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sexta-feira, 28 de setembro de 2018

HIVA•OA (eu digo HIVAOA tudo junto)


«Arrenda-se»!, anunciam. Arrenda-se? Como assim? O HIVAOA? Não sei de quando é o anúncio mas apercebi-me agora e ainda estou em negação.
Como é que vou viver sem aquele avançado, com letras de neons «HIVA•OA, Polinesian Bar»?
Que será daquelas escadas entre o passeio e a porta mais histérica e icónica do Porto?

Eu sei que me fiquei sempre pelas promessas não sérias, à saída da Cufra, do tipo «a ver se um dia destes passo esta porta». Nunca passei. Talvez hesitasse pelo preconceito (estúpido e meio inconsciente) das luzes e recanto me sugerirem uma «casa de diversão» (que eu sabia que não era). Mas que interessa isso? Ainda noutro dia vi imensa gente a protestar contra o fecho da Pastelaria Suíça em Lisboa e era tudo gente que não punha lá os pés! E eu não estou a protestar, estou a verter uma lágrima de comoção pela perda (o que é diferente).
A avenida nunca mais será a mesma sem o HIVAOA. Sem os neons ao lado da Cufra. Sem a porta histérica.
PS. Anda meio mundo entretido com a escarpa da Arrábida. Que interessa isso se ficamos sem o HIVAOA...

#Saladeestar
#Salaodevisitas

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Pelo contrário


Desculpem, mas não estou com os indignados.

Nunca gostei daquela escarpa abandonada, com lixo e matagal selvagem. Como nunca gostei da anterior fábrica de cimento (sim, fábrica de cimento!, parece que já nem nos lembramos …). De um modo geral, entre os vários «antes» e «depois» que conheci ou conheço ao longo da marginal, o único que verdadeiramente não gosto (e já tem muitos anos) é a bomba da Repsol. De resto, que se reabilite. Que se construa com estética (como parece ser o caso da polémica destes dias). Que se limpe. Que se dê vida.

E sim. Gosto dos edifícios de habitação tal como constam nas imagens do projecto.

Aliás, quando olho para aquela escarpa penso noutras escarpas e lugares. Penso na escarpa da Ribeira, por exemplo (e que bem que ficou aquele denso casario …). Penso na antiga praça da câmara municipal (e que majestosa que ficou a Avenida dos Aliados …). Penso até no casario que ocupava o que hoje é a Avenida da Ponte (e que importante foi para a incrível Ponte D. Luís …). Talvez claudique quando penso no antigo Palácio de Cristal (que não conheci mas cujo nome chegou até hoje).
Por mim não sou adepto do «não se mexa», «não se inove», «não se construa». Antes pelo contrário. Bem antes pelo contrário.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Regime Simplificado (momento de auto-publicidade)

Olhem, se quiserem perceber, em linguagem animada, o que aconteceu ao regime simplificado, vejam.

Sim. É auto-publicidade. Mas até acho que é útil.


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Em 2. lugar do ranking para viver ...


Sim, eu babo. Se me tivessem perguntado eu talvez tivesse exagerado ainda mais. Claro que é a melhor cidade do mundo. Para viver. Para crescer. Para ser feliz.
E agora até acrescentamos essa coisa tão pouco nossa – mas tão comovente – de a sentirmos melhor do que antes (libertámo-nos heroicamente do «antes é que era»).

Eu, por acaso, digo dela o que nunca lhe ouvi dizer. Não há lugar no mundo que faça de um qualquer fotógrafo amador uma espécie de Picasso da fotografia (um Cartier-Bresson, para os entendidos). O Porto até isso faz. Faz faz.

#Salaodevisitas

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

E no Porto?

1. Ganhou Rui Moreira. Foi justo e importante. Tenho a certeza que o mandato será melhor que o discurso de vitória.
2. Há qualquer coisa que eu não percebi na vitória de Manuel Pizarro. Escapou-me. Mas lá que o discurso foi empolgado, isso foi.
3. Álvaro Almeida teve a serenidade e a postura que não lhe conheci quando se apresentou. Na reação aos resultados contrastou com o fraquíssimo resultado.
4. Há muita gente de parabéns. Muita gente de que gosto muito. E há agora projectos e ideias a cumprir. A bem do Porto!


