quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Manuel Carvalho no Público

Uma das razões que me tem vindo a afastar dos jornais – eu que já fui assinante de jornais diários, que era um comprador compulsivo e que, apesar de tudo, me mantenho um leitor interessado (apesar dos meus estados de espírito) –, uma das razões que me vêm afastando, dizia, é a falta de mundo de quem nas redacções verdadeiramente conta. Ou, se quiserem, a falta de diversidade nas redacções. O mundo dos jornalistas que «mandam» é todo igual, as perspectivas são quase sempre as mesmas, os lugares que frequentam, os «amigos», os temas de eleição e os preconceitos divergem muito pouco. Digo-o em generalização e em sentido figurado, claro, mas se estiver a ser injusto não serão muitos os injustiçados.

Uma das versões dessa falta de diversidade é a falta de país nas redacções dos jornais. Não é tanto – também é – a falta de destaque e de notícias sobre o que se passa para lá de Lisboa (sobretudo) e do Porto (um pouco menos) ou, se quiserem, para lá do que preocupa Lisboa ou o Porto. É especialmente a falta de um olhar sobre o que se passa que não seja a perspectiva da capital. A standardização das notícias (muito baseadas nos takes da Lusa) e dos artigos de opinião (muito baseados numa pool de comentadores que se desmultiplica pelos canais de televisão, pelas estações de rádio e pelos jornais, e que se comentam reciprocamente nas redes sociais), é uma incontornável consequência da uniformização de protagonistas, de perspectivas, de preocupações. Insisto, falta país nos nossos jornais (e televisões e rádios).

Poderia dar vários exemplos. Temas como a saúde, como o ensino, como a justiça, são discutidos e desenvolvidos na perspectiva de quem, na sua vida pessoal, alterna entre o Hospital de Santa Maria ou de São João e grandes hospitais privados, de quem tem à sua disposição grandes e conhecidos liceus públicos e vários colégios privados (alguns de língua estrangeira), de quem frequenta os modernos edifícios do Campus da Justiça no Parque das Nações. Esta perspectiva única não representa suficiente ou completamente o país que somos. Os olhos, os sentimentos, as ansiedades, as reais prioridades, de grande parte dos lugares deste nosso pequeno Portugal estão pura e simplesmente arredados do país mediático. E em matérias como a política, a Europa e as migrações, e até a mobilidade, por exemplo, não existe reflexão para lá de Lisboa e do Porto (e mesmo nestes, teremos sempre de falar de uma pequena Lisboa e de um pequeníssimo Porto).

Esta constatação chega a ser bizarra porque não faltam directores, ex-directores, chefes de redacção, editores, colunistas e comentadores, originalmente oriundos desses lugares cujos olhos nos faltam. O problema (não queria dizer problema, preferia continuar a insistir que é uma mera «constatação» …) é que quando penetram nessa pequena Lisboa e nesse pequeníssimo Porto parece que são afectados por uma espécie de metamorfose, que os converte e os faz perderem o olhar de origem. É estranho, mas é assim. Passam a discutir as mesmas causas, a ir aos mesmos lugares (restaurantes, concertos, colóquios, etc), e a viver um mundo que de tão pequeno não nos representa suficientemente mas que, pela sua pena, é o mundo que os jornais retractam e ao qual dão voz.

Manuel Carvalho – um homem de Alijó e do Douro, que vive e conhece bem o Porto para lá daquele «pequeníssimo Porto» dos jornais, e que não cedeu à irresistível metamorfose com a pequena Lisboa que domina os jornais – é uma excelente escolha para a liderança do jornal diário que mais relevância tem (e pode ter) na inversão desta nossa pequenez. Quem lê o Manuel Carvalho (eu leio) sabe que os seus olhos acrescentam, não são mais do mesmo, não estão reféns nem standardizados. Mesmo não sendo a sua primeira vez na direcção do jornal, a sua estreia no cargo de director do Público é uma novidade boa. Porque Manuel Carvalho acrescenta país (para usar a linguagem com que comecei este post). Hoje, que é o primeiro dia da sua direcção, aqui ficam os votos de Boa sorte. A ele e ao «país».

#Escritório
#Saladeestar

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Prego per tutti!


