quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Sócrates e as indignações


Há dois motivos de indignação. O primeiro é a demora da investigação e do sistema de justiça. O segundo é a suspeita, traduzida em acusação, sobre um ex-Primeiro-Ministro (e relacionado com essa sua condição), dos crimes de corrupção, fraude e branqueamento.
Podem ficar indignados pelo primeiro motivo (e eu estarei convosco). Mas eu, por acaso, fico mais indignado com o segundo. Muito mais.
#Saladeestar
#Escritório

Olhem que eu acredito

Há uma certa italianização de Portugal que me agrada e que contrasta com os velhos tempos.
Sim. Eu sou do tempo em que invariavelmente víamos os outros nas grandes competições. Sou do tempo em que até jogávamos bem mas não conseguíamos ganhar, marcar, passar (quem ganhava, marcava, passava, eram as Itálias, as Alemanhas, as Holandas)....
Hoje não. Hoje nós estamos sempre lá. Somos incrivelmente competitivos. Marcamos mesmo quando parece que nem merecemos. Aparecemos fortes quando é mais preciso. Ganhamos, marcamos, passamos.
Agora a Rússia? Olhem que eu acredito.

#Saladejogos

Declaração unilateral de suspensão de uma declaração unilateral

Há os clássicos «agarra-me se não eu mato-o» ou o «fumei mas não inalei».
Há ainda a famosa «entrada de leão e saída de sendeiro»
E também serve bem aquela rábula do Ricardo Araújo Pereira a caricaturar o Marcelo Rebelo de Sousa sobre o aborto (com sim, não, sim, não).
Agora temos esta bizarria da declaração unilateral de suspensão de uma declaração unilateral.
#Escritório

Tangerinas

Eram (éramos ...) um grupo de 8 chineses. Quer dizer, não tenho a certeza, mas para mim eram todos chineses (imagino que seja irritante para japoneses, coreanos e tantos outros, mas eu tomo-os a todos por chineses).
Não se calaram. Não se inibiram. Não passaram fome....
Previdentes eram. Isso eram, que não lhes faltava nada. Os telemóveis de última geração, claro (a confirmar o estereótipo completo). As conversas confusas e absolutamente intraduzíveis (estou seguro de que me terão poupado a críticas - só lhes retribui silêncio, discrição e olhar conformado). E muitos sacos e saquinhos. Recheados de tudo quando havia para ir forrando o estômago. Empadas e folhados (foram expeditos a descobrir as nossas especialidades). Inofensivos frutos secos. Líquidos (não consegui perceber o que bebiam). E um saco de tangerinas que foi minguando até sobrarem apenas as cascas. Foi uma jornada e tanto!
Eu não sei que algoritmo preside às minhas reservas, mas da próxima quero tudo igual. De costas. Num daqueles lugares Tete a Tete e mesa no meio. E - indispensável - integrado num grupo. Ah, e tangerinas. Tem que ser um grupo que consome tangerinas. Muitas.

#Saladeestar

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

O mesmo baralho de cartas de há 30 anos


Olhamos para o PS e vemos António Costa onde «ontem» víamos António José Seguro.

No PSD vemos Pedro Passos Coelho, onde «ontem» víamos Manuela Ferreira Leite e «amanhã» – ao que parece – veremos Rui Rio ou Pedro Santana Lopes (que já víramos ontem).
António Costa, António José Seguro, Pedro Passos Coelho, Manuela Ferreira Leite, Rui Rio, Pedro Santana Lopes.
Há mais de 30 anos à volta dos mesmos protagonistas. Está na altura de comprar um baralho de cartas novo …

#Escritório

Rogério Martins

Recebeu-nos em sua casa. A nós, uns miúdos. Ainda que mais curiosos que deslumbrados. Com alguma presunção de pertinência e conhecimento. E com o interesse e a educação de quem quer aproveitar e sabe estar. Mas uns miúdos com vinte e poucos anos.
Não era o primeiro jantar. Já não sei se não terá sido o último (pelo menos daqueles em que participei).

O nome de Rogério Martins, do Engenheiro Rogério Martins, transportava-me para a política de indústria, antes do mais, e para os primeiros tempos de Sá Carneiro como Primeiro-Ministro (tempos gloriosos, aos nossos olhos). A ideia de conversarmos com um dos homens por trás do mito era suficientemente sedutora. Mas não era só isso. E não foi só isso. Quem conhece (já quase ninguém conhece) a vida e a história de Rogério Martins sabe bem que teve uma vida cheia, densa e que deixou rasto.
Guardo daquele jantar várias ideias. Uma das quais – talvez a mais relevante – a de que as luzes da ribalta são uma ilusão absolutamente transitória. E porque é assim – esta é a segunda ideia – vale a pena saber ser humilde mesmo no exercício das mais elevadas responsabilidades ou de cargos com especial influência e consequência. E depois – terceira ideia que guardo – não há azedume, ressentimento ou desilusão que abale o regresso ao «anonimato» – porque, no fundo, quando não houve presunção não deixará de haver serenidade e bonomia no período justo do recolhimento. A conversa não foi bem sobre isto (foi mais sobre política e episódios vividos). Mas, afinal, foi também sobre isso.
Naquela abertura para conversar connosco, para mais recebendo-nos em sua casa, estava um modo de vida. Não sei se algum de nós (Gonçalo MatiasGonçalo Veiga De MacedoPedro VelezFrancisco Pereira Coutinho, David Oliveira Festas, Manuel Gil Fernandes) lhe agradeceu devidamente. Eu não. E já não vou a tempo.



#Saladeestar

#Escritório
#Jardim

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Independemente da Catalunha


Sinto-me completamente inabilitado para comentar, com um mínimo de profundidade, o que se está a passar na Catalunha.
Mas não resisto a fazer um pequeno comentário lateral (que é independente – «independente» sem conotação – da disputa ou da crise Catalã).
A minha simpatia ou distanciamento face a uma determinada luta pela autodeterminação de uma região não depende de os líderes ou movimentos pela autodeterminação serem de esquerda ou de direita ou, se quiserem, de a perspectiva do Estado cuja independência se disputa, vir a ser um Estado, social e politicamente, à esquerda ou à direita.


#Escritório