#Escritório
#Salaodevisitas

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Ainda não

Não vou ser «desmancha prazeres». Não é o meu estilo. Muito menos com o meu Porto.
Mas não vejo motivos para celebrar. Ainda.

A escolha do Porto para a candidatura à sede da EMA é um bom sinal. E serviu para outras conquistas, não directamente relacionadas com esta à sede da EMA, mas que vieram por arrasto (como a de expor o absurdo centralista que nos governa e – não menos importante – o de nos pôr alerta para outras oportunidades em benefício do país todo). Mas sejamos objectivos. Não é uma grande notícia ao ponto de nos pôr a festejar. Sinceramente, ainda não.

Dito isto, não hesito nos adjectivos. Se o Porto conseguir, de facto, atrair a sede da EMA será a maior conquista para o desenvolvimento da cidade de há muitos, muitos anos. Não estou a exagerar. Quem olha aos números da Agência – ao orçamento, ao número de trabalhadores e respectivos salários, às viagens a que obriga, às reuniões que promove, às dormidas na região, etc. – conseguirá ter bem a noção do impacto que a instalação de um organismo destes poderá ter na nossa cidade.

Acredito muito nas nossas gentes. Especialmente naqueles a quem, em nosso nome, cabe gerir estes dossiers. Diria que é justamente essa a sua expertise. Ana Lehman (agora de saída da InvestPorto para o governo, mas para uma pasta não totalmente desligada do tema), Ricardo Valente, Filipe Ortigão Guimarães, o presidente Rui Moreira. São – têm sido – uma equipa com excelentes resultados na atracção de investimento e na capacidade de seduzir quem pensa em nós. E, neste dossier em concreto, o envolvimento de Eurico Castro Alves fez e faz todo o sentido.


Eu quero festejar. Mas ainda não.

#Escritório
#Salaodevisitas

terça-feira, 4 de julho de 2017

A taxa turística

Sou, por princípio, avesso à criação de novos tributos (porque os que temos são mais que suficientes). E no caso da taxa turística de que agora se fala para o Porto, não alinharei numa espécie de preâmbulo que se dedique a invocar a necessidade de chamar os turistas a contribuir para os serviços públicos de que beneficiam porque cá não pagarão impostos. Este argumento não serve nem é verdadeiro. Os turistas pagam e ajudam a pagar muitos impostos. Pagam o IVA dos seus consumos em hotéis, restaurantes, transportes, compras e tudo o mais. Contribuem para a solvabilidade e lucros de muitos negócios (e, portanto, têm a sua «quota-parte» no IRC e derrama municipal dessas entidades), propiciam a recuperação de património (com uma infindável lista de sectores de actividade e entidades – sujeitos passivos de imensos impostos –, directa e indirectamente beneficiadas). Não faltam transmissões onerosas de imóveis directamente provocadas pelo turismo (com as devidas receitas de IMT para os municípios), não cessam de aumentar os veículos dedicados e justificados pela actividade turística (mais imposto automóvel, mais imposto municipal sobre veículos, mais imposto sobre os produtos petrolíferos, mais IVA). E nem falo das receitas directas pela contraprestação que pagam em cada visita e utilização de serviços municipais e estaduais (como museus, salas de espectáculo ou monumentos). Enfim, a contribuição dos turistas para as receitas tributárias do Estado e dos municípios é incontestável e não é de pequena monta. Não serve, portanto, o argumento de que têm de ser chamados a contribuir porque, em boa verdade, já muito contribuem.

Já serei sensível à ideia de que, com respeito pela proporcionalidade, com uma taxa turística reduzida e não dissuasora, se logram alcançar importantes propósitos públicos. Ouve-se falar do combate ao desequilíbrio do mercado imobiliário nas zonas mais turísticas (tenho sérias dúvidas sobre a bondade de uma solução que passe pelo reforço do município como proprietário de habitação dirigida a esse conceito indeterminado que dá pelo nome de «classe média»). Ouve-se falar também da criação de locais destinados aos transportes turísticos (aí, já nada terei a obstar). E admito que se possam isolar outros fins (assim, de repente, ocorre-me propor que se destine a promover soluções de mobilidade como seja a do atravessamento pedonal do rio Douro – aqueles passeios no tabuleiro inferior da ponte de D. Luís são terríveis e em períodos mais concorridos instala-se o caos … e o perigo).

