quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Catalunha e eleições (III)

Mesmo quando participante legítima do sistema democrático, há qualquer coisa de mal resolvido a que a esquerda mais radical e reaccionária não consegue nem escapar nem disfarçar.
Invariavelmente, projectam no sistema todos os males, suspeitas e perseguições. Se não é tudo observado de feição é porque é «ilegítimo» ou «ilegal». Claro que, depois, na hora dos benefícios, não se fazem rogados. Esse mesmo sistema assegura-lhes regalias, prerrogativas e liberdades? Aí sugam-nas até à última gota!

Desta feita, mais uma vez, não faltou o queixume. As eleições «são ilegítimas porque foram convocadas de forma ilegal», zurziu durante o dia Sergi Sabrià, porta-voz da Esquerda Republicana da Catalunha. É o sistema que os persegue (mesmo que, à vista de todos, não os prejudique).
Eu sei que não enjeitam os epítetos de radical e de reaccionária. Mas eu juntava-lhes o de ressabiada.


#Escritório

Catalunha e eleições (II)

Não procuro explicações, porque já são «muitos anos a virar frangos». Mas não deixo de protestar.
Passei grande parte do dia em viagem ligado à telefonia. As nossas estações noticiosas (pelo menos a TSF e a Antena 1), como seria suposto, têm enviados especiais a relatar-nos in loco o ambiente, as leituras e a evolução dos acontecimentos. Ouvi mais de quatro directos. Quatro. Ora em quatro seria normal ter «sentido» o ambiente e auscultado testemunhos dos dois lados da contenda eleitoral. Mas não. Todos os quatro, seja de que sintonia for, brindaram-nos com testemunhos, gritos e leituras de um só lado e de um só lugar. Da sede da Esquerda Republicana da Catalunha. Essa mesma. A força política que, ao que parece, não será nem a primeira, nem a segunda, mas a terceira força política mais votada. Mas era de esquerda e independentista. Isso era. Claro.
Ontem nos Estados Unidos, hoje na Catalunha. Só nos dão a conhecer um (o seu) lado …


#Escritório

Catalunha e eleições (I)


Nunca consigo ficar indiferente. Até porque há qualquer coisa de comovente e inspirador nos actos eleitorais livres e massivamente participados.
Os catalães podem ter muitos defeitos mas sentimos bem a sua força e o seu pulsar democrático. No mínimo é um povo que se dá ao respeito. O que eu respeito especialmente.


#Escritório

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Valer a pena

Fala-se muito do alto preço da convulsão e da instabilidade económica e política que a crise da pretensão de independência na Catalunha tem provocado (mede-se por empresas que alteraram as suas sedes, pelo número de turistas que deixaram de o ser, pelos empregos perdidos ou não criados, e pela incerteza como o maior inimigo de qualquer economia).
A verdade é que ao lado dessa convulsão – e como é historicamente próprio destes momentos – a crise da Catalunha já serviu para revelar em larga escala essa líder inspiradora que é Inés Arrimadas. E olhem que se tiver servido para a conduzir à Presidência da Região, pode bem ter valido a pena.
#Inés
#Catalunha
#21D

#Escritório

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Segunda-feira de Natal

Cumpro o périplo de Natal – seja nas escolas seja nas actividades extra-curriculares – com a mesma fidelidade e devoção dos meus pares. Aplaudo as façanhas musicais e físicas dos meus filhos com a mesma entrega, o mesmo entusiasmo e o mesmo «acrítico» orgulho. Entre Igrejas e salões, ginásios e piscinas, campos e teatros, cumpro dedicadamente.
Mas estes fins-de-semana antes do Natal deixam-me derreado. Quer dizer, derretido. E não é de comoção …
Que bom que é segunda-feira.

#Saladeestar

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Uma composição ...

Assim de repente – e pondo de lado a icónica família César – já temos a Ministra do Mar e o Ministro da Administração Interna casados entre si, o Ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social que é casado com uma deputada e é pai da Secretária de Estado Adjunta, o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais que é irmão da Secretária Geral Adjunta, e agora a Secretária de Estado da Saúde que é casada com o ex-Secretário de Estado, ex-líder parlamentar e actual Eurodeputado. E imagino o que andará pelos gabinetes.
Já tivemos muitas e curiosas composições de Governos. Mas esta é seguramente uma composição ... (como direi?) ... raríssima.

#Escritório

Não confundamos

O problema destes casos como o da Raríssimas (instituição que não conheço pessoalmente) é a lama que lança sobre tantas instituições congéneres que prosseguem abnegadamente causas sérias e louváveis, com recursos escassos, por vezes substituindo o Estado em responsabilidades elementares e prioritárias.
Ao menos que este caso sirva para que muitas dessas instituições não se esqueçam que, mais do que nunca, ao lado da dedicação e profissionalismo (sim, o profissionalismo é necessário na acção social) tem de estar sempre a exigência e a transparência.
Conheço muitas instituições sociais modelares. Que não merecem (nem as causas e as pessoas que servem) o anátema do abuso e da irregularidade. A própria causa da Raríssimas merecia melhor sorte. Não confundamos.

#Saladeestar