quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Empatas

1. Que porra pá!
2. Tivemos momentos bons, entrámos bem e fizemos naturalmente o golo.
3. Depois, inexplicavelmente, fica-se com a desconcertante sensação que não queremos assim muito. Os momentos de apatia foram tantos que não consigo perceber.
4. Herrera é menos um neste momento. Não tem presença e arrasta-se. O lugar pertence totalmente a André André.
5. André Silva devia gravar estes jogos. Para perceber como tem de melhorar. A linha entre a afirmação e o deslumbramento é curta e não pode ser ultrapassada.
6. Continuo a gostar desta equipa, gostei do regresso de Brahimi, animou-me olhar para o banco e ver qualidade e alternativas.
7. Em casa, contra o Copenhaga, na primeira jornada. Não devíamos ter empatado. Não podíamos, porra!

#Saladejogos

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O juiz Carlos Alexandre? Está mal.

Se não dá entrevistas nem se expõe está mal porque não se dá a conhecer. Se dá entrevistas está mal porque deveria manter-se no prudente recato.
Se diz que tem muito dinheiro está mal porque é estranho que um juiz – cujos rendimentos são publicamente conhecidos – tenha dinheiro. Se diz que não tem dinheiro e que só tem o que aufere do seu trabalho de juiz está mal porque devia ter (como e porquê não interessa).
Se diz que teve uma infância extasiante e abastada está mal porque se está a exibir. Se diz que teve uma infância simples e austera está mal porque não tem nada que se armar em humilde.
Se tem a percepção que está a ser escutado e «acompanhado» em permanência está mal que não o diga. Se o diz está mal porque não o deve dizer.
O juiz Carlos Alexandre está sempre mal. Faça o que fizer. Evite fazer seja o que for. Diga (ou não diga) o que disser. Estará sempre mal. Sempre. Não vale a pena.
Eu não tenho estados de alma relativamente ao juiz Carlos Alexandre, o que não quer dizer que não me mereça muitas críticas. Mas há uma apreensão que não me assalta – a de que não é honesto e não procura ser justo. Essa tranquilidade acho que a tenho.
Assim, de repente, e apesar de tudo, é a que mais valorizo. E nessa não está mal.

#Saladeestar

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Barbosa de Melo

Não tive o privilégio de ser aluno de Barbosa de Melo e não cheguei a conhecê-lo pessoalmente. Mas acho que posso dizer que o conhecia. Li-o muitas vezes. Sei da sua relevância e inteligência (sobretudo inteligência) em momentos especialmente importantes e fundadores do nosso regime. E acompanhei já, a partir de 1991, o seu «regresso» à ribalta – e, portanto, os seus dois mandatos na Assembleia da República, o primeiro dos quais enquanto presidente eleito pelos seus pares.

A autoridade que lhe reconhecia ia colher ao que nunca pensara ter de valorizar tanto.
Era genuinamente sólido. Cultivava com naturalidade o pluralismo democrático por que se batera. Era sereno na sua firmeza.
Não precisava de ser «floral» nas intervenções. Nem simular (muito menos sentir) reacções ressabiadas e arrogantes.
Por aí se explica a adesão espontânea que gerava. De quem concordava e de quem discordava. Respeitavam-no. E era merecedor de respeito.

Fazem-nos falta, em todas as bancadas, Barbosas de Melo. Faz-nos falta Barbosa de Melo.

#Escritório

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O carisma de Teresa e a coerência

Podemos não nos rever num determinado carisma, podemos não compreender a doutrina por trás dos actos, podemos até não gostar. Ponto.
Quando me vejo nessas circunstâncias não é o ódio que convoco para a arena. Prefiro olhar aos actos concretos.
Honestamente, é difícil – para quem está de boa fé – não ficar tocado com as obras e os gestos de Madre Teresa. Sempre junto dos mais pobres dos pobres, dos mais miseráveis dos miseráveis, dos abandonados. A vida inteira.
As críticas apaixonadas – que de tão apaixonadas me deixam perplexo e intrigado sobre o que as motiva – perdem pelo ódio, claro, mas pecam especialmente (não consegui evitar o verbo) pela escassa ou mesmo inexistente autoridade moral. Elas surgem-nos em modo de post moderno escrito no conforto de uma casa ou escritório do ocidente. Eu gostava de as ler num papel sujo e gasto pela miséria de uma Índia ou de um qualquer bairro onde normalmente encontramos as Madres Teresas. A isso chama-se autoridade moral. Eu, ainda assim, prefiro chamar coerência.