De todo o modo, anunciando-se uma taxa de € 2, reconheço que aquela preocupação de proporcionalidade estará acautelada. Ainda não estou totalmente esclarecido quanto aos fundamentos e aos fins. Mas, como sempre, estou aberto a estar.

By the way, não gosto nada da expressão «pegada turística». Sugere a ideia de uma epidemia a extinguir. Ora, pelo contrário. Devemos acarinhar o turismo nem que seja para não sermos acusados de ingratidão, que eu tenho memória de como estávamos há 10 anos (para não ir mais longe).

#Escritório
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Porto Rico

3 de Julho, 20:42h

We live in Porto Rico. Ou como se diz em português, vivemos num rico Porto.




#Salaodevisitas

sexta-feira, 23 de junho de 2017

S. João – a ti me escravizei


Não estou no mood ideal. Esta coisa de 64 dos nossos terem partido, em circunstâncias tão horríveis, e tudo o mais que por lá se passou e passa, não me sai da cabeça. Mas ainda assim, cá vou eu para o meu São João.

Eu gosto tanto do São João!
Dos arraias mais ou menos espontâneos. Da cidade dominada pelo seu povo inteiro. Dos novos, dos velhos, de todos mesmo, entregues a uma festa livre. Das cervejas ou dos sumos. Das febras e das sardinhas. Da música e das luzes. Dos bailaricos e das caminhadas. Dos martelos e dos alhos porros. E, sim, das fogueiras e dos balões (algo ficará por cumprir quando olhar ao céu e o vir despido da nossa tradição).

São João, aqui me tens. «A ti me escravizei», como dizia Torga sobre a poesia.

Bom São João a todos!


PS. Eu sei o que é ser desterrado neste dia. Sei o que custa não estar cá para quem é de cá. Sei o que é passar pela tortura de imaginar como estará a ser, como se estarão a entregar os «nossos». Sei o que é substituir esse aperto e saudade pelo exercício de recordação de tantos São Joões vividos. Tenho uma mensagem para esses nossos: venham mesmo. Deixem-se de secundarizar a vossa presença quando vão a tempo de a garantir. Estamos a um ano do São João de 2018. Organizem-se e venham!

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segunda-feira, 5 de junho de 2017

A segurança no Porto

O JN deu à estampa dados moderadamente animadores a propósito dos índices de segurança no Porto.
Não sou nenhum especialista em políticas de segurança e criminalidade. Mas sou quase doutorado em ideias óbvias.
Intimamente relacionado com este tema da segurança está o modo como olhamos para os nossos bairros sociais, pelos quais sempre nutri um carinho especial. De tão transversais na cidade, fazem parte da nossa vida comunitária. Desde a infância à idade adulta, ninguém terá escapado. Seja à tensão, seja à descoberta, seja à participação na acção social. Seja simplesmente nas discussões sobre soluções e reabilitações.

Sempre achei – e sempre fui dizendo – que era essencial abrir os bairros sociais à cidade. Sempre gostei, aliás, de usar o neologismo «desguetização dos bairros sociais» (é mesmo só para passar a ideia de que sou um especialista respeitável, mesmo que não seja verdade).

