quarta-feira, 15 de março de 2017

Vamos mas é ao que agora interessa

1. Não sou de vitórias morais. Perdemos. Não posso estar contente.
2. Batemo-nos com brio, com intensidade e sem medo. Não chega mas eu valorizo quando é assim.
3. Em dificuldades pouco sobrou. Mas apesar delas não nos encolhemos e batemo-nos 90 minutos como equipa organizada.
4. A simbiose entre as bancadas e o campo, entre a equipa e os adeptos, vai para lá deste jogo. Sente-se e ouve-se. Em qualquer estádio. Revejo-me nesta entrega.
5. Há uma certa fome que fica deste jogo. Parece-me um bom tónico para o que se segue. Já no domingo, que é o que agora interessa.

#Saladejogos

terça-feira, 14 de março de 2017

4 anos com Francisco

Devo aos Papas da minha vida – três até agora – muito do que quero ser e do que procuro fazer.
Ao fervor e desamparo de João Paulo II, seguiu-se a profundidade simples e desarmante de Bento XVI que, depois, num impulso de surpresa e humildade, cedeu o seu lugar ao maravilhoso Francisco.
Por militância, pela fé, pela comunhão espontânea, afeiçoo-me aos meus Papas. E mesmo a orfandade (quase desorientação) que experimentei, em 2005 e 2013, naqueles períodos que se seguiram à morte e renúncia dos Papas, sempre culminaram com a alegria do «fumo branco» na Capela Sistina.
No caso de Francisco impressiona-me – interpela-me, talvez seja o termo – a capacidade de apelar a todos. Aos «seus», naturalmente. Mas a todos os de «boa vontade», como gosta de dizer.
Não é um exercício fácil o que Francisco nos tem exibido. Também não é isento de dúvidas. E muito menos é cómodo. Mas é o seu e, por isso, é o nosso. E, estou certo, é seguramente aquele de que a Igreja precisa.
Como desde a primeira hora me pediu, rezo por ele todos os dias. Há já 4 anos!


#Jardim

segunda-feira, 13 de março de 2017

Imaginem que estupidez

Imaginem um cidadão.
Imaginem que esse cidadão não é político nem tem qualquer cargo que possa ser confundido com um cargo político.
Imaginem que esse cidadão é advogado (mas podia ser economista ou engenheiro).
Imaginem que é um daqueles advogados deontologicamente cumpridor (não vamos agora discutir o que quererá isso dizer).
Imaginem, depois, que é um advogado que se dedica predominantemente a questões de fiscalidade ou, se preferirem, de impostos.
Imaginem, portanto, que esse advogado patrocina pessoas singulares e empresas contra a Autoridade Tributária e Aduaneira.
Imaginem, ainda, que esse advogado gosta de representar interesses legítimos de clientes relevantes, com casos complexos e interessantes que, portanto, lhe dão mais conhecimento e experiência. Às vezes lá consegue, tantas vezes nem por isso.
Imaginem, finalmente, que esse advogado trabalha numa grande sociedade de advogados, depois de já ter trabalhado numa consultora (se fosse um engenheiro ou um economista, talvez trabalhasse numa grande empresa de comunicações, de energia ou de distribuição alimentar).
Ah – desculpem – imaginem, já agora, que esse advogado vive dos rendimentos desse seu trabalho.
Imaginem, num último momento, que esse cidadão e advogado (ou engenheiro ou economista) é convidado para um cargo político com potencial exposição mediática.
Imaginem a estupidez que seria ele aceitar…

PS.1 Estão a conseguir transformar o exercício de cargos públicos num impulso de estupidez.
PS.2 O debate à volta dos impedimentos, das incompatibilidades, da revelação dos interesses (anteriores e posteriores), por parte dos titulares dos cargos públicos, é da maior relevância. Mas está demagógica e dolosamente contaminado.

PS.3 Para que não subsistam dúvidas, eu defendo – imaginem – no ministério das finanças alguém com experiência em orçamento e finanças, no ministério da defesa quem perceba de defesa e de relações internacionais, na justiça quem tenha experiência e conheça o quadro de actuação dos operadores judiciários, no ambiente quem tenha experiência e perceba de energia e ambiente, e por aí fora. E, sim, na secretaria de estado dos assuntos fiscais, alguém que perceba de impostos e que não caia lá de paraquedas sem qualquer experiência. Isso implica enfrentar dificuldades em matéria de incompatibilidade e impedimentos? Sem dúvida. Mas essas dificuldades não se resolvem no terreno da fulanização demagógica.

#Escritório

quinta-feira, 2 de março de 2017

Imbecil

É preciso ser muito fraco para defender e inventar (inventar parece-me ser o termo) razões (razões já não me parece ser o termo) para justificar (justificar também não me parece ser o termo) a enormidade que é as mulheres receberem menos que os homens por igual trabalho.

Mas essa do "mais fracas" é demasiado fraca (fraca talvez nem seja o termo). É sobretudo imbecil (imbecil parece-me mais o termo).

