quinta-feira, 2 de março de 2017

Imbecil

É preciso ser muito fraco para defender e inventar (inventar parece-me ser o termo) razões (razões já não me parece ser o termo) para justificar (justificar também não me parece ser o termo) a enormidade que é as mulheres receberem menos que os homens por igual trabalho.

Mas essa do "mais fracas" é demasiado fraca (fraca talvez nem seja o termo). É sobretudo imbecil (imbecil parece-me mais o termo).

#Saladeestar

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

A pé

- Que sorte poderes ir a pé para o escritório.
- Sim. É bom. E eu gosto de andar a pé. Conhecem-se as ruas ao pormenor. As fachadas, os portões, as campainhas. Os passeios, as árvores, os lampiões. As sombras, as marcas e os sons. E as pessoas, claro.
Podemos fazer o mesmo percurso milhares de vezes que há sempre alguma novidade.
- Que sorte …
- Sim. Mas sorte não é bem o termo. Há sempre um mas.
- Não vais dizer que andar de carro também é melhor. E dispenso esse lugar comum de que sabe bem ouvir rádio e que no carro temos o «nosso mundo» que ninguém perturba...
- Não. Também podes criar esse teu mundo quando andas a pé. O problema de andar a pé é que eu só o consigo fazer de duas maneiras. Ou atento ou distraído. E nenhuma delas é perfeita.
- Não inventes. Nem compliques.
- Não tem a ver com isso. Quando vou atento temo sempre que me caia qualquer coisa na cabeça. Tanto pode ser uma pinga pelo colarinho no justo momento em que vou a passar (que é tão tolerável como irritante) como pode ser outra coisa qualquer. Há sempre alguma fachada com andaimes. E se reparares bem a segurança daquilo é muito duvidosa. É por isso que vou sempre o mais de fora do passeio possível.
- Então tenta distraíres-te.
- Também não serve. Queres ver? Ontem, pela milésima vez (talvez centésima, não exageremos), voltei a ser sobressaltado. No mesmo portão de sempre. O mesmo cão de sempre. O mesmo susto estúpido de sempre. Que para mais, com o salto ridículo que dei, fui aterrar directamente no dejecto do passeio. Não sei de que cão, mas o cheiro … também era o de sempre.


#Saladeestar

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Outra estatística

O Paulo Baldaia, director do DN, vem hoje em defesa do trabalho do Público, dirigido pelo David Dinis, a propósito da insuspeita oportunidade jornalística da «investigação» sobre a não publicação das estatísticas das transferências para offshores. Serve esse exercício do Paulo Baldaia para alertar para o problema dos factos «criados» pelos comentadores que contrastam com os factos reais. No caso, o facto «criado» seria a acusação de que a notícia da semana passada era uma repetição da que foi publicada há um ano. O facto real, segundo o Paulo Baldaia (e secundado, entretanto, e naturalmente, pelo David Dinis) era o de que os 10.000 milhões de euros cuja não publicação das estatísticas era agora noticiada, acrescia à não publicação também noticiada há um ano (creio que é mais ou menos isto).
Louvo-lhe o gesto ao Paulo Baldaia (como concorrente, fica-lhe bem), mas não sei se o acompanho, isto é, não estou certo de que seja essa a denúncia mais relevante a fazer. Quer dizer, eu percebo e também me insurjo contra esta «criação» permanente de factos que depois não são comprovadamente verdadeiros (e ainda estou para saber se este caso até será o melhor exemplo para o exercício de denúncia do Paulo Baldaia). Para mim – simples leitor, simples interessado e ainda mais simples cidadão que não desiste de distinguir os comentadores dos jornalistas – muito mais grave que os não factos criados por essa turba de comentadores são os factos sugeridos em peças jornalísticas que, reconhecidamente não são verdadeiros, mas que passam subliminarmente.
Eu explico.
Neste caso em que se noticia a não publicação de estatísticas – sublinho, de estatísticas – passa quase despudoradamente a ideia de que a notícia real é a de que foram transferidos, à margem da lei, 10.000 milhões de euros para offshores. Os mais distraídos e permeáveis ao «spin» até ficam com a ideia que esses muitos milhares de milhões foram transferidos por ordem do então Secretário de Estado. Ou que foram transferidos sem comunicação à Autoridade Tributária. Ou que não foram inspeccionados pela Autoridade Tributária por ordem do Secretário de Estado. Ou que já nem podem ser inspeccionados (singrando a ideia de que a Autoridade Tributária sindica tudo ao minuto). Ou mesmo que esses 10.000 milhões correspondem a receita que deveria ser do Estado (daí as comparações com o orçamento do SNS).
Ora convém dizer que o que está em causa – e não estou a desvalorizar, estou apenas a hierarquizar – é a publicação ou não publicação de estatísticas. E desse facto não depende nem dependeu ao longo dos últimos 4 anos (era só o que faltava!) o trabalho da Autoridade Tributária de verificação e de correcção, se for o caso.