Ora, esta desguetização ou abertura dos bairros deve enquadrar-se, do meu ponto de vista, numa revolução mais completa que se traduz – ou vai-se traduzindo – na reabilitação do ambiente urbano nos bairros tendencialmente problemáticos (há muitos bairros sociais que não são problemáticos, pelo que não confundo uma coisa com a outra, para que fique claro!). Refiro-me à limpeza urbana e asseio dos arruamentos, à disposição dos contentores de recolha de lixo, à periodicidade da recolha e limpeza pelos serviços municipais, à renovação do mobiliário urbano, ao ajardinamento e respectiva manutenção, e acima de tudo, à preservação do património edificado, a começar pelos blocos e espaços comuns, mas passando pelos diversos fogos. E aqui incluo os serviços públicos que, pela proximidade, servem as populações destes bairros. As escolas primárias, os centros de saúde, as esquadras da polícia, os gimnodesportivos e parques urbanos, só para dar alguns exemplos. Na justa medida em que forem equipamentos qualificados e modernos, com serviços de qualidade, há como que um efeito contágio às próprias pessoas. Gera-se um ambiente de cuidado geral, de limpeza, de urbanidade que muito contribui para a qualidade de vida das populações. Chega a ter a virtualidade de propiciar a transformação dos comportamentos colectivos e individuais e gera, naturalmente, mais segurança.

Há depois um trabalho mais difícil neste processo de desguetização que é o de procurar abrir, no sentido físico, as vias públicas interiores de cada bairro à malha urbana circundante. Por erro de palmatória que já não vale a pena imputar, a maioria dos bairros são fechados e, portanto, não têm vias de atravessamento (o termo gueto é-me inspirado por esta constatação). E não é preciso explicar como esse condicionamento físico prejudica aquele propósito de mais segurança e abertura. É essencial apostar na inversão deste condicionamento. Isso mesmo já foi ensaiado, por exemplo, com a nova via que rasga o Bairro Pinheiro Torres e o Bairro da Pasteleira Nova até ao Bairro da Pasteleira.

Há ainda muito a fazer neste capítulo. O ímpeto de reabilitação dos Bairros e das Escolas Municipais tem sido notável (e há que distribuir o mérito, neste particular, entre este e o anterior executivo). Mas ainda estará para chegar o dia em que os canteiros dos bairros sociais merecerão o mesmo esmero que os relvados da Marechal Gomes da Costa. Ainda estará para chegar o dia em que os Jardins do Parque Oriental se confundirão com os jardins dos Bairros Falcão, Contumil ou Lagarteiro. Em que entre o novo Gabinete Municipal dos Aliados e a sede da Associação Cultural e Desportiva do Bairro Falcão, não haverá diferença na qualidade do mobiliário, das janelas e dos acessos (estou a exagerar de propósito).


A bem do Porto.

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

É o destino

Obviamente que não nos devemos deslumbrar com os directórios internacionais e com os prémios atribuídos em função de votações pela internet.
Mas obviamente – também! – que não os devemos desprezar. E quando esses prémios decorrem de votos que não são nossos há uma qualquer mensagem que devemos captar.
Sim. Estou a dizer que não ligo muito aos nossos próprios votos (por muito que ache inteligente que os promovamos). E sim. Estou a querer dizer que me impressiona que em 85 países por esse mundo fora o Porto tenha atraído mais cliques que tantas e tão deslumbrantes cidades desta nossa velha Europa.
Pode não valer muito, mas vale qualquer coisa.
Eu sempre soube do Porto. E sempre soube que algum dia ia ser descoberto. E é bom? É. Mas sabem mesmo o que é? É o destino.

#Salaodevisitas

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Sou parolo mas não me importo

Estou, definitivamente, do outro lado da barricada.
Achei muito bem o Pingo Doce na Marechal (na mesma avenida onde há escolas, bancos, bombas de gasolina, clínicas veterinárias, escritórios de advogados e de consultoras, e, até há pouco tempo, serviços da segurança social). Até dou por mim – não o escondo – a achar que ficou mesmo bem o tal Pingo Doce.
E também acho muito bem o Tourigalo na Fonte da Moura e o Continente ao lado da Cufra (na mesma avenida onde há de tudo – desde bombas de gasolina, lojas de tapetes, restaurantes baratos e caros, tascas, farmácias, jardins de infância, clínicas, sedes partidárias, salas de espectáculos, jardins, bares de noite e, pasme-se, supermercados!).
Lamento muito, mas em avenidas como estas, com tantas funcionalidades e espaços diferentes, não há critério de selecção que recomende negar a abertura de supermercados ou de restaurantes. Sejam eles gourmet ou populares. Caros ou baratos.
O critério, do meu lado, é mais simples. Em espaços descuidados ou devolutos, casas abandonadas há anos, dominadas pela marginalidade e pela vegetação selvagem, eu anseio sempre pela abertura de um Tourigalo ou de um supermercado. Para pôr fim a esse degredo. E, já agora, para minha comodidade.
Foi isso que aconteceu.
Chamem-me parolo da cidade que eu não me importo.

