quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O prazer da inocência

Eu, que gostei de viver a inocência própria de cada idade, que me diverti com a «viagem» natural da descoberta e que tive espaço para a curiosidade, estou aqui. Firme e hirto.
Não. Aos 5 anos não me trataram como se tivesse 10. Aos 10 não me impuseram as ansiedades dos 12 ou 13. Aos 14 não me obrigaram a saber e a fazer como se tivesse 18.
E olhem que eu gostei. A sério. Tive o prazer da inocência, da descoberta, da curiosidade. Até o do pudor.

Não percebo porque negam aos meus filhos a liberdade desse prazer.

#Saladeestar

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Alma

1. Meus amigos, que alma, que vontade, que raça! Brinquem, brinquem connosco.
2. Contra tudo e contra todos sabe melhor. Não deixa de ser escandaloso. Mas se é para ser mais saboroso, estão a conseguir.
3. Marcámos 3 golos. Validaram 2. Mas os 3 pontos são nossos.
4. Eu nunca disse que o Depoitre não era uma boa contratação. Só ainda não sabia.
5. E pronto. Por agora, desejos de um Bom Natal.

#Saladejogos

Alma

1. Meus amigos, que alma, que vontade, que raça! Brinquem, brinquem connosco.
2. Contra tudo e contra todos sabe melhor. Não deixa de ser escandaloso. Mas se é para ser mais saboroso, estão a conseguir.
3. Marcámos 3 golos. Validaram 2. Mas os 3 pontos são nossos.
4. Eu nunca disse que o Depoitre não era uma boa contratação. Só ainda não sabia.
5. E pronto. Por agora, desejos de um Bom Natal.

#Saladejogos

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Mário Soares e eu

Sou um filho daquela marcante campanha presidencial de 1986. Cresci a cantar o «Prá Frente Portugal com Freitas do Amaral» por oposição ao «Soares é fixe». E senti aquela derrota eleitoral, à segunda volta e à tangente, como se de uma derrota do meu clube se tratasse. Na minha cabeça de criança empenhada tinham ganho os maus com um golo de penalti duvidoso nos descontos. Eram tempos ainda de ressaca revolucionária. E eu respirava um ambiente de facção que hoje compreendo, que terá sido quase inevitável, mas no qual não me revejo.
Com o tempo, com o distanciamento, com a maturidade (a pouca que a natureza me foi concedendo) desvaneceu-se aquela imagem simplista dos bons e dos maus. A política e a história sempre rivalizaram com o futebol na disputa pelo meu tempo de menino e adolescente. Sem esforço e sem mérito, tanto lia biografias políticas e programas eleitorais (programas eleitorais, imaginem!), como coleccionava cachecóis de clubes e bilhetes de jogos de futebol. Se no início os dois mundos até pareciam próximos, às primeiras leituras e aos primeiros pêlos na cara, comecei a duvidar, a relativizar e a contextualizar. Ainda com a voz a engrossar já conseguia valorizar politicamente o que antes diabolizara sem discussão. Reservei ao futebol a clubite que lhe é própria e ofereci-me à política com uma certa bonomia crítica e exigente. É desse exercício que nasce a minha «reconciliação» com Mário Soares, a quem logo reconheci uma rara capacidade para nos interpretar.
Não. Mário Soares não é essa figura impoluta e perfeita que muitos sustentarão. Tem de sobra episódios condenáveis. De facção, de traição e de jogo. E nunca foi tributário do meu voto. Mas foi demasiado importante num momento especialmente relevante e fundador do nosso regime. Não lhe devemos tudo, até porque não esteve sozinho. Mas à sua intuição, à sua coragem e insubordinação, e ao seu profundo amor à liberdade, ficámos a dever a nossa própria. Não é coisa pouca. Mas fico com a sensação que muito boa gente, porventura refém de uma certa «clubite de menino», ou não o sabe, ou não o reconhece ou não o valoriza. Mas devia.

#Escritório

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Títulos

Concordo. Em 87, com a Taça dos Campeões Europeus é que foi. Ou em Sevilha, no quente Maio de 2003, com a pesada Taça UEFA. E logo no ano seguinte, naquela cidade alemã de nome esquisito. A Champions! A Champions! A inacessível, a do hino, a exclusiva dos milionários! De 2011 guardo mais o percurso impoluto (como a reviravolta frente ao Villareal ou a retumbante vitória na Rússia). Mas voltámos a agarrar o canecão pesado (só nós!).
Concordo. São estes 4 que valem a sério. Que valem muito. Os tais da inveja – genuína, indisfarçável e própria da rivalidade.
Talvez se sobrevalorizem os outros títulos internacionais de um só jogo ou a duas mãos (as taças intercontinentais e a supertaça europeia). A verdade, contudo, é que os experimentámos. Os vencemos. Foram nossos. E justamente por causa daqueles que valem muito.
Há 12 anos levantávamos um desses canecos!
#Saladejogos

domingo, 11 de dezembro de 2016

Como se nada fosse

Ainda me lembro como era isso de ter uma gripe e poder curá-la convencionalmente. Na cama, sem ser convocado para nada, cumprindo e fazendo cumprir as prescrições clássicas (dormir, comer e beber na estrita medida do necessário, tomar dois ou três xaropes ou pastilhas e não ser incomodado).

Ai dói-me o corpo? Pesa-me a cabeça? Não me larga a tosse? Só me apetece estar na cama? Estou fraquinho?

Há por aqui por casa uns seres que não querem saber e passeiam-se como se nada fosse. Chamam como se nada fosse. Querem tomar o pequeno-almoço, o almoço, o lanche, e o jantar às horas certas como se nada fosse. Peguilham como se nada fosse. Fazem asneiras e desarrumam como se nada fosse. Até brincam connosco como se nada fosse.

Perdi algures essa coisa do direito a estar doente. Quer dizer, estou. Mas cá em casa é como se nada fosse.

#Saladeestar

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Sou parolo mas não me importo

Estou, definitivamente, do outro lado da barricada.
Achei muito bem o Pingo Doce na Marechal (na mesma avenida onde há escolas, bancos, bombas de gasolina, clínicas veterinárias, escritórios de advogados e de consultoras, e, até há pouco tempo, serviços da segurança social). Até dou por mim – não o escondo – a achar que ficou mesmo bem o tal Pingo Doce.
E também acho muito bem o Tourigalo na Fonte da Moura e o Continente ao lado da Cufra (na mesma avenida onde há de tudo – desde bombas de gasolina, lojas de tapetes, restaurantes baratos e caros, tascas, farmácias, jardins de infância, clínicas, sedes partidárias, salas de espectáculos, jardins, bares de noite e, pasme-se, supermercados!).
Lamento muito, mas em avenidas como estas, com tantas funcionalidades e espaços diferentes, não há critério de selecção que recomende negar a abertura de supermercados ou de restaurantes. Sejam eles gourmet ou populares. Caros ou baratos.
O critério, do meu lado, é mais simples. Em espaços descuidados ou devolutos, casas abandonadas há anos, dominadas pela marginalidade e pela vegetação selvagem, eu anseio sempre pela abertura de um Tourigalo ou de um supermercado. Para pôr fim a esse degredo. E, já agora, para minha comodidade.
Foi isso que aconteceu.
Chamem-me parolo da cidade que eu não me importo.

#Salaodevisitas