Em Março de 2001, quando caiu a ponte de Entre-os-Rios, estava eu de armas e bagagens em Milão há mais de 6 meses. Já estava na fase em que falava relativamente bem italiano, em que me sentia em casa e em que vivia quase como um italiano. Experimentei – ainda que não completamente – como é fácil a transição emocional de uma comunidade para outra. Se no início lia as notícias de Portugal, seguia os jogos do nosso campeonato e acompanhava as discussões que por cá se alimentavam (não era fácil porque só dispúnhamos de internet na faculdade e os sites eram ainda muito limitados), lenta e progressivamente fui começando a ler os jornais italianos, a seguir (e a ir a San Siro, onde ora jogava o Inter ora o Milan) o campeonato italiano e a interessar-me pelos fenómenos e temas que se viviam em Itália (na música, na política, na sociedade em geral). Lembro-me de pensar como Portugal era distante dos interesses e da «mesa» dos italianos. Para além do futebol, dos calciatores portugueses, que brilhavam sobretudo em Florença, e do Figo (era o tempo áureo do Figo), Portugal não existia em Itália.
O sobressalto com a nação foi-me provocado pela queda da ponte de Entre-os-Rios. Ao fim de seis meses, os telejornais abriram todos com uma notícia de Portogallo. Chocou-me profundamente aquele «regresso a casa» pela boca dos locutores italianos e pelas imagens que repetidamente passavam nos noticiários de um tabuleiro tombado sobre o meu rio Douro. Senti como minha aquela tragédia. Percebi que quando estamos fora se sentem mais os grandes momentos da pátria (acho que o termo certo é pátria). Cheguei a sentir vergonha e embaraço, como é próprio de quando somos nós próprios a falhar à frente de todos. É quase um sentimento de culpa objectiva.
Hoje sinto o mesmo. Mas ao contrário. Itália é seguramente a minha segunda pátria. Onde, insaciável, regresso e regressarei sempre que puder. As notícias da queda da ponte Morandi, em Génova, tocam-me no nervo sensível. Foi em Génova que corri para (voltar) a ver o mar (o mar que Milão não tem e que me faz sempre falta aos sentidos). Foi em Génova que tive uns laivos de Porto (não esqueci como a passeggiata do Corso Italia me sugeriu a minha Foz). E lembro-me de passar na agora fatídica ponte Morandi.
Não consigo ficar indiferente. Quase regresso àquele sentimento de culpa objectiva que me sobressaltou em Março de 2001. Regresso mesmo, aliás.
Prego per te e per tutti!

#Jardim

Férias (I)

Há a luta das malas e da acomodação das tralhas no carro. Esse é um clássico anual a que ninguém escapa (espero nunca escapar, que é sinal que continuo a poder ir para fora, a fazer malas e a passear-me por aí!). Mas há outros «clássicos».
Um dos que me tem interpelado – porque é estranho, reincidentemente estranho – é o dos objectos prometidos de férias. Prometidos de férias? Isso, prometidos – prometemos-lhes um amor que depois não lhes devotamos (nunca lhes devotamos!).

Nós sabemos que não lhe vamos tocar. Que não vamos ter qualquer vontade (quanto mais tentação!). Mas insistimos e incluímos no lote (às vezes bem restrito!) dos indispensáveis de férias (ao lado do fato de banho, da saca de higiene e de uma dúzia de peças de roupa).

Para uns é a raquete de ténis (é este ano que vou combinar uns jogos de manhã antes de ir para a praia!). Para outros é o livro clássico do (introduzir um autor qualquer clássico) que tenho de ler de uma vez por todas (vai ser este ano!). Para outros, as sapatilhas (vou mesmo correr ao fim do dia!). Por regra – isso é certo! – é um objecto volumoso e chato de «encaixar» (até o livro tinha de ser de capa dura e de 500 páginas …).
Invariavelmente, o tal livro que temos de ler, a raquete de ténis, as sapatilhas (já agora, viram como ténis é uma coisa e sapatilhas é outra?) lá vão para dentro da mala. E, invariavelmente, o tal livro que temos de ler, a raquete de ténis, as sapatilhas, regressam incólumes dentro da mala. Porque a reserva mental é sempre a mesma.

Eu acho que o objectivo é outro. Não é nem começar a correr, nem jogar ténis, nem ler o tal livro que temos mesmo de ler e que nunca nos apetece. É não nos pesar a consciência! E reconheço que partir de férias com peso na consciência não faz sentido (já chega o resto). Ninguém tem de assumir antes de tempo que não vai jogar ténis, nem correr, nem ler o tal livro que é vergonhoso ainda não ter lido. Eu percebo. E cumpro!, em detrimento do que for preciso. Este ano, por exemplo, deixei para trás umas garrafas de um óptimo vinho sob a promessa – mais uma … – de que «depois compro lá e bebo na mesma». Não bebi, mas parti de consciência tranquila.

#Saladeestar

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

João Soares da Silva

Foi um dos fundadores da sociedade onde tenho a honra de trabalhar há já 12 anos. O seu nome, aliás, é um dos que figura no nome da própria sociedade. Não precisaria de mais para lhe prestar a minha sincera homenagem.

Era dos advogados mais notavelmente desassossegados que conheci. Mesmo estando nos píncaros da carreira, da reputação, da sofisticação jurídica e do reconhecimento, nunca lhe conheci qualquer sinal de cedência ou de conformismo.

Procurou sempre mais e melhor. Estimulou sempre mais e melhor. Gerou sempre nos que o rodeavam, mais e melhor. Já não tanto para si mas para a sociedade de advogados que criara e geria. Para nós, portanto.

