segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Rogério Martins

Recebeu-nos em sua casa. A nós, uns miúdos. Ainda que mais curiosos que deslumbrados. Com alguma presunção de pertinência e conhecimento. E com o interesse e a educação de quem quer aproveitar e sabe estar. Mas uns miúdos com vinte e poucos anos.
Não era o primeiro jantar. Já não sei se não terá sido o último (pelo menos daqueles em que participei).

O nome de Rogério Martins, do Engenheiro Rogério Martins, transportava-me para a política de indústria, antes do mais, e para os primeiros tempos de Sá Carneiro como Primeiro-Ministro (tempos gloriosos, aos nossos olhos). A ideia de conversarmos com um dos homens por trás do mito era suficientemente sedutora. Mas não era só isso. E não foi só isso. Quem conhece (já quase ninguém conhece) a vida e a história de Rogério Martins sabe bem que teve uma vida cheia, densa e que deixou rasto.
Guardo daquele jantar várias ideias. Uma das quais – talvez a mais relevante – a de que as luzes da ribalta são uma ilusão absolutamente transitória. E porque é assim – esta é a segunda ideia – vale a pena saber ser humilde mesmo no exercício das mais elevadas responsabilidades ou de cargos com especial influência e consequência. E depois – terceira ideia que guardo – não há azedume, ressentimento ou desilusão que abale o regresso ao «anonimato» – porque, no fundo, quando não houve presunção não deixará de haver serenidade e bonomia no período justo do recolhimento. A conversa não foi bem sobre isto (foi mais sobre política e episódios vividos). Mas, afinal, foi também sobre isso.
Naquela abertura para conversar connosco, para mais recebendo-nos em sua casa, estava um modo de vida. Não sei se algum de nós (Gonçalo MatiasGonçalo Veiga De MacedoPedro VelezFrancisco Pereira Coutinho, David Oliveira Festas, Manuel Gil Fernandes) lhe agradeceu devidamente. Eu não. E já não vou a tempo.



#Saladeestar

#Escritório
#Jardim

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Independemente da Catalunha


Sinto-me completamente inabilitado para comentar, com um mínimo de profundidade, o que se está a passar na Catalunha.
Mas não resisto a fazer um pequeno comentário lateral (que é independente – «independente» sem conotação – da disputa ou da crise Catalã).
A minha simpatia ou distanciamento face a uma determinada luta pela autodeterminação de uma região não depende de os líderes ou movimentos pela autodeterminação serem de esquerda ou de direita ou, se quiserem, de a perspectiva do Estado cuja independência se disputa, vir a ser um Estado, social e politicamente, à esquerda ou à direita.


#Escritório

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Rui Rio

Sob o ponto de vista político estou demasiado distante de Rui Rio.
Do que lhe conheço e ouvi sobre a organização do Estado, sobre o sistema judicial, sobre o pluralismo e o funcionamento das instituições democráticas, sobre a cultura (não apenas a cultura democrática, mas também a propriamente dita), sobre os costumes e os valores, sobre a mundividência, a visão e a postura na política, estou, repito, demasiado distante de Rui Rio.
Seria (será?) uma péssima escolha para a liderança do PSD.

#Escritório

Bom som

Estou, em modo repeat, quase refém desta música. Há mais ou menos uma semana. Há sons piores.


Aproveitem que é muito bom.