#Salaodevisitas

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

3 anos de Rui Moreira

Se com um ano de mandato é prematuro, e com dois ainda não é suficiente, volvidos três anos à frente da Câmara do Porto estamos já em condições de ensaiar um balanço (que se há-de completar, naturalmente, daqui a um ano).

Aspectos positivos:

1.
Dinâmica cultural. Os primeiros dois anos foram de tal modo fervilhantes que o embalo é imparável. O Porto é já – ele próprio – expressão de dinâmica cultural. Talvez se possa sinalizar este último ano com a «conquista» da polémica colecção Miró do BPN. Mas podia isolar a feira do livro, os concertos de música clássica na avenida ou a D’bandada, por exemplo. Ou a «descoberta» do património, agora explorado com outra organização (a torre dos clérigos será o caso mais icónico). Depois da inesperada partida do genial vereador Paulo Cunha e Silva, os legítimos receios de desaceleração foram infirmados. Não lhe podia ser feita melhor homenagem.
2.
O destino. O Porto consolidou-se e cresceu vertiginosamente como destino. Não é só o número impressionante de turistas. É mais a expressão cosmopolita que o Porto ostenta, com a criação e recriação de espaços, de soluções urbanísticas e paisagísticas. Com o «espevitar» das nossas instituições culturais, patrimoniais ou universitárias (são milhares os estudantes estrangeiros). E se os méritos primeiros estão nas pessoas, na sociedade civil, há que reconhecer que o modo como o Porto se abre é também mérito do seu executivo camarário.
3.
Foco na zona oriental da cidade. Ainda não se consegue medir como devia, mas é justo reconhecer que se olharmos aos maiores investimentos eles foram na área social e nos bairros da zona oriental da cidade. Vibro com o despertar da cidade «conhecida» para esta cidade «adiada» e reservo enormes expectativas para o projecto do matadouro municipal.
4.
Escolas – valorização dos espaços exteriores. Tenho vindo a sinalizá-lo todos os anos e, felizmente, vejo razões para renovar esse sublinhado. A reserva dos espaços de recreio face ao exterior das escolas faz todo o sentido (o que nem sempre é possível porque há muitas escolas cujos recreios estão sob as janelas de prédios, sobretudo em bairros sociais). A recuperação generalizada dos espaços exteriores das escolas (os únicos espaços onde muitas crianças brincam, como lembrava o próprio Rui Moreira) segue e deve ser saudada;
5.
Higiene e espaços verdes. Já vinha de trás, mas é uma marca da cidade que me orgulha muito. O Porto é uma cidade limpa e com espaços verdes incríveis e cada vez mais reabilitados;
6.
Abertura a todos. Sou muito sensível à ideia de que todos os cidadãos se devem sentir representados na sua Câmara Municipal. Esse sentimento tem sido possível e desejado, com enorme mérito do actual executivo. Este ano, por exemplo, a mão foi estendida ao vereador Ricardo Valente a quem inteligentemente foi atribuído um relevante pelouro.
7.
A Baixa. Está intimamente relacionada com tudo o que disse (dinâmica cultural, o destino Porto, a higiene, a abertura). A Baixa do Porto já saiu do controlo. E se a Câmara Municipal tem pouco a ver com o que os milhares de privados decidiram fazer, é justo reconhecer que soube tirar partido desse fenómeno. Com eventos, com agenda e sobretudo com o alargamento da área relevante da baixa (numa lógica de disseminação e contaminação).
8.
Finanças. Quem olha para o orçamento municipal para 2017 percebe que a Câmara está a fazer um excelente trabalho sob o ponto de vista financeiro. O aumento expressivo do investimento, conjugado com a redução dos impostos municipais, é uma lição que me orgulha.