Não será surpreendente dizer que a “Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados” é um fruto reluzente da sua dedicação à profissão. Mas eu arrisco dizer que a prestação de serviços de advocacia em Portugal mudou e evoluiu muito pela sua mão. E serão muito poucos (serão?, hesito no plural) de quem poderemos dizer o mesmo.

A minha homenagem e o meu agradecimento.

#Jardim

40

Não há essa coisa da entrada nos entas com a importância que sugerem as felicitações. Passados dois dias já ninguém liga, e termos 39, 40 ou 41 é exactamente a mesma coisa (ninguém olha para nós na rua tipo “olha vai ali um senhor que já tem 40!”).
Os 40 também não são os novos 30. Eu lembro-me bem como era quando tinha 30. E mesmo eu - que me acho fácil - já não corro por uma noite como corria quando tinha 30.
E olhem que aos 40 não estamos tão “entradotes” como um dia (injustamente) achámos que os nossos pais estavam quando os vimos a fazer 40 - ainda estamos para as curvas por muito que gostem de insistir na ideia de que agora vai ser sempre a descer (isso já era aos 30...).

O melhor de fazer 40 - o que é quase incrível nesta viragem dos 40 - é que os encontros se precipitam. Muitos deles “velhos” encontros. Parece que há uma espécie de “toca a rebate” e que de repente voltamos a falar com aqueles amigos com quem, aos 10 anos, fazíamos um programão à volta de uma bola, com quem, aos 14, bebemos mais do que duas cervejas pela primeira vez numa noite (faço-me entender?), com quem fizemos erasmus aos 20, com quem partilhámos a aventura do primeiro trabalho depois do curso.
E há um certo regresso à família, aos primos “antigos” e até adiados.
Não sei bem explicar. Há qualquer coisa de puro e de cândido que os 40 nos trazem. Não é bem os 40, mas vem por causa da efeméride dos 40.

Já não sei quantos contactos actualizei por estes dias. Quantos abraços pude dar ou enviar. Quantos “que é feito?” me ouviram ou dirigiram. O que sei é que se eu soubesse que era assim já teria simulado estes 40 que o bilhete de identidade agora confirma (digo sempre bilhete de identidade, que não me sai cartão de cidadão) .
Eu prometo que não mais saio do modo 40. A sério que prometo.
PS. Nem sei bem como agradecer a avalanche de parabéns que recebi. O mínimo - que acho que já consegui cumprir - era agradecer individualmente a cada um. Mas renovo aqui um “obrigado” comovido!

#Jardim

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Caros

Camarada para lá, camarada para cá. É quase um dialecto obrigatório à esquerda. Um qualquer congresso do PCP ou da CGTP (na CGTP diz-se congresso não diz?) o camarada ou o «caros camaradas» é uma espécie de «portanto» como auxiliar obrigatório de discurso. E ai de quem não gastar o termo! No PS já não é tanto assim, quer dizer, tratam-se por camaradas porque se querem identificar como de esquerda, mas em muitos casos soa a esforçado e pouco natural (olhamos aos actuais ministros e vemos quão artificial lhes ficará um «camaradas»).
À direita o termo é sobretudo o «caros companheiros» (quem não se lembra do António Pinto Leite no púlpito e em esforço a tentar acalmar os congressistas do PSD que apupavam Luís Filipe Menezes por causa do «sulistas, elitistas e liberais»? «Companheiros, companheiros!» gritava em vão).
Bem, mas o «companheiros» é um fraco oposto ao «camaradas». E se todos imaginamos um «camarada», ninguém se identifica com um «companheiro». Até porque nos dias que passam «o companheiro» faz as vezes, em português vergado ao socialmente correcto, da mulher ou do marido (fulano de tal e companheira, convida-se agora). Nem a fonética safa o companheiro (nisso o camarada é imbatível).
Outra alternativa ao «camaradas» é o «colegas». Mas se é verdade que «colegas» não tem a conotação do camaradas, esbarra na boutade de que «colegas são as p…» (sempre se disse).
Nunca gostei do colegas, devo dizer. Sobretudo porque é um termo que à minha volta servia de alternativa ao «amigos». Na escola havia os que diziam «um colega meu» em vez de «um amigo meu», e eu sempre fui mais de amigos do que de colegas. Já sei que na profissão que escolhi fui cedendo em quase toda a linha (recorro generosamente ao «ilustre colega», ao «caro colega», ainda que sem a pose e a condição das primeiras vezes). É muito assim nas profissões do foro (ainda se diz profissões do foro, ou soa a antigo ou presunçoso?). Lamento mas o colegas chega a ter o seu quê de desprezo («– Quem é aquele? – É um colega meu.», é fraco não é?).
Eu tenho solução. Se não me revejo no camaradas. Se não me identifico com o companheiros. Se não adiro ao desprezo do colegas. Se não posso – reconheço que nem sempre dará – recorrer ao «meus amigos» (não pode ser como o Facebook em que temos milhares de «amigos»). Fico pelo caros. Cabem todos sem conotação, sem desprezo e com boa fonética. Não concordam meus caros?
#Saladeestar

terça-feira, 24 de julho de 2018

Tragédia grega


Custa-me – quase não consigo – ver as imagens da tragédia na Grécia. As chamas colossais, os automóveis em carcaça, a imagem do desespero dos que fazem o rescaldo ou que deambulam pelos restos de destruição, os relatos desesperados. Não consigo. Porque imagino o que lhes vai na alma. E imagino (mais que imagino) o que viveram, o que anteciparam, o que lutaram. Sinto-me irmanado.

