terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Pelo contrário


Desculpem, mas não estou com os indignados.

Nunca gostei daquela escarpa abandonada, com lixo e matagal selvagem. Como nunca gostei da anterior fábrica de cimento (sim, fábrica de cimento!, parece que já nem nos lembramos …). De um modo geral, entre os vários «antes» e «depois» que conheci ou conheço ao longo da marginal, o único que verdadeiramente não gosto (e já tem muitos anos) é a bomba da Repsol. De resto, que se reabilite. Que se construa com estética (como parece ser o caso da polémica destes dias). Que se limpe. Que se dê vida.

E sim. Gosto dos edifícios de habitação tal como constam nas imagens do projecto.

Aliás, quando olho para aquela escarpa penso noutras escarpas e lugares. Penso na escarpa da Ribeira, por exemplo (e que bem que ficou aquele denso casario …). Penso na antiga praça da câmara municipal (e que majestosa que ficou a Avenida dos Aliados …). Penso até no casario que ocupava o que hoje é a Avenida da Ponte (e que importante foi para a incrível Ponte D. Luís …). Talvez claudique quando penso no antigo Palácio de Cristal (que não conheci mas cujo nome chegou até hoje).
Por mim não sou adepto do «não se mexa», «não se inove», «não se construa». Antes pelo contrário. Bem antes pelo contrário.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

O país que (ainda) somos

Algures em Portugal, em Fevereiro de 2018:

«Dois quilómetros a pé de noite para ter socorro»
«Falta de telefones impediu idoso de chamar ambulância para a mulher que, a meio da noite, sofreu uma paragem cardíaca»
Esta notícia merece uma reflexão mais séria e consequente. Mas basta um simples exercício.
Se estes velhinhos (sempre achei mais ternurento, e até digno!, dizer «velhinhos» em vez de «idosos») fossem os pais de um político (de qualquer partido), de um empresário relevante, de um advogado ou médico, de um professor do ensino superior, ou, se quiserem uma generalização, de algum de nós, há muito tempo que a linha de telefone fixo que o incêndio lhes destruiu teria sido reposta. Há muito tempo!
E quem diz «a linha telefónica», podia dizer «uma cirurgia urgente mas perdida nas listas de espera».
A igualdade, em vez de nos encher a boca e adornar declarações vazias, devia servir para cuidar das vidas de todos por igual.
Não é aceitável – e devia revoltar-nos – que uma boutade populista como «a vida de uns vale mais que a de outros» seja verdadeira. Mas infelizmente, no país que (ainda) somos, é mesmo assim.


#Saladeestar
#Jardim

domingo, 18 de fevereiro de 2018

O Congresso do PSD (VI)

É notória - e compreende-se mal - a degradação da qualidade dos repórteres televisivos que cobrem os congressos (a excepção ainda é a SIC).
E isso é particularmente evidente porque, invariavelmente, os repórteres, depois de cada entrevista, fazem um resumo do que o entrevistado acabou de dizer (como se não tivéssemos ouvido). Nunca percebi essa “técnica” jornalística.

#Escritório

O Congresso do PSD (V)

Não consigo - é defeito meu - ver uma multidão de adultos a gritar, gesticulando de braço no ar, “PSD, PSD, PSD!” (é igual nos outros partidos). É indisfarçavelmente infantil, e sobra sempre a sensação de desconforto de muitos dos gesticulantes.

#Escritório

O Congresso do PSD (IV)

Não tem grande explicação. Mas gosto de congressos partidários. E reconheço que os do PSD - pela natureza, tipo de militância e dimensão - são (ainda) os mais sedutores.

#Escritório

O Congresso do PSD (III)

Para quem, como eu, não é propriamente um apreciador (estou a ser leve) de Rui Rio, mas reconhece que o PSD é incontornável para a recuperação da liderança do país à direita (ou centro direita), acalentava alguma expectativa quanto à equipa directiva. Era, no fundo, a esperança de que se rodeasse de figuras que compensassem as suas derivas “de personalidade”.
Sinceramente, para quem vê de fora, não houve a compensação que desejava. E para quem vê de dentro parece que também não.

#Escritório

O Congresso do PSD (II)

Não há como não reconhecer. O discurso de Luís Montenegro foi “o discurso” do Congresso.
Mas foi-o pelas melhores razões. É que independentemente das disputas em concreto, Luís Montenegro foi leal e corajoso - duas qualidades que em política valem imenso e que no caso eram um exercício difícil. E solto como se apresentou, transformou a frontalidade (que esteve ali na fronteira da deslealdade) em força e coragem.
Mediu bem as palavras mas não fugiu de nenhuma. E conseguiu gerar o desejo de que o seu momento chegue. Por muito que possa ter sido condicionador - e até possa não ser muito justo para a liderança que se inicia e carece de adesão - em política “é da vida”.

#Escritório