Por estes dias já não sei quantas vezes discuti sobre este caso – ao ponto de me ter de esforçar para lá do normal porque não queriam acreditar em mim. Nenhum dos meus interlocutores achava que o problema estava na alegada não autorização de publicação de estatísticas. Todos – todos mesmo – achavam que era um caso de receitas de impostos que fugiram para offshores e que o Secretário de Estado deu ordens à Autoridade Tributária para não investigar.

Mais grave que os não factos criados pelos comentadores são os não factos sugeridos pela hiperbolização jornalística da gravidade de factos que, desse modo, se tornam mais apelativos. Eu percebo o esforço na criação do embrulho (Offshores! Secretário de Estado não autorizou a AT!), mas ele não pode ir ao ponto de «criar» factos na cabeça (ou no subconsciente) do público.


O exemplo desta «investigação» do Público é um bom mau exemplo do que aqui denuncio. Mas há muitos mais. Ainda me hei-de dedicar a essa «outra estatística».

#Escritório

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Nosso

Cada ponto, cada defesa, cada golo, é nas bancadas que têm nascido. Quem foi a Guimarães, há 15 dias, ou hoje ao Bessa, sabe bem o que estou a dizer. Queremos mesmo. E merecemos mesmo. Que seja nosso.

#Saladejogos

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Custa-me isto

1. Alex Telles? Parou-lhe o cérebro, que se há-de fazer...
2. Até fomos defendendo benzinho. Mas foi mesmo só isso. E o jogo não tem só 70 minutos.
3. Não me revi nada, mesmo nada na equipa, na estratégia, até no 11 e nas substituições. Tolhidos e na retranca. Se foi medo vão ter medo para casa que o Porto fez-se justamente por não temer os favoritos e poderosos.
4. Por que raio não jogamos com a nossa malha original?? Detesto esta modernice do equipamento alternativo!
5. Não me apetece falar do árbitro, até porque antes da brincadeira do Telles já eles abusavam da nossa timidez. Mas ao contrário ficava um aviso no lugar do segundo amarelo.
6. Se soubessem como me custam estes momentos... ainda para mais a Juventus...


#Saladejogos

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Leonardo Jardim e Bernardo Silva

Há qualquer coisa de especial no triunfo das não vedetas.
Não sei se é mais merecido ou mais justo. Mas sabe melhor (ou sabe-me melhor). Talvez seja por me sentir mais próximo e identificado.
A simplicidade de Bernardo Silva e de Leonardo Jardim (duas não vedetas cujo génio já brilha sem disfarce) são dois bons exemplos.
Ambos apareceram sem anúncio, sem parangonas e sem padrinhos. E ambos se exibem sem deslumbramento e sem filtros, para nosso deleite.
Merecem todas as «bocas abertas» que se espalham por esse mundo fora.

#Saladejogos

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Quotas nas cotadas já

A conversa das quotas - que sempre evitei por delas discordar - tem um reverso de que demasiado tarde me dei conta.
Eu sempre achei - e continuo a achar como ideal - que o caminho é o do mérito. E sendo assim, a introdução de quotas é um entorse sem sentido.
O problema deste meu ideal é que ele só serve, ou só tem servido, para barrar ou para justificar as promoções das mulheres. Há uma quase presunção de mérito nas promoções "deles" de que não gozam, por regra, as "delas". A verdade, contudo, é que quando olho às elites que "nos governam" (empresariais e não só) vejo lá muitos que não passaram pelo tal crivo do mérito. Reconheço-lhes os "méritos" mas neles nem sempre identifico o mérito. E se é assim - porque é muitas vezes - não verto uma lágrima pelo fim, à força, dessa desigualdade.
Como imaginam, não falo em causa própria (e também não estou a testar a minha "cotação"). Mas sinceramente (talvez infelizmente) a notícia de hoje de que as quotas imporão nomeações de mulheres nas sociedades cotadas é "bem feita".

#Escritório