Nunca imaginei – até passar pelo 15 de Outubro – como é estar subjugado ao poder louco do fogo. Passei a lidar pior com estas desgraças.

Rezo. Rezo muito por aquelas vítimas.
Que tragédia, meu Deus!


#Jardim

segunda-feira, 16 de julho de 2018

As ruas de Paris

Ontem, a propósito da final do Mundial e das ruas de Paris, lembrei-me de mim na nossa final e nas ruas de Paris. Pelas melhores e pelas piores razões. As primeiras – óbvias – hão-de ser sempre as mais memoráveis. A jornada (no sentido de viagem e epopeia) e a vitória em que esta culminou há já dois anos! As piores não são nada boas. Porque são preocupantes e renovam-se sem freio. Já explico.
Naquele Verão de 2016 (era o tempo em que Junho e Julho eram mesmo Verão) fui iluminado pela sorte nas grandes decisões. Decidi guardar-me para a final e para o caneco, e acertei. Decidi viver as ruas de Paris antes do jogo, e acertei. Fui sem crainças, e acertei.
Depois das redes balançarem sob pressão do improvável tiro do improvável Éder. Depois de ter perdido a voz e o sentido de orientação (voei, eu acho que voei naquela bancada). Depois de ter abraçado mil (devem ter sido mais até) loucos aos gritos como eu. Depois da festa do caneco (era nosso!). Depois de tudo a que tinha direito decidi, não sei bem porquê, ficar no palco da nossa glória até à última lâmpada se apagar. Eu e os 15 ou 20 com quem estava. Ficámos ali, de bancada em bancada, a esgotar a memória e a bateria dos telemóveis.
Mesmo depois das portas fechadas, deixámo-nos ficar à volta do estádio, nas routlottes, ainda meio incrédulos e excitados com o que acabáramos de viver. Foi tudo demasiado bom.
Lá para a uma ou duas da manhã (já não sei se uma se duas), decidimos finalmente avançar para o centro de Paris. Vamos beber uns copos e festejar para os campos Elísios!, pensámos, enquanto nos enfiávamos no metro a cantar («pouco importa, pouco importa, se jogamos bem ou mal, …», lembram-se?).
Já tenho muitos quilómetros. Já fui muito longe para ver o meu clube e a minha selecção. Mas nunca me senti como daquela vez no metro de Paris. E depois do metro (de onde saímos antes do destino) nas ruas da cidade.
Por onde andássemos o ambiente não era bom. No metro fomos cercados (literalmente) por dezenas e dezenas de miúdos (alguns já com 20 ou mais anos). Por instinto, no meio de apertões, gritos de ameaça, mãos a entrar-nos nos bolsos, saímos na primeira oportunidade.
Já cá fora percebemos que a cidade estava dominada. Não saberei exactamente de que comunidades seriam aqueles grupos, mas eram maioritariamente magrebinos e africanos (não vale a pena estar aqui com eufemismos). Falavam num francês muito difícil de perceber. E estavam por todo o lado. Deliberadamente à procura de conflito, de vítimas, de estragos. Foi horrível.
Naquela ocasião de tensão, percebi várias coisas. Desde logo percebi que foi prudente ter resistido à tentação de levar comigo o meu filho de 10 anos (éramos 15 ou 20 homens com menos de 40 anos e estávamos a passar mal, a sentirmo-nos ameaçados, e a temer pelo desfecho da nossa legítima festa). Percebi que foi muito bom termos vivido as ruas de Paris antes do jogo. Percebi que foi inteligente (foi sorte, porque não foi pensado) termos ficado a festejar dentro e à volta do estádio, onde não faltava segurança musculada para nossa tranquilidade. E percebi que Paris não está nada bem.
Naqueles grupos muito diversos e numerosos que dominavam Paris (dominavam mesmo) havia uma agressividade, uma postura de imposição e de ameaça que revelavam total segregação, falta de integração e diria que vontade de domínio. Estarão a pensar que há aqui muita generalização. Talvez, mas olhem que fiquei a pensar no futuro daqueles espaços, daquelas populações e daquelas boas memórias que Paris e a França nos suscitam. E o que foi mais assustador foi a sensação de capitulação e entrega. As forças de segurança tinham cedido. No metro, por exemplo, os 4 polícias que encontrámos refugiaram-se connosco numa única carruagem (deixando as demais entregues…). E nas ruas não se encontrava vivalma fardada.
Passados dois anos não me surpreendem absolutamente nada as imagens das «comemorações» descontroladas em Paris.
Até quando vamos ignorar as Ruas de Paris?
#Saladeestar

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Seja com quem for. Venha quem vier.


