segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Segunda-feira de Natal

Cumpro o périplo de Natal – seja nas escolas seja nas actividades extra-curriculares – com a mesma fidelidade e devoção dos meus pares. Aplaudo as façanhas musicais e físicas dos meus filhos com a mesma entrega, o mesmo entusiasmo e o mesmo «acrítico» orgulho. Entre Igrejas e salões, ginásios e piscinas, campos e teatros, cumpro dedicadamente.
Mas estes fins-de-semana antes do Natal deixam-me derreado. Quer dizer, derretido. E não é de comoção …
Que bom que é segunda-feira.

#Saladeestar

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Uma composição ...

Assim de repente – e pondo de lado a icónica família César – já temos a Ministra do Mar e o Ministro da Administração Interna casados entre si, o Ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social que é casado com uma deputada e é pai da Secretária de Estado Adjunta, o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais que é irmão da Secretária Geral Adjunta, e agora a Secretária de Estado da Saúde que é casada com o ex-Secretário de Estado, ex-líder parlamentar e actual Eurodeputado. E imagino o que andará pelos gabinetes.
Já tivemos muitas e curiosas composições de Governos. Mas esta é seguramente uma composição ... (como direi?) ... raríssima.

#Escritório

Não confundamos

O problema destes casos como o da Raríssimas (instituição que não conheço pessoalmente) é a lama que lança sobre tantas instituições congéneres que prosseguem abnegadamente causas sérias e louváveis, com recursos escassos, por vezes substituindo o Estado em responsabilidades elementares e prioritárias.
Ao menos que este caso sirva para que muitas dessas instituições não se esqueçam que, mais do que nunca, ao lado da dedicação e profissionalismo (sim, o profissionalismo é necessário na acção social) tem de estar sempre a exigência e a transparência.
Conheço muitas instituições sociais modelares. Que não merecem (nem as causas e as pessoas que servem) o anátema do abuso e da irregularidade. A própria causa da Raríssimas merecia melhor sorte. Não confundamos.

#Saladeestar

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

E de dia não é Natal?

Sim. Eu gostava de uma recristianização pública dos enfeites de Natal. Até porque era justo esse regresso das luzes e dos enfeites dedicados a motivos como o presépio, o Menino Jesus ou os Reis Magos. E para além de justo era até mais bonito (compreendo mal as luzes sem motivos, ou com motivos dispersos e desenxabidos, tantas vezes em tons pouco acolhedores).



Mas a introduzir melhorias eu começaria por tentar reconciliar os ditos enfeites com a luz do dia. Se à noite a coisa passa e fica disfarçada pelas luzinhas do nosso encanto, de dia o cenário é muito parecido com um acumulado de andaimes espalhados pela cidade e pendurados precariamente pelas ruas mais comerciais. Até as árvores de Natal (que à noite são mais cones de luzes) de dia são uma espécie de instalação artística de metal frio e vazio (estou a ser generoso). Até percebo o abandono das árvores naturais. Mas ao menos preencham aqueles acumulados de ferros com folhas, fitas, bolas e afins, para que de dia também seja Natal …

#Saladeestar

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Não é só por ser o Masterchef Australia

Já o disse uma vez mas a verdade é que a cada programa renovo a admiração pelo Masterchef Austrália. Em especial pelo ambiente humano que nele se preserva.
É um concurso, e por isso os concorrentes concorrem entre si e querem ganhar uns aos outros. Mas essa concorrência não resvala para a canalhice, para o mau feitio, para o baixo nível. Mesmo no tempo da standardização dos temas e dos programas de entretenimento o Masterchef Australia distingue-se pela qualidade humana dos seus apresentadores e juízes. E ela estende-se – é sempre assim com as lideranças de qualidade – aos concorrentes, ao ambiente que se vive entre eles e ao testemunho que nos vão deixando à medida que o programa avança e aparecem as eliminações (sempre fundamentadas com naturalidade e justiça).
Mas se o Masterchef Austrália é um grande programa - que é! - a adesão crescente que vai merecendo (falo por mim) vai colher directamente ao estado indigente da concorrência. Nestes dias em que um qualquer passeio pelas alternativas é aterrador (SIC Notícias, TVI 24, CM TV) - onde se exibe sem pudor a clubite primária normalmente temperada pela deselegância e desonestidade intelectual - o Masterchef Austrália é um verdadeiro oásis do zapping.

#Saladeestar

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Mário Centeno e o Eurogrupo


Nem cego nem parolo.
A escolha de Centeno para presidente do Eurogrupo não é, obviamente, desprezível e tem importância e significado.
É uma vitória do Governo português, que com a actual estrutura de suporte se afirma num dos palcos de decisão europeus mais sensíveis (e essa medalha simbólica tem o seu valor, não há como negá-lo). É prestigiante para Portugal, que tem como titular da importante pasta das finanças alguém com currículo e reconhecimento (independentemente dos equilíbrios que lhe permitiram a eleição). E pode ser relevante no plano da definição ou conformação do debate interno que cada vez mais tende a projectar na «Europa», no «Eurogrupo», no «Euro», em «Bruxelas», uma espécie de bode expiatório de muitos dos nossos males e das impiedosas limitações que nos condicionam.
Mas também não vale a pena sermos deslumbrados (ou parolos, se preferirem um adjectivo mais corriqueiro). «Termos» o presidente do Eurogrupo não é «espectacular» para Portugal ao ponto de lhe dedicarmos infindáveis fóruns radiofónicos em tom de conquista e com expressões excitadas do tipo «o Ronaldo do Eurogrupo» (imagino a cara de gozo do agora incensado Shäuble a assistir ao deleite que gerou a sua expressão). E há, naturalmente, o risco de alheamento do próprio Centeno. É que ele não vai deixar de ser o titular da importante pasta das finanças no Governo de Portugal.

#Escritório

Quanto gosto de ti?

Mais que o mar.
Mesmo naqueles dias de ondas perfeitas
Areia quente e água maravilhosa.

Mais que a neve.
Mesmo naqueles dias de espuma virgem
Sobre as montanhas abertas ao céu e ao sol.

Mais que a Floresta.
Mesmo naqueles dias lindos de Outono
De folhas castanhas, amarelas e laranja de periclitantes.

Mais que a Chuva.
Mesmo naqueles dias na cama
Ao som das pingas na janela e do fogo à lareira.

Muito mais.
Mesmo naqueles dias banais.
De mar revolto.
De neve densa.
De Floresta despida.
De chuva intensa.
De ti?
Gosto muito mais.

Gosto sempre muito mais.

#Biblioteca