Aspectos menos positivos:

1.
Pouca dinâmica na manutenção da rede viária. Não obstante o «movimento» mais intenso dos últimos meses, continuo a achar que a pequena manutenção ficou aquém do necessário e possível. Não estamos a falar das grandes obras, mas simplesmente das reparações de buracos e de repavimentações. Conseguiria, sem esforço, nomear dezenas de ruas (da zona ocidental à oriental) que carecem de manutenção. A ver se este último ano me apaga esta crítica!
2.
A paisagem por recuperar. Se em cima, nos aspectos positivos, destacava o enfoque na zona oriental, também terei de a destacar nos aspectos menos positivos. Passaram 3 anos e a assustadora porta de entrada da cidade que é a Estação de Campanhã continua incólume no seu terceiro mundismo. Os acessos, o asseio, o aspecto geral, são demasiado penosos. O acordo do Porto – que garantirá verbas para o novo terminal e demais investimentos previstos – teima em transitar dos anúncios para o terreno. E é urgente! E, já agora, pergunto também pelo Parque Oriental – para quando o seu crescimento para que se possa afirmar como polo de lazer e de atracção numa cidade que tem de ser territorialmente mais equilibrada?
3.
O prado do repouso. Tal como Campanhã - aliás, o prado do repouso é na freguesia de Bonfim e quase na de Campanhã - é um local de enorme frequência e que marca para muitos a imagem que levam da cidade. Os acessos e o asseio urbanístico até ao cemitério recomendam uma intervenção prioritária da Câmara.
4.
Palácio de Cristal. Sou suspeito porque tenho naqueles jardins e naquele pavilhão um canto a que gosto de voltar muitas vezes. Há ali demasiado potencial por explorar. E o estado do pavilhão - para multiusos ou centro de congressos - é triste. E mais triste é não perceber para quando uma intervenção da Câmara passados que estão 3 anos e depois de tanto debate.
5.
Alguma sobranceria. Não consigo fugir ao tema. Reivindicamos há muitos anos uma liderança que nos represente, que tome as nossas justas dores, que o faça com rigor e seriedade. Se é certo que Rui Moreira interpretou bem essa sua missão e até logrou escalar a difícil barreira mediática, é também importante advertir para os momentos dispensáveis que protagonizou. Não gostei do despique com o Alcaide de Vigo, até porque Rui Moreira tinha razão. Tem de ser superior aos seus ímpetos verbais, sobretudo para que não perca a razão que tem.
6.
Trânsito. Não sei o que se passa. Se é por haver mais carros, se é pela sincronização dos semáforos ou se é pela organização viária (que tem sofrido algumas alterações). O que sei é que o trânsito está caótico e piorou muito neste último ano.
7.
Equipa. Falta músculo para lá do presidente. A saída inesperada de Paulo Cunha e Silva - com o seu protagonismo e espaço próprios - não ajudou com certeza.

Conclusão:

Venho fazendo uma avaliação global francamente positiva. Passado mais um ano reitero animado essa avaliação. Mantenho o espírito crítico porque gosto de ser exigente. Mas é justamente por ser assim que não hesito nos elogios e, com honestidade, procuro apontar o que julgo não estar tão bem.
Sei também que há muitas mais razões para elogiar. E haverá explicações e atenuantes para as críticas que faço (não é possível ir a todas, dirão com razão).
E há ainda um ponto - que só serei capaz de avaliar no final - que é a área da economia e do emprego. No fundo, os dados da atracção de investimento. Suspeito que será o «prato forte» quando olhar para o mandato. Ainda bem!
Por mim, continuo a acompanhar, a viver e a vibrar com o Porto que tanto amo.