Não posso ser mais avesso ao deslumbre. E sou mais ainda quando não o sinto minimamente correspondido.
E o sentimento não muda por muito que em causa esteja uma personalidade interessante (não confundo).
A vinda de Obama hoje a Portugal tem os ingredientes todos do deslumbre não correspondido a que sou avesso. Está lá tudo. Tresanda a especial favor. Tresanda a pouca entrega. Tresanda a despacho e a negócio.
Eu não estou a dizer que acho mal que ele se faça remunerar principescamente (ainda que ache sempre estes honorários – por meia hora de doutas palavras – um ligeiro exagero …). O que estou a dizer é que devemos ser mais exigentes.
Se o objectivo é o efeito âncora (atrair mais participantes ao evento, poder dizer que o Obama é um dos oradores, poder dizer que o Obama veio ao Porto, e com isso elevar a relevância e o impacto do evento) eu sei que ele se basta com um «toca e foge» (tão depressa aterra, como fala, como se vai embora). Mas é curto. Muito curto.
Demonstra desinteresse do próprio (nem sequer se interessa por conhecer o lugar que o convida, que se mobiliza para o ver e que se esforça por lhe pagar principescamente). Demonstra qual é o seu foco (despachar e cobrar). E põe a nu a nossa fragilidade (somos anfitriões fáceis e pouco exigentes).
Posso estar a ser injusto (às tantas, ainda que por alto preço, o homem está mesmo a fazer um esforço para cá vir). Mas eu não sinto o mais pequeno deslumbre em circunstâncias como estas. Seja com quem for. Venha quem vier.

#Saladeestar

terça-feira, 3 de julho de 2018

Bela lição


Pode não parecer nada de especial. Mas olhem que é. Isto dos japoneses saírem do estádio, depois de um jogo dos oitavos de final de um mundial (em que foram eliminados no último segundo), deixando o balneário irrepreensivelmente limpo com um bilhete a agradecer, é notável.
Não é só porque objectivamente é bonito e fica bem. Não é só porque percebemos que é genuíno e natural (não se trata de um «número» isolado para a fotografia). E não é só porque contrasta com o comportamento dominante (que nem eles nem eu pretendo criticar).
O que aprecio mais é a oportunidade que os japoneses não perderam. A oportunidade de, estando perante uma audiência global, darem o exemplo, interpelarem, influenciarem.
A verdade é que ficámos todos a pensar como deveria ser sempre assim. Como deveríamos nós, adeptos, recolher os nossos próprios despojos antes de abandonarmos um estádio (e quem diz um estádio diz qualquer local público que tanto pode ser uma praia, um parque ou um recinto de concertos). Como deveríamos nós, desportistas (amadores ou profissionais, importantes ou não), cuidar dos espaços que frequentamos. Como, independentemente da fortuna de uma disputa, deveríamos sempre agradecer quem nos acolhe. E sempre com absoluta naturalidade.
Educação (pelo exemplo) é isto. E que bom que os japoneses não desperdiçaram a oportunidade de nos darem esta bela lição.


#Saladeestar
#Saladejogos

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Futebol e vinho entre Trump e Marcelo

Acho, sinceramente, muita piada às reacções geradas pelo encontro na sala oval entre o Trump e o nosso Marcelo.
Por várias razões, devo dizer.
A primeira delas é pela extraordinária versatilidade que aquele momento proporciona. Está ali um momento para quaisquer gostos e preconceitos.
Reparem bem.
Para quem gosta do Marcelo todo aquele diálogo serviu para os mais rasgados elogios. «Lição de história!», «Classe de Marcelo», «É assim mesmo, Portugal não é os Estados Unidos!». Já para não falar do à vontade e da postura em geral notável de Marcelo.
Para quem não gosta ou não é um indefectível de Marcelo o diálogo serviu para demonstrar o quão ridícula foi a abordagem. «Falar de futebol? Por amor de Deus!», «E de vinho?», «Não havia nada mais importante para falar com o presidente dos Estados Unidos?». Tudo aquilo foi ridículo e constrangedor.
Mas a versatilidade continua. Reparem agora.
Para quem não gosta de Trump a conversa foi uma ilustração lapidar do confronto entre um ignorante (Trump, claro) e o professor (Marcelo, naturalmente) – meteu lições de história, de vinho e de futebol, em que Trump sorria meio atarantado ante a sapiência e superioridade do nosso Marcelo (que até saiu vencedor do confronto do bacalhau!). Trump não estava preparado (aposto que nem foi «briefado» para o encontro).
Para quem gosta de Trump (ou talvez para quem não hostiliza Trump) o diálogo serviu para demonstrar a sua simpatia e disponibilidade (que é o presidente dos Estados Unidos da América, não esqueçamos o peso do cargo) para com o Chefe de Estado de um país como Portugal.

