sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Um ano

O primeiro ano é uma emoção. Especialmente quando é a primeira vez.
É tudo novo. As primeiras palavras. Os primeiros passos. As primeiras reacções.
A cada olhar ficamos impressionados. Desde logo por ser nosso. Depois, por já não ser bem nosso. E, claro, por já ter passado um ano.

O meu Palacete faz um ano! Continuam convidados.

PS. Assim nasci há um ano!.


#Jardim

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Candidatos à CMP

1. É natural – e porventura desejável – que o actual presidente Rui Moreira renove e reforce o seu mandato na Câmara Municipal do Porto. Para quem acompanha a vida política e pública do Porto sabe que os grandes projectos da actual vereação foram agora lançados – o Bolhão, o Pavilhão Rosa Mota, o Matadouro e o Terminal Intermodal, ambos em Campanhã – pelo que seria algo estranho que não se completassem (em bom rigor, que não se realizassem) sob a mesma gestão e a mesma presidência. 4 anos é o tempo de um mandato mas é curto para a implementação e a avaliação de um «projecto» autárquico;

2.    O apoio do CDS a Rui Moreira é natural e incontornável. Assim como o do PS, em função do acordo vigente;

3.    É essencial que haja uma oposição consistente e séria na Câmara do Porto. Não é saudável que se forme um poder demasiado hegemónico, sem exigente contraditório e sem apertada fiscalização democrática e representativa. É desse escrutínio que, em democracia, se fazem grandes presidentes e se formam grandes alternativas;

4.    Hoje foi veiculado que o PSD apresentar-se-á a eleições com Álvaro Santos Almeida. Sei quem é mas pouco mais sei. Conforme notas biográficas que consultei, seguramente que conhece e sente o Porto – terra onde nasceu, onde vive e viveu a maior parte da sua vida, onde estudou, onde leccionou, onde trabalhou e trabalha em empresas e na administração pública. Para início de conversa, diria que está muito bem;

5.    Não sou refém das «figuras públicas» ou «mediáticas». Assim de repente, conheço tantas – públicas e mediáticas – que não são nada recomendáveis (algumas chegaram assustadoramente a circular como hipótese para o Porto). Do meu ponto de vista, a 9 meses das eleições, o anonimato não é obviamente uma vantagem. Mas também não é demasiado importante;

6.    Como sempre, estarei atento. Interessam-me o conhecimento da cidade, as ideias, os projectos. E a vontade e vocação dos protagonistas;

7.    Bem-vindo Álvaro Santos Almeida. Estarei atento.

#Escritório

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Bom ano

Tudo bem. As mensagens de «Bom ano» ou «Bom ano novo» são normais e não tenho nada a dizer.
Também me adapto a um «Feliz ano», embora não goste muito da expressão «feliz» conjugada com «ano».
Agora «próspero» é que não. Não me peçam para explicar mas «próspero ano novo» soa-me a rococó e piroso.
É como quando dizem «o meu esposo» em vez do «meu marido». Marido tudo bem, esposo não gosto.
Ou uma também típica (sem querer ofender ninguém). Não digam «o dia do meu aniversário» … digam «o dia dos meus anos». E fujam da mistura explosiva «feliz aniversário». Não tem explicação mas não fica bem. É como é.
Pronto. Não vou implicar mais.
O que queria dizer era simplesmente isto: tenham todos um Bom Ano de 2017 e esqueçam lá essa coisa do próspero (que não tem mal nenhum mas eu não gosto).