#Saladeestar

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

As autárquicas de 2017 e o CDS

Sob o ponto de vista autárquico o CDS não é tradicionalmente um dos partidos da alternância (como são o PS e o PSD). O que quer dizer que o CDS só alcança a vitória em dois tipos de concelhos - naqueles em que o PS é pouco representativo (em que portanto os dois partidos da direita disputam entre si a liderança), ou naqueles em que é o PSD que se «acanha». É nos primeiros - naqueles em que o PS não é tão representativo - que o CDS vem fazendo o seu caminho rumo à recuperação do peso autárquico de que precisa (e que merece, acrescento eu). É assim em Ponte de Lima. É assim em Santana, na Madeira, como é assim em Vale de Cambra, em Albergaria a Velha e em Oliveira do Bairro (a nova conquista). Velas, nos Açores, é mesmo a excepção, onde a disputa, por razões muito locais, é com o PS.
Esta circunstância - e outras a que me referirei já - são a primeira advertência para as dificuldades que o CDS sempre terá neste tipo de eleições. É que um partido como o PS dificilmente deixa de assegurar níveis de representação entre os 20-25%, o que reduz o espaço de partilha à direita e sugere que esse espaço se preencherá em progressão (passando pelo PSD antes de chegar ao CDS). Porque o eleitorado ainda oferece alguma resistência à flutuação «per saltum» (o que à direita do PS beneficia o PSD em detrimento do CDS, sem lugar a ponderações de mérito). Há ainda que reconhecer o peso da tradição, do hábito, do voto por defeito. Também aí, entre o CDS e o PSD, é este que mais sai favorecido. Talvez o peso da tradição mereça uma expressão própria - corresponde ao voto de «manifestação standard» (inventei agora a expressão). O que é que isto quer dizer? Basicamente que quando o PS está no poder e um eleitor pretende mudar, o seu instinto vira-se para o PSD. Ou quando esse eleitor quer premiar ou reforçar a oposição, identifica-a com o PSD, antes do CDS. A primeira imagem de incumbente, de alternativa, de oposição, ainda beneficia o PSD, antes do CDS. E esta «tradição» acrítica é muito difícil de alterar.
Ora, é a esta luz que os resultados de ontem são extraordinários para o CDS. O primeiro exemplo, o mais representativo e também mais difícil, é Lisboa. O feito da Assunção Cristas - sublinho «o feito» - é extraordinário a todos os títulos. Ela conseguiu, sem margem para dúvidas, conquistar o lugar da alternativa ao PS. É a segunda força política no concelho. Com mais de 20% dos votos e com 4 vereadores eleitos.
Mas há mais resultados muito relevantes para o CDS. Bem sei que haverá especificidades locais (cisões, «faltas de comparência» do PSD», alguma fulanização de protagonistas «superiores» ao próprio partido, candidaturas independentes). Mas há um padrão na extensão do peso autárquico do CDS.
Se olharmos à Covilhã vemos o CDS com uns expressivos 15% (pena a fidelidade da Covilhã ao PS, porque o arrojo, a coragem e a qualidade do Adolfo fariam bem à sua terra). Se olharmos a Nelas, vemos o CDS com 25% e como segunda força política no concelho. Os mesmos 25% que vemos no CDS em Lamego. E vale a pena revisitar Ponte de Lima, onde a esmagadora maioria absoluta se alcança apesar de uma cisão no próprio CDS (que, a julgar pelos eleitores locais, foi bem dirimida a nível nacional pelo partido). E com esta referência regresso a Lisboa e a Assunção Cristas. É tão dela esta jornada eleitoral do Partido! Foi ela que deu o mote, quando sem receio, com enorme risco mas com evidente vontade (conta tanto a vontade!) anunciou a sua própria candidatura a Lisboa. Esse impulso de coragem política foi essencial, como se demonstrou. E foi justamente premiado.

Uma nota final para o meu Porto. O CDS não se apresentou «directamente» a eleições. Teve, no entanto, uma participação relevante e elegante (sublinho elegante) na candidatura vencedora. Merece totalmente a representação que terá na Câmara Municipal, na Assembleia Municipal e nas Juntas de Freguesia.
PS. Como é próprio nas eleições locais, em alguns concelhos as coisas não correram nada bem, com a perda de mandatos (designadamente onde «dói mais» que é na vereação) e com candidaturas e campanhas muito aquém do esperado e exigível. Mas mantenho, ainda assim, a leitura global muito favorável.

#Escritório

E no Porto?

1. Ganhou Rui Moreira. Foi justo e importante. Tenho a certeza que o mandato será melhor que o discurso de vitória.
2. Há qualquer coisa que eu não percebi na vitória de Manuel Pizarro. Escapou-me. Mas lá que o discurso foi empolgado, isso foi.
3. Álvaro Almeida teve a serenidade e a postura que não lhe conheci quando se apresentou. Na reação aos resultados contrastou com o fraquíssimo resultado.
4. Há muita gente de parabéns. Muita gente de que gosto muito. E há agora projectos e ideias a cumprir. A bem do Porto!


#Escritório
#Salaodevisitas

O PSD ...

Lisboa, Porto, Gaia, Matosinhos, Oeiras, Gondomar. Isolo estes municípios, mas podia continuar a discorrer. Estamos a falar de grandes cidades, nas duas áreas metropolitanas. Onde, portanto, há mais eleitores.
Os resultados do PSD em cada um destes concelhos é absolutamente humilhante. Não estamos a falar de um caso isolado, de uma especificidade local (que as haverá), ou de uma má escolha. Não. É mesmo um padrão. Um partido que desiste - porque desistiu - de disputar muitos dos mais relevantes (em número de eleitores e em mandatos) municípios, revela falta de visão, falta de sentido (ou de razão de ser) e, no fundo, desorientação.
Não é bom sinal. E a distância para a infidelidade (que ainda não se manifesta completamente), a falta de hábito (há ainda algum voto por defeito e por preconceito), e para a mudança para outras paragens, é muito curta. E talvez seja justo.


#Escritório