Não vou contrariar nenhuma das leituras. Estão todas certas, devo dizer. Afinal, é por essa razão que achei piada ao momento.
Mas e a segunda razão? Não eram várias as razões para ter achado piada?
Várias talvez seja exagero. Mas há uma segunda (a mais curiosa, devo dizer).
É que mantém-se o mito de que as conversas entre Chefes de Estado – os cumprimentos nas residências oficiais, nas cimeiras pomposas ou jantares – são sempre momentos de grandiloquência e profundidade. Continua meio mundo a achar que entre apertos de mãos para as fotografias, entre imagens de encontros frente a frente ou lado a lado com câmaras na sala, os protagonistas tratam das grandes questões do mundo, ponderam posições e opções delicadas e marcam a história para todo o sempre.
Não me levem a mal se vos desfizer a ideia romântica. Não. Naquelas ocasiões fala-se de tudo e mais alguma coisa com um único propósito: evitar silêncios, gerar expressões de boa disposição e passar a ideia de boas relações (ou propósito de boas relações, pelo menos).
E sim. Fala-se de futebol, de vinho, de meras curiosidades. Como pessoas normais (que às tantas até serão … outro mito ...).

#Saladeestar
#Escritório

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Fernando Guedes

Serão relativamente poucos os grupos económicos de relevo em Portugal. Desses grupos económicos também não serão muitos os que lograram internacionalizar-se ao ponto de se poderem dizer multinacionais. E desses grupos ainda serão menos os que se poderão afirmar de referência mundial na sua área de actividade.
A Sogrape de Fernando Guedes foi e é um desses raros exemplos. E o que é mais extraordinário é que essa referência que a Sogrape protagoniza se fez com os ingredientes que qualquer «business plan» rejeitaria.

A Sogrape baseou-se a norte, em Vila Nova de Gaia (baseou-se mesmo, não se ficou pela cosmética de uma sede simbólica, para depois instalar os seus administradores na cercania da Presidência do Conselho de Ministros). Criou centenas de empregos (mais e menos qualificados) quer no próprio grupo quer à sua volta. Insistiu num sector tradicional – o vitivinícola – emprestando-lhe uma dinâmica de organização e empresarialização notáveis. Olhou com olhos de ver para o interior e o seu território meio esquecido – enviando e atraindo profissionais, destinando investimento, criando estruturas de futuro. Lançou-se, depois, ao mundo (foi mesmo até ao outro lado do mundo!). E sempre a partir do improvável (e não simbólico) norte de Portugal. Eu, que não sou um especialista no sector dos vinhos (poupo-vos à graçola de que sou um especialista de copo na mão), fico sempre meio embaraçado (qual devedor perante o credor) quando olho para um legado como este.

Não sou muito dado a juízos de justiça pela morte (a frase feita de que a morte é muito injusta é sobretudo uma manifestação natural, humana e irresistível de incompreensão). Mas já sou dado a juízos de justiça pela vida.
É certo que, de um modo geral, foi dado algum eco da partida, aos 87 anos, de Fernando Guedes. Mas num país que faz capas com tanta gente – notável, seguramente – há uma justiça que fica por fazer. Nem que seja por comparação.
Podia dar o exemplo de Anthony Bourdain (o Pedro Boucherie Mendes dizia mais ou menos o que aqui digo ilustrando com o exemplo de Bourdain). Eu ilustraria com o exemplo do fundador do Lux (desculpem dizer fundador do Lux porque, ignorante como sou, e com todo o respeito, tive de ir ao Google para saber que se chamava Manuel Reis).
Fernando Guedes não «mereceu» as capas que os jornais ofereceram a Bourdain ou ao Manuel Reis do Lux. Esta mera constatação é todo um programa sobre o que somos colectivamente e sobre quem nos interpreta nos media.

Porquê que somos assim? Não sei. Talvez não houvesse capas que justificassem (que fizessem devida justiça). Talvez seja isso.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Questões verdadeiramente importantes


- O que é que interessa o Bruno de Carvalho ou o Lopetegui, ou as rescisões, ou a greve dos professores, ou o Kim e o Trump?
- Como assim, não são questões importantes?
- Não interessam nada, pá.
- Então o que é que interessa?
- O que é que interessa? Há questões que há dezenas de anos que estão por responder!
- Quais?
- Por exemplo:
Que outros Santos, para além do Santo António, se festejam em Lisboa no mês de Junho? Ai «vou aos Santos» - dizem todos - mas eu só os vejo a festejar o Santo António. Quem são esses outros Santos de que ninguém fala?
- Bem visto.
- E outra incontornável:
«Santo António já se acabou, o São Pedro está-se a acabar, São João, São João, São João, dá cá um balão para eu brincar».
- É uma música tradicional. O que é que tem?
- O que é que tem? Então o Santo António é dia 13 e antes do São João. O São João é dia 24 e antes do São Pedro. O São Pedro é dia 29.
Porque raio no São João se canta que o São Pedro está-se a acabar se o dia ainda nem chegou?