#Saladeestar

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Santo cansaço

- E então, cansado?
- O primeiro sentimento não é esse. Mas sim, cansado. Dorme-se pouco. 24 de um lado, 25 do outro, como é suposto. Com a viagem pelo meio e muitas horas à mesa.
- Mas não se esteve bem, não se comeu bem?
- Ah isso comeu. E bebeu. E bem. E muito. O que, por falar em cansaço, também cansa.
- Mas todos juntos e bem dispostos?
- Todos juntos, claro. Bem dispostos? Acho que sim.
- Porquê esse acho?
- Meu amigo, a distância entre uma birra e uma gargalhada é ténue. Tanto se peguilha como se abraça. De um minuto para o outro. E então nestes dias sem rotinas ...
- Então não correu assim tão bem.
- Correu. E quanto mais dias passam mais certo é que correu bem. Ninguém se lembra das pequenas birras. E todos se lembram dos abraços e das gargalhadas. Nós e as crianças.
- Imagino a confusão!
- Imagina mas não te aflijas.
- Desculpa, só me aflige essa das birras.
- Não te aflijas. Referia-me às crianças. Que dão mais sentido mas também cansam.
- Não sei se me revejo nessa ideia estafada de que as crianças cansam.
- Sabes que com as crianças é tudo muito relativo. Connosco também, é certo, mas o mundo das crianças é diferente.
- Como assim?
- Num mesmo dia – em qualquer dia – nós experimentamos nas crianças as birras e as ternuras, os gestos comoventes e os impulsos repugnantes, a serenidade e a impaciência. No Natal e nas festas em geral não é diferente. Talvez seja até mais exagerado.
- Percebo.
- Se as crianças nos induzem ao que há de mais genuíno e puro – e por isso, pela essência, chegamos mais facilmente ao que verdadeiramente interessa – elas também nos consomem e nos desviam dessa essência. Ninguém, cansado, perante uma birra, consegue pensar na maravilha do nascimento do Menino …
- Mas as crianças não passam o dia todo em birras …
- Pois não. E não é desses momentos que nos recordamos quando recuperamos as memórias destes dias. Pensamos no vinho que bebemos, nos doces que nos marcaram, nas conversas que nos uniram, na alegria de todos, na comunhão das saudades. E ficam-nos tantas outras fotografias. A dos presentes mais certeiros e mais infelizes. As dos semblantes deslumbrados das crianças – outra vez elas. A da gruta esculpida com arte e engenho para receber o Menino Jesus e toda a parafernália que o circunda no majestoso presépio (que voltou a deslumbrar, como se fosse a primeira vez). E mais, muito mais.
- Que sorte!
- Estás a ver? Já só me lembro do que correu bem, porque é cansado que corre bem.
- Então essa expressão cândida e até beata do Santo Natal não é um bocadinho forçada?
- Não. Não é. Um Santo Natal é isto mesmo. Santo não quer dizer que seja perfeito. Santo não quer dizer que seja indolor e sem cansaço. E sem birras. E sem presentes infelizes. E sem saudades. Não. Um Santo Natal é esta quase misteriosa amálgama de momentos que, quando recordados, têm o sentido próprio da família que se reúne. E insisto – as crianças cansam, não há como negá-lo, mas tornam o Natal mais Santo.
- Olha, santo cansaço!
- É isso.

#Jardim

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Não gosto da tua música então não gosto de ti

Parece que agora é esse o critério para se ser boa ou má pessoa e merecer ou não respeito no momento da morte.
«Já vais tarde», dizem os que não gostavam das suas músicas.
Deixa-me estar quieto e não pôr à prova a minha veia criativa (chego a ter medo da qualidade das músicas que não criei!).
Deus me guarde da brigada do bom gosto, que eu cá quero ser boa pessoa.

#Saladeestar
#Jardim

Silva Marques

Ainda me lembro daquelas tardes. Depois das aulas, sentado no sofá, o colo forrado de torradas num prato, regalado a ver o que dava na televisão.
Umas vezes era o Orçamento de Estado, outras uma moção de censura (que às tantas virava para moção de confiança), outras ainda o estado da nação. Entretinha-me e divertia-me com os directos da Assembleia da República. A oratória, o humor, a razão e o despudor. Os preparados e os atrevidos. Os talhados e os desajustados.
Lembrei-me dessas minhas tardes quando soube da morte do Silva Marques. E tive saudades.
Não sei se se lembram mas o Silva Marques foi um destacado deputado. Foi um dos que caiu em si quando percebeu que o PCP e o seu projecto político para o país eram um logro. E entre o PS e o PSD escolheu este último. Era, de facto, um senhor deputado. Por regra sentava-se na primeira fila, mas na cadeira mais à esquerda, de onde exibia o seu farto bigode, nó de gravata robusto e sorriso simpático. E tinha o que mais gosto nos deputados – eloquência inteligente e bem-humorada.

#Escritório

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Eu gosto

Gosto desta azáfama. Gosto do reencontro familiar. Gosto da casa pronta a receber. Gosto da loucura das decorações e das luzes. Gosto das cidades enfeitadas. Gosto dos espectáculos e da programação intensa. Gosto das músicas. Gosto dos balanços. Gosto dos postais, dos e-mails e dos telefonemas. Gosto das crianças ansiosas. Gosto dos pais sem mãos a medir. Gosto do frio. Gosto da lenha a arder. Gosto das declarações de saudade e amizade. Gosto da noite. Gosto do dia seguinte. Gosto das roupas mais arranjadas. Gosto dos presentes. Sim, gosto dos presentes. Gosto de dar e de receber. Gosto das montras. Gosto das lojas cheias. Gosto das ruas e centros comerciais apinhados. Gosto dos embrulhos. Gosto dos papéis berrantes. Gosto dos sorteios de Natal. Gosto das listas de compras. Gosto de ter de escolher porque os recursos são escassos. Gosto da confusão. Gosto do cansaço. Gosto das mesas cheias. Gosto do bacalhau. Gosto dos doces, especialmente as rabanadas. Gosto do copo de vinho. Gosto das conversas longas. Gosto das angústias e das alegrias partilhadas. Gosto da saudade. Gosto da generosidade. Gosto da ajuda a tantos que precisam. Gosto do mistério do presépio. Gosto da estrela e dos sinos. Gosto dos Reis Magos. Gosto de José e de Maria. Gosto do Menino Jesus. Gosto da missa de Natal. Gosto de rezar ao Menino Jesus pedindo por todos aqueles a quem tudo o que eu gosto é negado. Gosto de tanta gente.
Eu gosto do Natal.

Um Santo e feliz Natal para todos!

#Jardim