#Saladeestar

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

A pé

- Que sorte poderes ir a pé para o escritório.
- Sim. É bom. E eu gosto de andar a pé. Conhecem-se as ruas ao pormenor. As fachadas, os portões, as campainhas. Os passeios, as árvores, os lampiões. As sombras, as marcas e os sons. E as pessoas, claro.
Podemos fazer o mesmo percurso milhares de vezes que há sempre alguma novidade.
- Que sorte …
- Sim. Mas sorte não é bem o termo. Há sempre um mas.
- Não vais dizer que andar de carro também é melhor. E dispenso esse lugar comum de que sabe bem ouvir rádio e que no carro temos o «nosso mundo» que ninguém perturba...
- Não. Também podes criar esse teu mundo quando andas a pé. O problema de andar a pé é que eu só o consigo fazer de duas maneiras. Ou atento ou distraído. E nenhuma delas é perfeita.
- Não inventes. Nem compliques.
- Não tem a ver com isso. Quando vou atento temo sempre que me caia qualquer coisa na cabeça. Tanto pode ser uma pinga pelo colarinho no justo momento em que vou a passar (que é tão tolerável como irritante) como pode ser outra coisa qualquer. Há sempre alguma fachada com andaimes. E se reparares bem a segurança daquilo é muito duvidosa. É por isso que vou sempre o mais de fora do passeio possível.
- Então tenta distraíres-te.
- Também não serve. Queres ver? Ontem, pela milésima vez (talvez centésima, não exageremos), voltei a ser sobressaltado. No mesmo portão de sempre. O mesmo cão de sempre. O mesmo susto estúpido de sempre. Que para mais, com o salto ridículo que dei, fui aterrar directamente no dejecto do passeio. Não sei de que cão, mas o cheiro … também era o de sempre.


#Saladeestar

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Outra estatística

O Paulo Baldaia, director do DN, vem hoje em defesa do trabalho do Público, dirigido pelo David Dinis, a propósito da insuspeita oportunidade jornalística da «investigação» sobre a não publicação das estatísticas das transferências para offshores. Serve esse exercício do Paulo Baldaia para alertar para o problema dos factos «criados» pelos comentadores que contrastam com os factos reais. No caso, o facto «criado» seria a acusação de que a notícia da semana passada era uma repetição da que foi publicada há um ano. O facto real, segundo o Paulo Baldaia (e secundado, entretanto, e naturalmente, pelo David Dinis) era o de que os 10.000 milhões de euros cuja não publicação das estatísticas era agora noticiada, acrescia à não publicação também noticiada há um ano (creio que é mais ou menos isto).
Louvo-lhe o gesto ao Paulo Baldaia (como concorrente, fica-lhe bem), mas não sei se o acompanho, isto é, não estou certo de que seja essa a denúncia mais relevante a fazer. Quer dizer, eu percebo e também me insurjo contra esta «criação» permanente de factos que depois não são comprovadamente verdadeiros (e ainda estou para saber se este caso até será o melhor exemplo para o exercício de denúncia do Paulo Baldaia). Para mim – simples leitor, simples interessado e ainda mais simples cidadão que não desiste de distinguir os comentadores dos jornalistas – muito mais grave que os não factos criados por essa turba de comentadores são os factos sugeridos em peças jornalísticas que, reconhecidamente não são verdadeiros, mas que passam subliminarmente.
Eu explico.
Neste caso em que se noticia a não publicação de estatísticas – sublinho, de estatísticas – passa quase despudoradamente a ideia de que a notícia real é a de que foram transferidos, à margem da lei, 10.000 milhões de euros para offshores. Os mais distraídos e permeáveis ao «spin» até ficam com a ideia que esses muitos milhares de milhões foram transferidos por ordem do então Secretário de Estado. Ou que foram transferidos sem comunicação à Autoridade Tributária. Ou que não foram inspeccionados pela Autoridade Tributária por ordem do Secretário de Estado. Ou que já nem podem ser inspeccionados (singrando a ideia de que a Autoridade Tributária sindica tudo ao minuto). Ou mesmo que esses 10.000 milhões correspondem a receita que deveria ser do Estado (daí as comparações com o orçamento do SNS).
Ora convém dizer que o que está em causa – e não estou a desvalorizar, estou apenas a hierarquizar – é a publicação ou não publicação de estatísticas. E desse facto não depende nem dependeu ao longo dos últimos 4 anos (era só o que faltava!) o trabalho da Autoridade Tributária de verificação e de correcção, se for o caso.

Por estes dias já não sei quantas vezes discuti sobre este caso – ao ponto de me ter de esforçar para lá do normal porque não queriam acreditar em mim. Nenhum dos meus interlocutores achava que o problema estava na alegada não autorização de publicação de estatísticas. Todos – todos mesmo – achavam que era um caso de receitas de impostos que fugiram para offshores e que o Secretário de Estado deu ordens à Autoridade Tributária para não investigar.

Mais grave que os não factos criados pelos comentadores são os não factos sugeridos pela hiperbolização jornalística da gravidade de factos que, desse modo, se tornam mais apelativos. Eu percebo o esforço na criação do embrulho (Offshores! Secretário de Estado não autorizou a AT!), mas ele não pode ir ao ponto de «criar» factos na cabeça (ou no subconsciente) do público.


O exemplo desta «investigação» do Público é um bom mau exemplo do que aqui denuncio. Mas há muitos mais. Ainda me hei-de dedicar a essa «outra estatística».

#Escritório

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Nosso

Cada ponto, cada defesa, cada golo, é nas bancadas que têm nascido. Quem foi a Guimarães, há 15 dias, ou hoje ao Bessa, sabe bem o que estou a dizer. Queremos mesmo. E merecemos mesmo. Que seja nosso.

#Saladejogos