo de segurança, ao dispor dos milhares de peregrinos que já mereciam evitar a berma da Estrada Nacional 1 (o que para alguns, será o mesmo que dizer, que já mereciam não perder a vida).

Eu perceberei pouco do que deve ou não deve ser o investimento público mas percebo o suficiente para ter a certeza de que é escandaloso, quase 100 anos depois dos primeiros peregrinos, ainda não termos concluído uma das mais elementares obras públicas. E esta seria verdadeiramente universal. Beneficiaria novos e velhos, ricos e pobres, homens e mulheres. Ou não fosse o caminho para Fátima.

Também aqui www.opalacete.blogspot.com

sexta-feira, 6 de maio de 2016

A política e a natalidade

A agenda da natalidade (não confundam com a agenda pessoal de fertilidade...) tem servido, infelizmente, para o exercício mais primário do jogo político-parlamentar.
O diagnóstico é tão objectivo - faltam nascimentos e crianças em Portugal, está em causa a sustentação da segurança social e a dimensão do nosso mercado - que a consensualização à volta de medidas ao serviço dessa causa deveria ser quase um impulso colectivo. Infelizmente não foi e continua a não ser assim, por muito que o problema se agrave e se revele cada vez mais premente fazer alguma coisa.
Típica e estupidamente prevalecem duas razões para o impasse.
A primeira é ideológica. Vá-se lá saber porquê, a nossa esquerda associa à direita a agenda da natalidade. É que estaremos sempre a falar da maternidade, do incentivo aos nascimentos, da família (sendo a família convencional - homem / mulher - a que tem significativa propensão para gerar crianças). Tudo termos ou conceitos que causam urticária à esquerda, por nos reconduzir ao elementar das relações familiares e sociais. E dessa urticária brota a resistência, por muito que ela não lhe aproveite - nem a ela nem a ninguém.
A segunda razão é de ordem puramente estratégica e política, no seu sentido mais desprezível. Com a alternância política, cada facção tem disposto das maiorias aparentemente suficientes para avançar com medidas concretas de promoção da natalidade, sem que a resistência da oposição represente um verdadeiro obstáculo. Os mandatos, todavia, sucedem-se, as maiorias e os protagonistas mudam, e apenas nos são servidos pequenos paliativos, acompanhados de chavões propagandistas. À clareza de intenções e de medidas na oposição sucede-se uma cruel tibieza no Governo.
Já sabemos. As circunstâncias condicionam. Os constrangimentos orçamentais justificam tudo. E cada liderança, em concreto, tem as suas próprias prioridades de entre aquelas que representam o seu partido.
Eu diria que as circunstâncias revelam com mais clareza as verdadeiras prioridades (porque são esses os momentos de fazer opções).
Ora, esta dança entre oposição e poder torna irresistível a ambos os "lados" expor as contradições entre as declarações e as ações. Pouco interessa se as propostas de acção são boas e até indiscutíveis. Pouco releva a urgência dessas acções. O que verdadeiramente importa - chega a dar um prazer indisfarçável - é expor as contradições, denunciar a hipocrisia, desmascarar a autoridade moral. No fundo, não há como desperdiçar um bom número político.
Não teria problema, não seria gravíssimo ou mesmo criminoso, se o interesse de todos não estivesse a ser desprezado, agravando o estado de urgência que vivemos.
Qualquer pessoa, parcial ou imparcial, de direita ou de esquerda, no governo ou na oposição, e desde que consciente, só pede 3 coisas:
1. Deixem-se de jogos e de tretas e aprovem medidas a sério de apoio à natalidade.
2. Deixem-se de jogos e de tretas e aprovem medidas a sério de apoio à natalidade.
3. Deixem-se de jogos e de tretas e aprovem medidas a sério de apoio à natalidade.
(Não necessariamente por esta ordem, como se costuma ressalvar).
#Saladeestar
#Escritório

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Túnel do Marão?