#Saladeestar

terça-feira, 12 de junho de 2018

Trump / Kim – é a Paz que importa

O «mas» que se coloca, a «reservazinha», a dificuldade ou mesmo desconforto em reconhecer o sucesso que é juntar os dois Presidentes – o dos Estados Unidos da Améria e o da Coreia do Norte – é todo um programa.
O embaixador Francisco Seixas da Costa – sempre tão interessante e tão bem documentado – logo veio lembrar (como quem diz que o acontecimento é só um bocadinho melhor) a visita à Coreia do Norte de Madeleine Albright em 2000. Talvez essa visita esteja ao nível da de Mike Pompeo (que já lá foi duas vezes este ano).

O encontro de Presidentes de hoje, por muito que queiram desvalorizar por ser Trump, é objectivamente importante para a pretendida Paz para a Península da Coreia e para a aquela região do mundo (e não tem «cromo para a troca»).
Para quem gosta ou pelo menos não hostiliza Trump também não precisará de exagerar com exigências do tipo «Nobel da Paz!» – esses exageros só aos «bons» são consentidos (e conseguidos). Mas para quem não gosta e combate a todo o transe o actual presidente dos EUA recomendo que não se perca no meio dos seus sentimentos. É que há eventos ou conquistas que têm valor por si, independentemente de gostarmos ou não dos protagonistas. E quando estamos a falar de avanços na Paz não podemos ceder nem deixar suspeitas relativamente ao essencial das nossas convicções. Em assuntos de tão extrema importância não nos fica bem a reserva de clubite. No caso, é a Paz que importa.

#Escritório

Nunca pensei que demorasse tanto


Enganei-me completamente. Eu achava que ao fim de um ano não haveria um jogador de qualidade que quisesse ir para o Sporting (e quem diz um jogador diz um treinador). Os termos de qualquer negociação, a relação avessa com a verdade e a previsibilidade, a quase irracionalidade, haveriam de ditar o fim de Bruno de Carvalho. Sempre esteve à vista de todos. O calvário dos preços absurdos, as cláusulas gulosas anti rivais, as condições remuneratórias chico-espertas. Tudo (e tanto mais) manifestações que nunca foram expressão de genialidade e de boa gestão. A qualquer renovação, transferência ou empréstimo, estavam invariavelmente associados episódios caricatos e absurdos.



O que é paradoxal é que se é verdade que são essas características de Bruno de Carvalho que ditam a desgraça do momento do Sporting, é também verdade que foram essas características que ditaram a aparente glória financeira que todos ressalvam e lhe louvam.


Ao contrário do que pensavam (e porventura muitos ainda contemporizarão) Bruno de Carvalho nunca foi bom para o Sporting. A irracionalidade, a chico-espertice e a loucura até podem resultar transitoriamente. Mas acabam sempre mal. O método foi sempre mau.


Eu achava que seria um processo natural e não muito demorado – antecipei que bem cedo Bruno de Carvalho estaria exposto. Enganei-me.


Demorou mais o tempo em que os jogadores iam para o Sporting apesar do clube ser presidido por Bruno de Carvalho. E chegou mais tarde o tempo em que os jogadores já não querem o clube presidido por Bruno de Carvalho apesar de ser o Sporting.

#Saladejogos

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Cecília Meireles

A militância partidária faz-se muito da tensão entre os equilíbrios internos (que se exprimem especialmente nos actos eleitorais para as estruturas partidárias) e a capacidade de estar aberto a quem olha de fora, a quem tem verdadeiramente o poder eleitoral de tornar relevante cada partido (até porque é dessa relevância que depende, depois, a capacidade de dar expressão ao programa do partido). Quanto mais valorizada for essa capacidade de interpretar quem olha de fora, em detrimento da sensibilidade para os equilíbrios internos, maior será a relevância do partido e, portanto, maior será a expressão que o programa do partido terá na vida colectiva (afinal, é esse o verdadeiro propósito). Se quiserem, numa frase, muito mais importante que agradar aos militantes importa compreender e corresponder aos eleitores. E se os militantes perceberem isso não chegará, sequer, a haver qualquer «oposição» entre uns e outros.
No caso do CDS, onde milito, essa abertura a quem nos vê de fora tem tido particular expressão nas pessoas que vem agregando à sua volta, na dinâmica de atracção de «boas cabeças», na capacidade de preencher os lugares relevantes com gente que compara para (muito) melhor com a «concorrência».
E em certa medida, é das pessoas que advém a ambição do CDS no actual contexto do centro-direita político.
Mesmo os mais exigentes sabem que na direcção nacional, na bancada parlamentar, na elaboração do programa do partido, o CDS agrega pessoas qualificadas e com capacidade de alargar eleitoralmente o partido.