PS. No passado domingo, quando revisitava meia dúzia de histórias da sua vida – e procurando encontrar alguns momentos da sua passagem por Portugal – recordei o episódio tenso que a Madre Teresa viveu com o então Bispo de Setúbal, D. Manuel Martins.
Nos anos 80 (e também 90) a crise social no distrito de Setúbal foi particularmente complicada. E o então carismático Bispo de Setúbal (o Bispo vermelho, como era conhecido) pediu à Madre Teresa para abrir uma casa em Setúbal. Quando foi visitar essa casa, D. Manuel mostrava orgulhoso à Madre Teresa o apartamento confortável que havia conseguido providenciar para as irmãs. A Madre Teresa ficou incomodada e furiosa (é assim que vem nos relatos) com a localização e o conforto da casa. Em jeito de ralhete ao «generoso» Bispo vermelho disse que as irmãs haveriam de estar junto daqueles a quem devem servir e na mais absoluta simplicidade. E assim foi (ou passou a ser).

#Jardim
#Saladeestar

domingo, 4 de setembro de 2016

Madre Teresa

Os santos a que culturalmente nos afeiçoámos têm a desculpa ou o "demérito" da distância e da circunstância. Um São João, um Santo António, um São Francisco, um São Tomás ou um Santo Agostinho, têm tanto de notável e grandioso como de inacessível e, em certa medida, não replicável nas nossas vidas. Foram exemplares - não haja dúvida - mas eram outros tempos, outros lugares, outras vidas.

São desculpas ou atenuantes de consciência, que nos servem "à medida" para justificar a nossa tíbia vocação à santidade. Achamos sempre que isso de corresponder "ao outro que nos estende a mão" é para heróis e sobredotados. Não é. Bem sabemos que não é.

Com Madre Teresa não nos assiste essa desculpa de que faz parte de "outros tempos, outros lugares, outras vidas". E por isso é especialmente feliz a sua canonização. Não que já não soubéssemos da sua santidade - os frutos e a áurea que lhe testemunhámos dispensavam a formalidade. Mas faz-nos bem regressarmos ao seu exemplo de vida. De fragilidade. De desprendimento. De entrega. Com firmeza. Com generosidade. Com fidelidade.

Não é nada fácil. Mas não vale inventar desculpas.

#Jardim

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

O jornalismo do «save as» (ou como se diz nas redacções, à base de «takes da lusa»)

Não é preciso um grande estudo ou dissertação sobre a crise do jornalismo em Portugal. Basta dispormos do serviço de recolha selectiva (em inglês snob diz-se «clipping»). A mesma notícia, com as mesmas palavras, as mesmas gralhas e os mesmo erros, é publicada por praticamente todos os jornais. Sem critério e sem revisão. É assim todos os dias. Depois queixem-se que se vendem poucos jornais.

#Saladeestar

terça-feira, 30 de agosto de 2016

O CDS e a exigência

Já o venho dizendo e não tenho razões para deixar de o repetir. Gosto da Assunção Cristas. Aprecio o seu estilo e a sua liderança. Projecto nela uma enorme esperança para o CDS e, através do partido, para Portugal. E ao fim de quase 6 meses de liderança não tenho razões para refrear o meu entusiamo. Pelo contrário.
Não sou, todavia, nem nunca fui, um militante acrítico. Em boa verdade, nem sei como é que isso se faz.
Não tenho qualquer hesitação em dizer que não gostei da participação do CDS no congresso do MPLA (e menos gostei do entusiasmo e das tão insensatas quanto excitadas declarações do deputado Hélder Amaral).
Como também não gostei do convite à Maria de Lurdes Rodrigues para participar na Escola de Quadros do CDS. Não é por ser alguém do PS ou de fora do CDS. A legítima participação no debate de alguém como Maria de Lurdes Rodrigues – a quem não faltam, e bem, fóruns de participação cívica e política – não tem que ser patrocinada pelo CDS. Não cabe ao CDS reabilitar para o debate alguém que representa quase iconicamente e sem remorso a governação de José Sócrates.

Dito isto, também não aprecio especialmente o alarido público e nada inocente de críticos à direcção do partido com base nesses dois infelizes momentos. Prefiro, ainda assim, sublinhar o saudável despertar para a exigência perante o líder. Qualquer líder – seja ele Paulo Portas ou Assunção Cristas – é melhor líder se conviver com a exigência e o escrutínio dos militantes.

#Escritório