terça-feira, 15 de novembro de 2016

Eu também acho não sei quê

Eu também tenho uma teoria sobre a vitória de Trump, a derrota da Hillary, os populismos, os sistemas eleitorais, a relação entre maiorias e representatividade. E sobre o caso do Bruno de Carvalho com o presidente do Arouca. E sobre a lua grande. Talvez esta última seja mais discutível.
Mas não. Não passa por chamar ignorantes e estúpidos a tudo o que mexe. Não tenho jeito (quer dizer, jeito tenho, mas sou dominado pela vergonha) para exercícios de superioridade moral. E ao que leio por aí ainda me arrisco a levar uma bisga.

Fica para quando estiver tudo mais calmo. Ou não, que não se perde nada (já sei, escusam de me advertir).

#Saladeestar

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

À conversa com Leonard Cohen

Volta e meia vejo-me obrigado a contemporizar essa do «gostos não se discutem». Há estrelas que não estão sujeitas a semelhante boutade. Não aquelas que nos são impostas e a que aderimos por obediência quase bovina. Falo antes das estrelas mesmo. De um Cohen, hoje, como de um Bowie, ontem.

E então para quem gosta de músicas, para quem gosta de melodias, de letras, de histórias. Para quem gosta de vozes graves, de conversas, de álbuns inteiros. Leonard Cohen está quase isolado. Ouvi-lo dava-me a sensação de estar numa conversa – sim, ele interpretava como quem conversava ou contava uma história. E por isso às vezes não perdia muito tempo com essa coisa da melodia que ele próprio criara (encarregava até uns quantos back vocals para que não se perdesse essa parte da criação).
Com Leonard Cohen o brilho era completo. A qualidade, de tão genuína, tão massiva, tão sufocante, envolvia-nos e não consentia essa ousadia do «gostos não se discutem» (como quem diz, discutam para aí, que não há como beliscar o génio).


Ao olhar para as minhas estantes carregadas de criações banais, apeteceu-me pôr lá uma caixa. Na lombada escreveria «À conversa com Leonard Cohen». Para quê? Para disfarçar a vergonha de a ter vazia. Para a preencher urgentemente. E para poder recuperar essas conversas com o génio.

#Jardim

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A democracia e o voto

Nesta manhã em que a pulsão democrática está em crise (ela é mais posta à prova quando os resultados traem o desejo e a expectativa) não retiro uma vírgula ao que escrevi no dia a seguir ao referendo do Brexit:
«O voto é esclarecido
Não tenho nem ilusões nem presunções. E não faço exigências.
O voto é o que cada um quiser fazer dele. Na mais absoluta liberdade. Se essa liberdade é baseada na leitura aturada dos programas ou numa ponderação profunda sobre as alternativas, tanto melhor. Mas vale o mesmo se for fruto de uma precipitação, de um engano ou até de uma garotice.
E esta constatação tanto vale para um lado como para o outro. Serve para quando gosto e para quando não gosto do resultado.
Achar que os eleitores não sabem o que fazem é presunçoso, incoerente e até pouco democrático. Presunçoso porque tem na génese a ideia de que «eu é que sei». É incoerente porque já não interessa quando os resultados são os que eu gosto. É pouco democrático porque vai colher à ideia de que isto estaria bem era nas mãos de uns iluminados (que o povo é ignorante e não é capaz de decidir bem).
O argumento das promessas demagógicas e vãs é fraco e não vale – se não fosse fraco e não valesse, então valeria sempre (porque não há acto eleitoral que não se ornamente de promessas demagógicas e vãs).
Eu por mim respeito sempre os resultados de qualquer votação. Com humildade e com espírito democrático.
(…)»
Por ora é o que se me ocorre dizer - outra vez - sobre os resultados (para lá da esperança de que a realidade seja melhor que o «verbo»).

#Escritório

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

I'm out

Não vou à Web Summit.
Não tenho uma Startup.
Nem app. Nem sou CEO. Nem CFO. Nem Entrepeneur.
Falta-me um Business Plan para fazer um Road Show, atrair Business Angels ou Investment Funds, que depois de uma Due Dilligence, me proporão uma Joint Venture ou M&A.
Talvez um Outsourcing para estudar um Management Buyout ou mesmo um IPO. Default é que não.
Um Empowerment é urgente.

Vou mas é beber uma mini. Sorry.

#Saladeestar

domingo, 6 de novembro de 2016

Perder também é isto

1. Pouco interessa essa coisa do não merecemos.
2. Quer dizer, o palavroso do banco mereceu. Esse mereceu.
3. Estávamos à procura do segundo golo, não havia nem sinal de réplica, e o intelectual do banco achou que era boa ideia pôr um freio (mais um médio e menos um extremo naquele momento foi todo um programa).
4. Perdemos. 2 pontos nossos. 1 para lado de lá. E obviamente que não ganhar em casa é perder. Essa é que é essa.
5. Não me apetece dizer mais nada.

#Saladejogos

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Manuel Sampaio Pimentel

Lemos os maiores elogios ao seu carácter, ao seu modo simples, directo e despudoradamente leal de ser. E de escolher. E de servir. Eloquente consenso, apetece dizer.
Talvez seja mais justo dizer que é muito difícil e exigente ser como o Manel escolheu ser (que inveja Manel!).
Quando hoje rezar por ele e pelos seus vou começar com um «gostava do Manel». Sei que Deus estará também em sintonia.

#Jardim

Da memória e da responsabilidade


É das tradições que faz mais sentido e que mais me comove. O mapa de ternura em que se transformam os nossos cemitérios anima-me. Lembrar as raízes que nos fazem inteiros é mais que um exercício de memória. É sobretudo um exercício de responsabilidade.



#Jardim