sexta-feira, 25 de maio de 2018

Duvidar de nós próprios


Ainda que imposto à pressa, o debate sobre a eutanásia tem servido para conhecer imensos testemunhos incríveis.
De pessoas que se dedicam aos cuidados paliativos e no fundo dão expressão real e consequente à frase feita sobre o que é isso do «direito a morrer com dignidade». E de pessoas concretas que passaram pela decisão de pôr fim à vida e que sobreviveram a essa decisão. Ler ou ouvir estes testemunhos deveria ser suficiente para percebermos como admitir a eutanásia é um absurdo.

Porque é de elementar prudência desconfiarmos de nós próprios, da duvidosa liberdade com que, em momentos limite e de desespero, formamos e manifestamos a nossa vontade, de como somos incoerentes e repetimos arrependimentos. E quando essa fragilidade humana está directamente ligada a viver ou não viver, não podemos negar nunca o arrependimento e a incoerência. Na verdade, devemos mesmo presumir inilidivelmente como condicionado e imprestável um pedido de alguém para pôr fim à vida. Tenho medo de viver numa sociedade que desista de mim. Que não duvide de mim.

#jardim

Sócio-gerente é fajuta


Eu ainda sou do tempo em que o primeiro-ministro era presidente do conselho de administração da PT, do BCP e da TVI. Tudo ao mesmo tempo.
Desculpem lá mas ter agora um ministro ou secretário de estado sócio-gerente chega a ser fajuta.


#Escritório
#Saladeestar

terça-feira, 22 de maio de 2018

RGPD


- E o novo Regulamento Geral sobre Protecção de Dados?
- É importante. Tem sido tema de muitas sessões de formação, tem gerado sobressalto quanto baste em imensas organizações e tem dado trabalho a muito boa gente.
- Tudo muito certo (ou nem por isso). Mas não percebo nada.
- Mas olha que é espectacular.
- Espectacular?
- Pá, é tão espectacular que até está a dar para me livrar das milhares de mailing lists em que nem sabia que estava!
- Isso é espectacular. Tens razão.

#Saladeestar

segunda-feira, 21 de maio de 2018

O nosso novo cardeal



Por acaso arrisco sugerir que esta «promoção» de D. António Marto a cardeal nasceu há um ano naquele silêncio místico, profundo e arrebatador que se abateu sobre Fátima. No meio de uma multidão de centenas de milhares de fiéis, Francisco prostrou-se aos pés de Maria e rezou sem intermediações, sem interrupções, em absoluto silêncio. Naquele momento o Papa percebeu que Fátima não era um mero santuário popular, que atraía milhares de peregrinos de todo o mundo e que singrara por comoção e afeição à história dos pastorinhos.

Não. Fátima é um local de oração absolutamente transversal. Onde se geram silêncios arrepiantes. Onde o encontro com Deus se propicia como em poucos lugares.
Chega a ser curioso que Fátima se imponha aos Papas já no decurso dos seus papados. Foi assim com João Paulo II, que «despertou» para Fátima depois do atentado de que foi vítima. E é assim com Francisco que, acedendo a presidir ao centenário das aparições, partiu rendido à fidelidade e à autenticidade de Fátima como lugar de oração, de encontro e – como costumamos dizer – de altar do mundo.
Faz todo o sentido que Fátima – e os frutos dos seus silêncios e orações – estejam mais próximos do Papa. E é feliz a circunstância de essa participação se inaugurar pela fé de um Bispo que experimentou – ele próprio – essa supresa e rendição a Fátima.

Santuário de Fátima felicita o seu bispo diocesano por esta escolha e reconhece nela uma deferência para com Fátima
FATIMA.PT

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Arregaçar as mangas

Muito bem a ideia de criar uma Autoridade Nacional contra a violência no desporto (só o nome já me entusiasma). Eu por acaso acho que faltará ainda «instaurar um rigoroso inquérito», «criar um grupo de trabalho» e talvez propor uma «comissão parlamentar de inquérito». Ah, e vai ser preciso uma sede (em Lisboa porque é absurdo não ser em Lisboa, não sejamos provincianos), uma lei orgânica e um quadro de dirigentes e demais pessoal.
Estava a ver que o Governo não arregaçava as mangas e não enfrentava o problema de frente!


O primeiro-ministro anunciou na quarta-feira a criação de uma autoridade nacional contra a violência no desporto que permita às autoridades agir em ...
RTP.PT


#Saladeestar

Somos nós


No meio deste turbilhão não consigo alinhar no argumento moralista e de desdém sobre o futebol.
Não é o nosso futebol. Lamento, mas não é o nosso futebol que está mal.
Há falta de vergonha, há indícios evidentes de corrupção, há violência. Há muita incoerência (tanto na exigência de uns como na relativização de outros). O quadro não é bom de facto. Não há como negá-lo.
Mas é só no futebol? Faz sentido projectar no futebol – como se de um exclusivo se tratasse – este clima de podridão?
Não, meus amigos, isto não é um problema do futebol. Não é só no futebol que temos protagonistas que «estava-se mesmo a ver» que iam acabar mal. Não é só no futebol que andamos numa dança entre (ex)entusiastas e (neo)arrenpendidos. Não é só no futebol que as suspeitas e os indícios de corrupção são sufocantes. Não é só no futebol que a seriedade não é um valor promovido. Não. Isto perpassa a nossa sociedade de lés-a-lés.
A honra, o carácter, a seriedade, os valores da verdade e do respeito, no fundo, tudo aquilo de que é feita a decência, há muito que perderam «adeptos», «militantes», «investidores», «eleitores» …
Não há milagres. No futebol como nos partidos. No futebol como nas empresas. No futebol como nos bancos. No futebol como em tudo.
Não é o futebol. Somos nós.

#Jardim

segunda-feira, 14 de maio de 2018

A festa (IV)

19 anos. É inacreditável a última vez naquela varanda ter sido há 19 anos. Inacreditável.