Sob o ponto de vista político estou demasiado distante de Rui Rio.
Do que lhe conheço e ouvi sobre a organização do Estado, sobre o sistema judicial, sobre o pluralismo e o funcionamento das instituições democráticas, sobre a cultura (não apenas a cultura democrática, mas também a propriamente dita), sobre os costumes e os valores, sobre a mundividência, a visão e a postura na política, estou, repito, demasiado distante de Rui Rio.
Seria (será?) uma péssima escolha para a liderança do PSD.
#Escritório
terça-feira, 3 de outubro de 2017
Bom som
Estou, em modo repeat, quase refém desta música. Há mais ou menos uma semana. Há sons piores.
Aproveitem que é muito bom.
#Saladeestar
Aproveitem que é muito bom.
#Saladeestar
segunda-feira, 2 de outubro de 2017
As autárquicas de 2017 e o CDS
Sob o ponto de vista autárquico o CDS não é tradicionalmente um dos partidos da alternância (como são o PS e o PSD). O que quer dizer que o CDS só alcança a vitória em dois tipos de concelhos - naqueles em que o PS é pouco representativo (em que portanto os dois partidos da direita disputam entre si a liderança), ou naqueles em que é o PSD que se «acanha». É nos primeiros - naqueles em que o PS não é tão representativo - que o CDS vem fazendo o seu caminho rumo à recuperação do peso autárquico de que precisa (e que merece, acrescento eu). É assim em Ponte de Lima. É assim em Santana, na Madeira, como é assim em Vale de Cambra, em Albergaria a Velha e em Oliveira do Bairro (a nova conquista). Velas, nos Açores, é mesmo a excepção, onde a disputa, por razões muito locais, é com o PS.
Esta circunstância - e outras a que me referirei já - são a primeira advertência para as dificuldades que o CDS sempre terá neste tipo de eleições. É que um partido como o PS dificilmente deixa de assegurar níveis de representação entre os 20-25%, o que reduz o espaço de partilha à direita e sugere que esse espaço se preencherá em progressão (passando pelo PSD antes de chegar ao CDS). Porque o eleitorado ainda oferece alguma resistência à flutuação «per saltum» (o que à direita do PS beneficia o PSD em detrimento do CDS, sem lugar a ponderações de mérito). Há ainda que reconhecer o peso da tradição, do hábito, do voto por defeito. Também aí, entre o CDS e o PSD, é este que mais sai favorecido. Talvez o peso da tradição mereça uma expressão própria - corresponde ao voto de «manifestação standard» (inventei agora a expressão). O que é que isto quer dizer? Basicamente que quando o PS está no poder e um eleitor pretende mudar, o seu instinto vira-se para o PSD. Ou quando esse eleitor quer premiar ou reforçar a oposição, identifica-a com o PSD, antes do CDS. A primeira imagem de incumbente, de alternativa, de oposição, ainda beneficia o PSD, antes do CDS. E esta «tradição» acrítica é muito difícil de alterar.
Ora, é a esta luz que os resultados de ontem são extraordinários para o CDS. O primeiro exemplo, o mais representativo e também mais difícil, é Lisboa. O feito da Assunção Cristas - sublinho «o feito» - é extraordinário a todos os títulos. Ela conseguiu, sem margem para dúvidas, conquistar o lugar da alternativa ao PS. É a segunda força política no concelho. Com mais de 20% dos votos e com 4 vereadores eleitos.
Mas há mais resultados muito relevantes para o CDS. Bem sei que haverá especificidades locais (cisões, «faltas de comparência» do PSD», alguma fulanização de protagonistas «superiores» ao próprio partido, candidaturas independentes). Mas há um padrão na extensão do peso autárquico do CDS.
Se olharmos à Covilhã vemos o CDS com uns expressivos 15% (pena a fidelidade da Covilhã ao PS, porque o arrojo, a coragem e a qualidade do Adolfo fariam bem à sua terra). Se olharmos a Nelas, vemos o CDS com 25% e como segunda força política no concelho. Os mesmos 25% que vemos no CDS em Lamego. E vale a pena revisitar Ponte de Lima, onde a esmagadora maioria absoluta se alcança apesar de uma cisão no próprio CDS (que, a julgar pelos eleitores locais, foi bem dirimida a nível nacional pelo partido). E com esta referência regresso a Lisboa e a Assunção Cristas. É tão dela esta jornada eleitoral do Partido! Foi ela que deu o mote, quando sem receio, com enorme risco mas com evidente vontade (conta tanto a vontade!) anunciou a sua própria candidatura a Lisboa. Esse impulso de coragem política foi essencial, como se demonstrou. E foi justamente premiado.
Uma nota final para o meu Porto. O CDS não se apresentou «directamente» a eleições. Teve, no entanto, uma participação relevante e elegante (sublinho elegante) na candidatura vencedora. Merece totalmente a representação que terá na Câmara Municipal, na Assembleia Municipal e nas Juntas de Freguesia.