Já estive a ver o mapa e não vai para a Pontinha, nem para a Amadora, nem para Odivelas, nem Santa Apolónia, nem Terreiro do Paço, nem São Sebastião da Pedreira, nem Cais do Sodré.
Também não consegui perceber de que linha é que faz parte. Da amarela não é. Da vermelha e da azul também não. E na verde não encontro. Mas por que diabo e para chegar onde se fez o túnel?
Ironias à parte (a que não resisti) apetece-me dizer que o problema do Túnel do Marão é ser o Túnel do Marão.
A inauguração do próximo sábado padece de um atraso tal que já só me pergunto se é mesmo verdade que foi construído o Túnel do Marão – «o segundo maior da península» (muito gostamos nós destas medidas de grandeza!).
Não fosse o Túnel no Marão e há muito mais tempo teria sido inaugurado. Mesmo que custasse o dobro, derrapasse outro tanto e fosse o 50.º investimento de dezenas ou centenas de milhões na mesma região.
O povo costuma dizer que nas famílias há filhos e enteados. Eu acrescento que também é assim nos investimentos do Estado que envolvem muitos milhões.
É fazer a lista e medir os investimentos do Estado dos últimos 15 anos. Haverá poucos espalhados pelo país, haverá alguns com olhos de ver à volta do Porto e depois, bem, depois, haverá para aí uns 50 na famosa região do efeito spill over (só a ampliação do metro nos últimos anos dava para 3 ou 4 Túneis do Marão!).
#Saladeestar
#Escritório

terça-feira, 3 de maio de 2016

Escreve-se assim, mas lê-se assado

A celeuma à volta de como se deve ler ou dizer «Leicester» não é original. Por exemplo, estou farto de dizer que «Cedofeita» não se lê como se se escrevesse «cedo feita» mas sim como se se escrevesse «se do feita»!
Ah, mas eu leio como se escreve…
Tudo bem. Se queres ser parolo, estás à vontade.
#Saladeestar

Leicester

É inacreditável. É mesmo bombástico.
Qualquer comparação com feitos improváveis outrora conquistados por outros - costumam invocar a Dinamarca de 1992 ou a Grécia de 2004 - não serve (e esses feitos até parecem fáceis ao lado desta façanha). Não estamos a falar de um torneio de 6 jogos. Estamos a falar do melhor e mais poderoso campeonato do mundo, com dezenas de jornadas e milhões investidos pelos mais fortes clubes europeus.
O Leicester representa e representará o ideal de que em futebol tudo é possível.
História é isto. Sem qualquer exagero.
PS. Foi pena não terem selado em campo, com adeptos nas bancadas, a conquista histórica. Merecerão todos os festejos e homenagens. Jogadores, treinador e adeptos.
#Saladejogos

domingo, 1 de maio de 2016

Quo Vadis Porto?

1. Passaram 24 horas mas não me passaram ainda os piores sentimentos (quis esperar algumas horas, num assalto de prudência e de vã esperança).
2. Vergonha própria e alheia. Por cada um daqueles protagonistas que envergam a malha sagrada e que não sabem o que isso é. Mas também por cada um daqueles que se sentam na tribuna. A estes, aliás, dirijo também a minha revolta, que vergonha é pouco.
3. Pior que ser de um clube que perde é ser um adepto conformado, em negação ou a tentar disfarçar. E isso é criminoso quando se tem responsabilidades.
4. As declarações à comunicação social roçam o doentio e confirmam o pior. Estamos a reproduzir tudo o que desprezávamos nos outros. Palavra a palavra. Protagonista a protagonista. Dos jogadores ao líder máximo. Onde bastava um singelo pedido de desculpas estão protestos vazios e até embaraçantes (porque já nem sequer em nosso proveito).
4. Há uns anos, testemunhei a conversa entre dois amigos por um deles ter avançado para a presidência de um clube – do seu clube do coração – ao que o outro ripostava, quase incrédulo, com um simples «és maluco?». Tão depressa ripostou como ouviu a explicação mais simples mas mais genuína: se sentisses que o teu clube precisava de ti tu não te disponibilizavas?
5. ...

#Saladejogos