quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Sempre contigo


1. Já não escrevia sobre o meu Porto há uns tempos. Mas hoje tinha que vir aqui.
2. Foi tudo mau. Começou no 11 (há jogadores que não são nem nunca serão para estes jogos). Passou pela falta de vontade (talvez tenha sido presunção). E culminou com o resultado, como é óbvio.
3. Foi uma humilhação. Mas nos oitavos da Champions. E contra o Liverpool.
4. Costumamos cantar no estádio um cântico que reza assim “sempre contigo allez”. E por isso estarei em Anfield.



#Saladejogos

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Como eu vejo (e como me vejo) na entrevista do Adolfo

Não é de hoje nem de ontem. As entrevistas do Adolfo – e as suas prestações em debates ou intervenções públicas em geral – valem a pena. Têm conteúdo, transpiram convicção e vêm invariavelmente adornados com aquele estilo acutilante e galvanizador que tanta falta faz na intervenção política.
A «entrevista de vida» deste fim-de-semana no Expresso não desiludiu. Tem lá conteúdo, convicção e acutilância de sobra. Podia não ter qualquer fotografia. Podia até nem ser identificado o entrevistado. Está lá o Adolfo que todos reconhecem. E por isso o destaque que o Adolfo vem merecendo é merecido (passo a redundância) e não advém de qualquer revelação sobre a sua orientação sexual (já lá vou).

O meu primeiro contacto com o Adolfo foi já há 15 anos (ambos ainda longe dos ambicionados 40 … impressionante como o tempo passa). Estava ele na Secretaria de Estado da Segurança Social e eu no Ministério da Justiça. Não sei se ele se lembra, mas eu lembro-me de ter gostado logo dele. Depois, nos anos de escritório que acumulámos, e nos de militância no CDS (a minha manifestamente incipiente e bem mais recente), fomo-nos encontrando e conversando muitas vezes, com ou sem a intermediação de grandes amigos, mas sempre com gosto e amizade (falo por mim, naturalmente).
Digo isto para dizer o que quero dizer sem que façam presunções ou tirem ilações sem fundamento.

Eu concordo e discordo do Adolfo. Talvez aconteça mais concordar. Revejo-me no estilo (que é consistentemente galvanizador e inspirador). Revejo-me na forma genuína como sempre é frontal, destemido e transparente. Revejo-me na sua militância pragmática, mais centrada nas respostas possíveis e nas soluções concretas, e não tanto nos modelos ideais (que em certa medida têm de conviver). Revejo-me no desassombro com que descose o «socialismo» e a dependência tantas vezes injustificada do Estado. Revejo-me na sua sensibilidade e fidelidade ao interior (e à Beira e à Serra). Revejo-me (chego a invejar) o desassombro com que consegue agregar as pessoas e gerar ideias (e energia para essas ideias). Revejo-me na tolerância sincera e convicta que pratica na sua acção política (não deve haver ninguém que alguma vez se tenha sentido desrespeitado pelo Adolfo em função das suas ideias). Revejo-me na sua abertura aos outros e ao mundo. Revejo-me até na peculiaridade dos seus guilty pleasures. E revejo-me, em grande parte (mas não totalmente), no seu amor à liberdade.

Aquilo em que verdadeiramente não me revejo tem sobretudo a ver com a sua hierarquia de valores. Quando digo que me revejo – mas não completamente – no amor à liberdade que apregoa e pratica, pretendo dizer (vou ser directo) que não me revejo na secundarização do valor da vida. A frase que o Adolfo escolhe para representar a centralidade da liberdade no seu quadro de valores – «a liberdade é o meu valor primeiro e vem antes da vida» – toca justamente no ponto em que eu não me revejo no Adolfo. É que «sem vida não pode haver liberdade» (escolheria esta frase na entrevista de vida que não chegarei a dar). Sim, a liberdade é primordial. Mas não há liberdade sem vida (que liberdade tem aquele que não deixam nascer?). E acho que daí decorre, em certa medida, a mundividência do Adolfo que não é a minha. Se quiserem apelar à métrica de preconceitos consagrados, eu serei um conservador. Sou contra o aborto. Vejo o modelo de adopção numa lógica substitutiva que, centrada na criança, lhe oferece preferencialmente um pai e uma mãe (porque terá sido justamente o que lhe faltou). E nesta nova saga da eutanásia eu estou do lado da vida e da aposta nos cuidados paliativos.
Mas este meu conservadorismo não me condena. Na mesma métrica de preconceitos – que não subscrevo – eu arrisco dizer que sou «cosmopolita». Pois se gosto dos «sinais exteriores de cosmopolitismo» como viajar, ler, ir a museus e ao teatro, ouvir diferentes estilos musicais, e até tenho guilty pleasures peculiares (não é tanto o festival da eurovisão, no meu caso são mais as raves), o que serei eu? E se me vejo como alguém que ama a liberdade, que respeita e tantas vezes admira profundamente (e mais: tenta compreender de coração aberto!) quem não partilha da mesma mundividência, o que serei eu? Um ultramontano?

