sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

É o destino

Obviamente que não nos devemos deslumbrar com os directórios internacionais e com os prémios atribuídos em função de votações pela internet.
Mas obviamente – também! – que não os devemos desprezar. E quando esses prémios decorrem de votos que não são nossos há uma qualquer mensagem que devemos captar.
Sim. Estou a dizer que não ligo muito aos nossos próprios votos (por muito que ache inteligente que os promovamos). E sim. Estou a querer dizer que me impressiona que em 85 países por esse mundo fora o Porto tenha atraído mais cliques que tantas e tão deslumbrantes cidades desta nossa velha Europa.
Pode não valer muito, mas vale qualquer coisa.
Eu sempre soube do Porto. E sempre soube que algum dia ia ser descoberto. E é bom? É. Mas sabem mesmo o que é? É o destino.

#Salaodevisitas

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Espuma (ainda o efeito mudanças)

Nunca gostei. Nem da opção gel nem de cheiros fortes (que me perseguem, depois, o dia todo). Já não sei quantas embalagens acumulo.
Entre as vezes em que me distraio e as vezes em que se enganam por mim (é sempre má conselheira a encomenda a terceiros de produtos tão pessoais), devo ter uma mão cheia no armário de casa.
Nunca fui a uma festa da espuma, mas se um dia aparecer uma de gel, acho que passo por lá para dar vazão ao carregamento que tenho em casa.

Que na barba não gasto de certeza.

#Saladeestar

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Mudanças

- Do corpo ou da carteira?
- Dos dois. Saiu dos dois. Mais do primeiro do que da segunda, num equilíbrio sempre difícil. Até porque ambos são limitados!
- Olha, mas até correu bem?
- Sim. Crianças mais ou menos à distância. E uma chuvinha amiga para patinar a entrada da casa nova …
- Isso da chuva, por acaso, foi azar.
- É. Isso e as louças. Fazes ideia o que pesam as louças? A quantidade que se acumula de louças? O tempo que demora a arrumar as louças? A chuva é o menos…
- E os copos?
- Não me fales dos copos. Nem das roupas. Nem dos sapatos.
- E os livros?
- Cala-te.

#Saladeestar

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Os muros

Não gosto de muros. Não consigo apoiar muros.
Mas eles já aí estão há anos. Nos mesmos sítios. Pelas mesmas razões. Sem choro nem ranger de dentes.
Pelas mãos de líderes incensados.
Ao menos que a aversão ao Trump sirva para denunciar os muros desta vida.
Mas não lhe dêem o gosto de dizer que foi ele que começou (ele até gostaria da medalha, mas não é verdade).


#Escritório

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Relação difícil

Temos uma relação difícil.
Quando apareceste não te liguei nenhuma. Sim, porque eu só queria mesmo ligar. Resisti uns tempos até termos a nossa primeira experiência. Podia não ter sido assim, mas gostei logo. E tanto gostei que rapidamente me conquistaste.
Gostava daquele jogo de toques sintonizados e sensíveis. Chegava a sorrir quando me lançavas a sugestão que eu procurava (tinha a sensação que a reservavas para a última hipótese, num jogo de suspense e de gozo).
Os tempos passaram e tu própria também mudaste. Percebes o que quero mais cedo. Respondes ao mais pequeno e subtil toque. Dispensas bem a agressividade de outrora (que também já me cansava, confesso).
Mas não penses – tenho que te dizer isto – que está tudo bem.
Já me fizeste passar vergonhas. Resistes demasiadas vezes ao que te digo e corriges-me com propostas absurdas (não percebo essa teimosia de não aceitares o que me vai na alma).
Imagino que qualquer analfabeto morra de amores por ti e se entregue à tua tirania.
Imagino que sirvas de bode expiatório para muitos que não se assumem nos seus próprios erros.
Eu prefiro arcar com os meus. Escusas de te meter. Escusas de me corrigir.
Se é apara ajudares, tudo bem. Mas a continuarem as coisas assim acaba já aqui a nossa relação.
É que é cada uma? Ontem, por exemplo, era «Bjork» em vez de «Bj»…
Ando tentado a desactivar a «escrita inteligente» do telemóvel.

#Saladeestar

Os grandes negócios. Dos outros.

- Carro novo?
- Nem imaginas. Foi uma oportunidade única. Full extras, mega desconto e ainda pagaram mais pelo meu carro na retoma.
- Que grande negócio. Que sorte.
- Casa nova?
- Nem imaginas. Foi uma oportunidade única. Soalho de castanho, capoto e aquecimento central. E consegui vender a minha casa antiga em 15 dias pelo preço que queria.
- Que grande negócio. Que sorte.
- Que bronze, foste de férias?
- Nem imaginas. Foi uma oportunidade única. Viagem de avião, hotel 5 estrelas com praia paradisíaca exclusiva e tudo incluído. E por metade do preço!
- Que grande negócio. Que sorte.
- E esse casaco? E esses sapatos? E esses óculos escuros? E tudo em ti?
- Nem imaginas...
- Já sei. Foi uma oportunidade única. Que grandes negócios. Que sorte.
Deve ser inabilidade minha. Cada vez que compro um carro, uma casa, uma viagem, qualquer peça de roupa. Confirmo sempre.
É que me sinto cercado. Pelas oportunidades únicas. Pelos grandes negócios. Dos outros.

#Saladeestar

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

De regresso ao Cinema Batalha

Corria o ano de 2006. Era uma noite fria, como são frias as noites de Novembro. Combinámos os três, como tantas vezes o fizemos. Eu cuidei de avisar do programa e dos bilhetes. Cada um tratou da sua vida em casa.
De repente (tive esse acesso interior) dei por mim, com as minhas irmãs, a entrar no Cinema Batalha para ir ver o Loyd Cole.
Pode parecer estranho, mas estava muito perto de ser um programa de sonho. Nós os três (os três mais velhos, como diriam os nossos pais quando eramos miúdos). A ver o Loyd Cole (som que nos acompanhou na idade das importâncias e dos protestos). No cinema Batalha no Porto (num espaço icónico da nossa cidade). Parece simples. E é. Parece fácil. Mas não é.
Talvez pairasse entre nós um certo sabor a vingança de adolescência (no nosso tempo, nas nossas circunstâncias, era o género de programa que não conseguíamos fazer). E foi mesmo confortável (sim, confortável – porque foi bom e me deixou confortado).
Parece que o Cinema Batalha vai reabrir. Fico contente. Mas eu hoje já lá «regressei». E voltou a ser confortável.

#Saladeestar