segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O livro de Cavaco

Escrevesse o que escrevesse, revelasse o que revelasse, fosse qual fosse o momento escolhido, os críticos seriam os mesmos, com o mesmo tom de desdém e os mesmos preconceitos de 30 anos.
A dada altura, tentava perceber como Cavaco se afirmou apesar deste ambiente adverso e de casta. Hoje, ironicamente, cada vez mais acho que foi por causa desse ambiente que Cavaco se fez.

E olhem que é pena não se libertarem dos vetustos preconceitos. É que é essencial para compreenderem o homem que os portugueses escolheram mais vezes, mais massivamente e por mais tempo. E sempre em democracia e liberdade (convém lembrá-lo, não vá o preconceito ignorá-lo).

#Escritório

A pior segunda-feira do ano está a chegar

Costumo gostar mais das sextas-feiras. Por muito cansado que chegue ao fim-de-semana, eu gosto das sextas-feiras.
Mas há semanas em que as sextas-feiras são piores que as segundas. E quem diz as segundas, diz as terças ou as quartas. Das quintas já não digo o mesmo (talvez seja dos tempos da «noite da mulher» – que por regra eram às quintas – mas a verdade é que das quintas gosto).
Esta semana, por exemplo, sexta-feira vai ser segunda. Mas não uma segunda-feira qualquer. Vai ser daquelas segundas-feiras em que não queremos mesmo sair da cama.
Entre máscaras e mascarinhas, birras e birrinhas, (e chuva, costuma haver chuva!), já fui avisado, a todo o transe e com a ansiedade nos píncaros, que esta sexta-feira vai ser segunda.
Vem aí a minha pior segunda-feira do ano: a sexta-feira de Carnaval na escola …

#Saladeestar

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

A liberdade e os jornalistas

Naturalmente que os jornalistas são pessoas como quaisquer outras, com ideias, com clubes, com relações sociais e familiares. E não será exigível que se dispam totalmente dessas suas filiações "emocionais" (chamemos-lhes assim). Já não se compreende que uma manchete, uma denúncia, uma chamada de primeira página, uma crítica ao óbvio, o tom mais ou menos grave, sejam contidos (ou até negados) por submissão àquelas filiações "emocionais".

Para mim – consumidor e leitor – não é tanto um problema de alinhamento à direita ou à esquerda. É mesmo um problema de espírito crítico, de exigência e, no fundo, de jornalismo.

São poucos – cada vez menos e mais contados – os que se rebelam contra o seu próprio espartilho e cumprem o seu papel. A cada polémica, a cada embaraço à esquerda ou à direita, é vê-los, dependendo do alinhamento, com olhos mansos ou mesmo tolhidos, ou agressivos senão esbugalhados.

Estes episódios à volta da Caixa e de Mário Centeno, como ontem o dos swaps com Maria Luis Albuquerque, ou mesmo os anúncios governamentais de resultados macroeconómicos (seja qual for o governo ou conjuntura), são bem elucidativos de quão desinteressante e condicionada é, por regra, a cobertura jornalística. Uns adiam as notícias e ignoram o óbvio. Outros exploram com clamor e exagero. E, depois, há um enorme défice de análise crítica dos dados anunciados por cada governo (seja sobre o défice, sobre o desemprego, sobre o crescimento ou sobre a dívida e os juros).
A quase todos, em algum momento, parece faltar o distanciamento que se espera do profissional com carteira de jornalista.
Tendencialmente, os jornalistas têm de ser incómodos e exigentes com o poder. Um bom entrevistador ou repórter é aquele que faz perguntas difíceis. Um director de jornal não tem por que fugir ou promover manchetes favoráveis ao poder. Mas tem de gerar a confiança de que a manchete é crítica e rigorosa.

Podem faltar investidores e recursos financeiros ao jornalismo. Mas o que não pode faltar é sentido crítico e genuína independência. É certamente um problema de credibilidade. Mas é antes um problema de liberdade. E às tantas nem se apercebem disso.

#Saladeestar
#Escritório

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Dia dos namorados

Ah, para mim é dia dos namorados todos os dias … (que bonito e que sorte tem a vossa cara metade ...).
Esqueçam. Posso não ligar nada ao dia dos namorados. Mas também não é todos os dias, que isso seria um inferno de monotonia e canseira.

#Saladeestar

Programa a dois

14 de Fevereiro de 2015

Andava há meses a adiar. «Quando vamos os dois», perguntava-me frequentemente.
E eu dizia-lhe sempre que havíamos de ir, que tínhamos de ir, que ia ser mesmo bom.
A cada interpelação – quando vamos os dois? – eu apimentava-lhe a vontade com histórias de conquistas gloriosas, com memórias incríveis e relatos de façanhas quase impossíveis.
«Temos de ir, temos de ir», respondia-lhe sempre a terminar. Vou combinar.
Tinha que ser num sábado, sem pressão, só nós os dois e mais ninguém a chatear. E havia de ser com todo o tempo do mundo. Para nos dedicarmos com o vagar e a devoção justa.
Chegou o dia. Até estava a chuviscar. Era o tempo a recomendar-nos especialmente o programa a dois. Aquele programa a dois.
Saímos de casa, despedimo-nos como quem vai para um mundo à parte, e lá fomos os dois. Só nós os dois, com todo o tempo do mundo.
Gostámos os dois de tudo! Dedicámo-nos os dois a tudo! E confirmámos que ali está o que gostamos mais que tudo!
A mim coube-me explicar mais, mas nem por isso os olhos me deixaram de brilhar. Sim. Brilhavam-nos os olhos. Ríamo-nos os dois pelas conquistas ali testemunhadas. Víamos e revíamos (vivíamos!) as tais histórias de conquistas gloriosas, as memórias incríveis e as façanhas quase impossíveis.
Cada um de nós os dois trouxe consigo o que quis. Do meu lado, comoveu-me perceber a nossa sintonia – a comunhão quase química de interesses. Queríamos ver as mesmas coisas. Queríamos estar mais tempo nos mesmos sítios.
Que bela tarde no Museu do F. C. Porto com o meu filho!


#Jardim

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

E que passem dez iguais

A minha convicção de que a luta pela causa da vida justifica o meu compromisso e testemunho, não esmoreceu.
Podem ter sido dez anos de aborto livre. Podem ter sido dez anos de quase silêncio. Podem fazer-se balanços com dados mais ou menos objectivos, mais ou menos animadores.
Quanto a mim continuo a achar que não há aborto bom e aborto mau. Se o aborto clandestino é mau – sempre o denunciei – o aborto nos hospitais não é bom (nunca pode ser!).
As reincidências – nuns impressionantes 30% – estão a diminuir? Ainda bem.
Não há notícia de mulheres vítimas de aborto? Ainda bem.
Não tem aumentado o número de abortos? Ainda bem.
O problema é que a vida de cada um daqueles bebés – e são muitos – não se mede em números ou estatísticas. São vidas inocentes. Que mancham qualquer estatística.
E nestes dez anos? A quantas mulheres grávidas foi prestado auxílio? A quantas crianças e famílias em dificuldades foi dada uma mão? Qual o investimento do Estado e da sociedade no apoio à maternidade?
Era nessa «estatística» que valia a pena investir!
Porque a vida vale sempre a pena!
Passaram dez anos?
E que passem dez iguais.
Porque cada dia

Eu te quero mais.

#Escritório
#Jardim

E porque me apetece


#Salaodevisitas