E com isto chego ao que não gostei da entrevista. Não. Não foi ter assumido a sua homossexualidade. Como o próprio Adolfo bem lembra, não creio que seja um «acto de coragem». Chego a achar que, nos dias que passam (e as reacções estão aí para podermos avaliar melhor), parece mais um trunfo que propriamente um empecilho (e não deve ser nem uma coisa nem outra). No que me toca, percebo mal a revelação enquanto revelação (não consigo deixar de o dizer). E preferia que tivesse sido um considerando «a latere» (não há que esconder) e não tanto um statement ou revelação (o Filipe Santos Costa, que orientou a entrevista - mais connversa - com uma cadência inteligente, andou às voltas do tema com sete perguntas, o que só se compreende por se procurar uma revelação).
Mas se quiserem uma ilação útil sobre o tema – e que me é suscitada pelas palavras que o Adolfo escolheu quando se afastava da ideia de coragem – ela prender-se-á com a coragem, sim, mas com a coragem que o Adolfo não precisou de ter e que há 10 ou 20 anos talvez precisasse. Fiquei a pensar no sofrimento (que é o outro lado da coragem de que falam) de tantos com quem me cruzei e que admiro. E esse não é um sentimento que me deixe confortável. Será tema para um outro post, mas que não se confinará à questão da homossexualidade há 10 ou 20 anos. Houve muitas (demasiadas) tensões de que não cuidávamos (e que talvez ainda não cuidemos devidamente) e que exigiram e exigem a coragem de que falam.

PS. Custa-me que a entrevista não se tenha libertado dos preconceitos de sempre (o entrevistador não precisava de dar voz a tantas ideias feitas, mesmo que possam não ser as suas). Como a ideia de que o multiculturalismo inspira horror à direita (no caso veio a propósito da world music ... e sempre se ressalvou que não seria à direita toda). Como a ideia de que a tolerância se aprende à esquerda (à mesa com o lado da família de esquerda). Ou mesmo a ideia de que é curioso – e é preciso explicar com muitas palavras – que alguém que ama a liberdade milite no CDS (o «porquê o CDS», nestes contextos, é demasiado clássico)


#Saladeestar

#Escritório

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

As paragens de autocarro

Há os monumentos. Há os jardins e Igrejas. Os passeios com vistas e as ruas mais típicas. Está tudo muito certo. Mas se quiserem celebrar os lugares mais relevantes não podem desprezar as paragens de autocarro. Sim. As paragens de autocarro.
Não quero exagerar, mas viver as paragens de autocarro é uma espécie de recruta indispensável para sentir a cidade.

Eu, por exemplo, devo às paragens de autocarro muitas horas de paciência, muitos momentos de desesperança, de frio, de fome e de cansaço.
A que me torturou vezes sem conta foi, sem dúvida, a da Rua Júlio Dinis, em frente à Residencial Vice-Rei que fica por cima da Petúlia. A montra da Petúlia – aquela montra que ainda hoje merecia ser trasladada diariamente para o Museu de Serralves – fez-me borbulhar de fome e apetite vezes sem conta!
Também penei muito no Castelo do Queijo à espera ou do 1 (que vinha do Bolhão) ou do 19 (que vinha da rotunda). Ali sentia-me abandonado, sem uma referência ou uma protecção (não havia mesmo nada). Ainda investi umas quantas vezes, a pé, pela Brito Capelo a dentro (mas não era grande ideia, pela duvidosa idoneidade dos transeuntes daquele tempo). No mercado de Matosinhos sofria mais com a caminhada que ainda tinha de cumprir (tantas vezes no escuro). Na paragem da Senhora da Luz (na esquina da farmácia em frente à Tavi) custava-me aquele relambório de mães a passar, umas atrás das outras, com os filhinhos no carro. Todas menos a minha.
O problema das «minhas paragens de autocarro» é que elas, por regra, moravam em ambientes escuros e degradados, onde se temia e tremia, e onde, não sei porquê, me via sempre às horas de mais ninguém. E mesmo aquelas mais convencionais – como as da rotunda, as da constituição, as do campo de 24 de Agosto, as de Fernão de Magalhães, as da Praça Galiza – tinham o condão de me obrigar a convívios tensos (os gunas, sempre os gunas, essa instituição do Porto).
À semana, quando o Porto jogava (e eu não deixava de ir às Antas), a tensão maior era a de chegar a Júlio Dinis ou à rotunda a tempo do último 76 ou 19 (das vezes em que fiquei «sem rede» não tive alternativa senão ligar de uma cabine para casa, recorrendo ao número de cobrança no destino).
Se me fez mal? Não fez. Se me soube bem? Não soube. Mas a verdade é que ainda hoje dou por mim de mãos no volante, sem razão e sem destino, a passar pelas paragens de autocarro. Só para tirar de esforço. Sorrio com altivez. Quase chego a buzinar (para que vejam como, passados estes anos, sou um homem seguro que suplantou a recruta).