PS. Como é próprio nas eleições locais, em alguns concelhos as coisas não correram nada bem, com a perda de mandatos (designadamente onde «dói mais» que é na vereação) e com candidaturas e campanhas muito aquém do esperado e exigível. Mas mantenho, ainda assim, a leitura global muito favorável.
#Escritório
E no Porto?
1. Ganhou Rui Moreira. Foi justo e importante. Tenho a certeza que o mandato será melhor que o discurso de vitória.
2. Há qualquer coisa que eu não percebi na vitória de Manuel Pizarro. Escapou-me. Mas lá que o discurso foi empolgado, isso foi.
3. Álvaro Almeida teve a serenidade e a postura que não lhe conheci quando se apresentou. Na reação aos resultados contrastou com o fraquíssimo resultado.
4. Há muita gente de parabéns. Muita gente de que gosto muito. E há agora projectos e ideias a cumprir. A bem do Porto!
#Escritório
#Salaodevisitas
O PSD ...
Lisboa, Porto, Gaia, Matosinhos, Oeiras, Gondomar. Isolo estes municípios, mas podia continuar a discorrer. Estamos a falar de grandes cidades, nas duas áreas metropolitanas. Onde, portanto, há mais eleitores.
Os resultados do PSD em cada um destes concelhos é absolutamente humilhante. Não estamos a falar de um caso isolado, de uma especificidade local (que as haverá), ou de uma má escolha. Não. É mesmo um padrão. Um partido que desiste - porque desistiu - de disputar muitos dos mais relevantes (em número de eleitores e em mandatos) municípios, revela falta de visão, falta de sentido (ou de razão de ser) e, no fundo, desorientação.
Não é bom sinal. E a distância para a infidelidade (que ainda não se manifesta completamente), a falta de hábito (há ainda algum voto por defeito e por preconceito), e para a mudança para outras paragens, é muito curta. E talvez seja justo.
#Escritório
sexta-feira, 29 de setembro de 2017
Em reflexão
Estamos confinados ao concelho em que residimos
por ser esse o critério de «conexão eleitoral». Sucede que muitas vezes –
especialmente nas áreas metropolitanas – essa circunstância remete-nos para o
terreno da indiferença.
Não é o meu caso – que nasci, vivo e trabalho no
Porto, pelo que sou eleitor no concelho com o qual me acho «ligado». Mas conheço
imensos exemplos de «vítimas» daquele critério único de conexão eleitoral.
Alguém que tenha nascido no Porto (podia também
usar o exemplo de Lisboa), tenha vivido grande parte da sua vida no Porto, tenha
estudado no Porto, tenha agora os seus filhos a estudar no Porto e trabalhe no Porto,
seria no Porto que, muito provavelmente, gostaria de votar. Mas se essa mesma
pessoa comprou um apartamento na Maia onde se «deita» à noite, é na Maia que pode
«deitar» o seu voto (em vez da Maia podia usar o exemplo de Gaia ou de
Matosinhos).
Não interessa invocar que o concelho que
conhece bem é o Porto, que sabe quais são, onde são e como são as suas
freguesias, as suas qualidades e carências, os seus protagonistas associativos
e políticos. Não interessa invocar que mal conhece a Maia, as suas freguesias, os
seus protagonistas associativos e políticos locais. Pois repito. Se comprou um
apartamento na Maia onde se «deita» à noite, é na Maia que pode «deitar» o seu
voto.
Há uns anos – no tempo em que o cartão do cidadão
e o NIF não estavam tão oleados (sempre o sistema da AT a provocar estragos) – ainda
era possível manter o recenseamento eleitoral, não obstante a mudança de concelho
de residência. Hoje, entre IMI’s e IMT’s, registos e registinhos, nada passa ao
«sistema» e estamos mesmo «obrigados» a estar recenseados eleitoralmente no concelho
de residência.
Eu conheço muito boa gente
que não tem vontade de votar porque não vota onde, justificadamente, tinha
vontade de votar. Sei bem que não é um tema de resolução fácil, mas talvez
valesse a pena pensar nisto. Até porque – e esta é uma última nota – podemos
estar em presença de um fenómeno socialmente pouco saudável. As cidades onde
este tema é mais relevante (Lisboa e Porto) são suficientemente grandes para
que este condicionamento eleitoral não assuma uma expressão excessiva. Mas no limite
há aqui uma «depuração» do universo eleitoral – a reboque, ou como consequência
dos constrangimentos do mercado imobiliário – que mereceria reflexão.
#Escritório
quinta-feira, 28 de setembro de 2017
União das freguesias
- E tu, em que freguesia votas? Na União das Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória, na União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde ou na União das freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos?
- Quer dizer, eu nasci na União das Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória, morava na União das freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos, mas agora moro na União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde.
- Mas então onde votas?
- No Porto.
- Mas onde? Na União das Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória, na União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde ou na União das freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos?
- Ah, desculpa. Voto na União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde.
Não sou só eu a achar esta coisa da «União das Freguesias de …» uma canseira, pois não?
#Saladeestar
Subscrever:
Mensagens (Atom)