#Escritório
#Salaodevisitas

quarta-feira, 30 de março de 2016

Caixa Negra

Há alguma resistência. Há também alguma troça (para não dizer desprezo). E há preconceito. Muito preconceito.
Eu apenas sugiro que o recente livro de Rui Moreira (escrito a duas mãos com o seu assessor Nuno Santos) merece ser lido. Naturalmente que para quem se interesse pelo dossier específico da TAP e do Porto, e das opções do Estado relativamente às infraestruturas aeroportuárias, o livro reúne matéria suficiente para no mínimo ficarem no «ar» muitas interrogações (ou como dizia António Lobo Xavier na apresentação do livro em Serralves, outro título possível poderia ser «à procura da lógica»).
A maior utilidade do livro, do meu ponto de vista, prende-se com o que revela sobre as «regras», as cumplicidades, os cruzamentos, no fundo o modus operandi do Estado central e do poder ou poderes que o cercam. No caso do livro é o Porto e o Norte que estão como pano de fundo. Mas podia ser qualquer outra região menos próxima do poder central.
Por mim, sobram-me duas interrogações embaraçantes.
De onde são e o que aportam os senhores - cada um dos senhores - que se sentam no Conselho de Ministros (de qualquer Governo)?
Para que servem as listas distritais e os seus eleitos - cada um dos seus eleitos - na Assembleia da República?
Como nunca fiz parte de uns ou de outros, pouco me pesa a consciência. Mas não me liberto da ideia de que seja quem for, seja de onde for, não faz muita diferença. Mas devia.

#Salaodevisitas
#Escritório

quinta-feira, 3 de março de 2016

O Porto descoberto

O que mais me surpreende na emergência do Porto como destino é o modo como nos soubemos abrir à descoberta e o sentido de oportunidade que revelámos nessa abertura. Quando digo «destino» não penso apenas na sua expressão puramente turística, mas também cultural, social, comercial, e até territorial. O próprio país também se tem encontrado com o Porto (o que, temo, não seja o maior elogio ao país que éramos).
Dizem de nós que somos o tesouro mais bem escondido. Eu não diria escondido. Talvez prefira dizer por revelar.
Para quem, como eu, vive embrenhado nesta urbe de que não se distingue, pode parecer estranho ou mesmo contraditório arriscar dizer que o Porto não valia assim tanto a pena.
Valia, com certeza. Este destino tão especial não nasceu agora. E se vale hoje é porque valia!
Com o distanciamento que não tenho, diria, todavia, que nunca como agora estivemos tão preparados para nos revelarmos. Não vivíamos tão abertos e tão disponíveis. Tínhamos os nossos espaços (alguns deles, aos olhos de hoje, aparentemente tão estranhos e incompreensíveis). Os nossos grupos. Os nossos temas. E era difícil penetrar neste nosso mundo. Para quem lograva tal façanha, vibrava connosco e percebia quão especial (já) era este lugar.
Era também o tempo dos espaços urbanos esventrados, por cuidar, e mais ainda por criar. Talvez estivéssemos aquém do nosso potencial. Nos conteúdos. Nas novidades. Nas recriações. Na descoberta de funcionalidades (dedicávamo-nos mais a outras, em boa verdade).
Quase parece que o sol não brilhava tanto no mar como agora (e o mar é o mesmo). Quase parece que o rio não nos reflectia tanto como agora (e o rio é o mesmo). Que «os campos, as árvores e as flores» não se abriam como agora (e somos os mesmos).
Não sei explicar. Mas sinto um efeito novo. Uma vida nova. Uma cor mais forte. E tudo isto sem termos perdido aquela mística, algo egoísta, que não se explica e que nos condena a sentir em circuito fechado certas dimensões do Porto.
Revelarmo-nos agora, só agora, fez todo o sentido. Não foi por calculismo. Mas foi sábio.

#Salaodevisitas

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Gosta de mim, pai?

As filhas pequenas (também os filhos, mas mais as filhas) quando ao nosso colo, e à procura da segurança paternal de uma declaração de amor incondicional - à prova de todas as hierarquias! - volta e meia perguntam-nos «gosta de mim, pai?». Mal sabem elas que não há resposta mais fácil para um pai ou para uma mãe. Não temos qualquer mérito de tão instintivo que é. E por isso pronunciamos-lhes o «sim» grave e incondicional que tanto desejam ouvir.
De troca, e imerecidamente, recebemos o reconhecimento mais puro e também ele incondicional.