#Saladeestar

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Rankings

O grande mérito dos rankings (não confundir com rankings de mérito) é o de (nos) lembrarem que o melhor professor de matemática ou de português, o melhor director de uma escola, ou o programa curricular mais eficaz, tem um nome: privilégio social e económico (que podemos traduzir por dinheiro, claro, mas por coisas tão simples como ter pais com formação superior, não viver a tensão de ter ou não ter jantar em casa, de os pais terem ou não terem emprego e dinheiro para o elementar, dispor de uma secretária ou de um canto para fazer os trabalhos de casa, de haver alguém em casa que pergunte pelas aulas e pela vida, por poder viver as inevitáveis tensões da vida nos momentos e nas idades próprias).

Por exemplo, os meus filhos fazem parte daqueles que têm «o melhor professor de matemática, de português, de ciências e de inglês, o melhor director de escola e o programa curricular mais eficaz». Quer dizer, vivem num ambiente de privilégio social e económico (era o que eu queria dizer). Reconhecer isto não é vaidade. É elementar. E coloca depois em perspectiva esses rankings (que são importantes, mas talvez não sejam o referencial mais importante).

Se quiserem, está bem traduzido neste vídeo:



#Saladeestar

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Em 2. lugar do ranking para viver ...


Sim, eu babo. Se me tivessem perguntado eu talvez tivesse exagerado ainda mais. Claro que é a melhor cidade do mundo. Para viver. Para crescer. Para ser feliz.
E agora até acrescentamos essa coisa tão pouco nossa – mas tão comovente – de a sentirmos melhor do que antes (libertámo-nos heroicamente do «antes é que era»).

Eu, por acaso, digo dela o que nunca lhe ouvi dizer. Não há lugar no mundo que faça de um qualquer fotógrafo amador uma espécie de Picasso da fotografia (um Cartier-Bresson, para os entendidos). O Porto até isso faz. Faz faz.

#Salaodevisitas

Quatro meses na terra de ninguém

No início de Outubro – no início de Outubro! – Pedro Passos Coelho anunciou que não iria continuar na Presidência do PSD (anunciou que não se recandidataria, o que na cabeça de toda a gente quis dizer que se demitia da liderança).
Foram precisos três longos meses – três longos meses! – até ser escolhido o seu sucessor.
Estamos entretanto em Fevereiro – mais um mês depois daqueles já longos três! – e o Presidente do PSD ainda é Passos Coelho.


Queixam-se muito dos prazos eleitorais e da necessidade de rever a Constituição. Se revirem os prazos internos (que não carecem de consensos alargados e de revisões constitucionais cada vez menos prováveis) já dão uma grande ajuda. A não ser que vejam alguma vantagem em viver quatro meses na terra de ninguém.

#Escritório

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

O 25 de Janeiro

Sempre foi um dia especial lá em casa.
Era – e é! – o dia de anos do mais velho de nós todos (no caso, da mais velha). Era, portanto, o dia em que os nossos pais celebravam essa sua condição. E era aos nossos olhos – de miúdos deslumbrados com o ser crescido – o dia em que a nossa irmã mais velha já fazia não sei quantos anos (já tem 10 anos!, já tem 12 anos! Ou 14! Ou 16! E depois 18 e 20 e 21 e agora já vai bem para lá dos 40, imagine-se!). Sempre foi à frente (à mesma distância, dirão). Mas esse «à frente» teve muito de exigência, de emancipação e de exemplo.
O dia 25 sempre foi e sempre será, na nossa memória e no nosso coração, um dia especial. E hoje volta a ser.

Parabéns Rosarinho!

#Jardim