Há pouco mais de dois meses, quando integrei a lista da Isabel Meneres Campos para a concelhia do Porto, experimentei com especial acuidade o que representa isso da tensão entre os equilíbrios internos e a capacidade de estar aberto a quem olha de fora. Pouco me interessaram aqueles, devo dizer. Estive e estou com a Isabel pelas melhores razões.
Agora, o calendário eleitoral interno coloca-nos perante a escolha de uma nova liderança para a distrital do CDS Porto (a maior distrital do partido).
Não sei, sinceramente, que melhor critério deva seguir que não seja o de procurar interpretar o nosso eleitorado. Imagino as questões que se possam colocar. Que liderança pode desafiar mais e melhor o CDS e os eleitores do CDS? Que liderança pode projectar mais e melhor a influência e a presença do CDS na nossa vida colectiva? Que liderança pode gerar a confiança que os eleitores do centro-direita querem e ainda procuram?

Eu vejo na Cecília Meireles essa líder. Enquanto deputada e vice-presidente do Partido, reconheço-lhe uma invulgar capacidade de trabalho, de dedicação, e sobretudo, de competência política. Reconheço – o que não é menos importante – que quem nos vê de fora lhe reconhece essas qualidades políticas. Se esta constatação não fosse já suficiente, valeria a pena olhar ao modo generoso, humilde e entusiasta com que se apresenta a eleições para a liderança da Distrital do Porto.
Ora eu não estaria a ser consequente se não oferecesse à Cecilia Meireles o meu apoio – e mais que apoio, a minha participação. Seria até um desperdício não aderir à ambição da Cecília.

Há também um sinal político que o CDS pode retirar deste acto eleitoral interno (e nós sabemos bem como têm valor os sinais políticos). Depois de uma líder nacional – Assunção Cristas –, depois de uma líder concelhia – Isabel Meneres Campos –, podemos ter uma líder distrital – Cecília Meireles. Só no CDS e no Porto, antes de qualquer outro partido e lugar. Também esta é uma oportunidade.
Força Cecília Meireles. Conta comigo.


#Escritório

terça-feira, 29 de maio de 2018

Intervenção

- Pede a palavra para que efeito, cidadão José Maria Montenegro?
- Não é para uma interpelação à mesa nem para uma declaração de voto (que eu não sou deputado). Era apenas para uma breve declaração de louvor.
- Tem a palavra, cidadão José Maria Montenegro.
- Muito obrigado Senhor Presidente.
Senhoras e Senhores Deputados. Muitos parabéns.

#Escritório
#Jardim

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Duvidar de nós próprios


Ainda que imposto à pressa, o debate sobre a eutanásia tem servido para conhecer imensos testemunhos incríveis.
De pessoas que se dedicam aos cuidados paliativos e no fundo dão expressão real e consequente à frase feita sobre o que é isso do «direito a morrer com dignidade». E de pessoas concretas que passaram pela decisão de pôr fim à vida e que sobreviveram a essa decisão. Ler ou ouvir estes testemunhos deveria ser suficiente para percebermos como admitir a eutanásia é um absurdo.

Porque é de elementar prudência desconfiarmos de nós próprios, da duvidosa liberdade com que, em momentos limite e de desespero, formamos e manifestamos a nossa vontade, de como somos incoerentes e repetimos arrependimentos. E quando essa fragilidade humana está directamente ligada a viver ou não viver, não podemos negar nunca o arrependimento e a incoerência. Na verdade, devemos mesmo presumir inilidivelmente como condicionado e imprestável um pedido de alguém para pôr fim à vida. Tenho medo de viver numa sociedade que desista de mim. Que não duvide de mim.

#jardim

Sócio-gerente é fajuta


Eu ainda sou do tempo em que o primeiro-ministro era presidente do conselho de administração da PT, do BCP e da TVI. Tudo ao mesmo tempo.
Desculpem lá mas ter agora um ministro ou secretário de estado sócio-gerente chega a ser fajuta.


#Escritório
#Saladeestar

terça-feira, 22 de maio de 2018

RGPD


- E o novo Regulamento Geral sobre Protecção de Dados?
- É importante. Tem sido tema de muitas sessões de formação, tem gerado sobressalto quanto baste em imensas organizações e tem dado trabalho a muito boa gente.
- Tudo muito certo (ou nem por isso). Mas não percebo nada.
- Mas olha que é espectacular.
- Espectacular?
- Pá, é tão espectacular que até está a dar para me livrar das milhares de mailing lists em que nem sabia que estava!
- Isso é espectacular. Tens razão.

#Saladeestar