Hoje, em dia de jogo no Dragão, ficarei por casa. É nestes momentos que o reconhecimento àquele «sim» grave e incondicional não é assim tão imerecido …

#Salaodevisitas

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Estabelecimentos comerciais

As nossas primeiras precárias (como gosto de chamar às primeiras investidas na rua, sem tutela e com o consentimento dos pais) estão marcadas por idas a meia dúzia de estabelecimentos comerciais.
Começámos por ir à mercearia ao lado de casa comprar o kilo de arroz, a manteiga ou o sal que inesperadamente faziam perigar o avanço do almoço, para depois sermos incumbidos de encomendas mais elaboradas e mais distantes.
Por vezes, o cumprimento zeloso do recado incluía uma guloseima ou uns cromos, caso em que o entusiasmo no cumprimento da missão não era totalmente altruísta.

Com o tempo, e as encomendas reiteradas que nos solicitavam, fomos desenvolvendo verdadeiras relações com os donos e funcionários dos estabelecimentos. Já éramos tratados pelo nome e tudo (em alguns casos antecedido de «menino», como delicadamente ainda usavam os mais velhos). E no meu caso, como sempre exibi o meu orgulhoso coração azul, já de miúdo incomodava e era incomodado com as saborosas conversas da jornada. Então, como hoje, o futebol e a clubite tinham esse lado bom e saudável de nos aproximar e nivelar - novos e velhos, eruditos e simples, com as mesmas razões (ou falta delas!).

Nem todos os estabelecimentos comerciais (já nem se usa esta expressão) da minha memória mantêm as portas abertas passados todos estes anos. Alguns deles eram demasiado importantes - senão mesmo icónicos - para terem desaparecido (pena não serem Bancos!). E se de alguns já só sinto saudades, de outros sinto falta. Do trato, do espaço e sobretudo do programa que era lá ir.

A Casa Forte, na Baixa, e a Drogaria Rocha, em Matosinhos, serão os casos (os meus, claro) mais paradigmáticos. Afinal não era em vão que por lá se encontrava de tudo, para tudo e em qualquer altura do ano. Há também os estabelecimentos monotemáticos e que nos receberam muitas vezes. A Sapataria Gonçalves (ou a heidi, ainda aberta!), para as sapatilhas ou sapatos melhores (sim, melhores, que me fizeram consumidor de botas de carneira no dia a dia). E só consegui começar a comprar calças depois de ter voz grossa para me recusar a ir à calçeira de família que me mediu as pernas anos sem fim. Comecei por umas Pacifique Sud, e com o andar dos anos e da moda, tive umas Uniforme e finalmente as intemporais Levis (a que me fidelizei até hoje). As calças não tinham um estabelecimento comercial de referência (cheguei a comprar 3 pares de uma vez nas galerias Peixoto que nem sei se ainda existem - as galerias, não as calças!). Já as camisolas ou casaquinhos (como as mães sempre gostam de chamar às peças de roupa mais «arranjadinhas» … sempre os diminutivos) vinham com frequência do Morgado da Foz.
O passar dos anos, levou-nos a outro tipo de estabelecimentos comerciais. À La Copa, para lanchar com os amigos e comer crepes, ao Chalet Suíço, depois de um jogo no mini-golfe, e onde nunca se comeu nada de que me recorde especialmente (associo o Chalet Suíço desses tempos ao Capri Son, não sei porquê). À Padaria Ribeiro da Baixa, depois do médico (os médicos eram todos na Baixa). Ao Café Progresso, para comer um prego ao balcão (sabia-me tão bem!). E até à Barbearia Invicta, verdadeiro símbolo do bom corte masculino que resiste estoicamente ainda hoje.

Há muita gente que de pequenino sonhou ter o seu próprio estabelecimento comercial. Eu nunca tive essa ambição. Mas ontem sonhei com os cheiros, os sabores e a simpatia dos «meus» estabelecimentos comerciais. E se de outra razão precisasse estabeleci que hei-de percorrer mais vezes, qual menino em precária, esses estabelecimentos que resistem e a quem devo tão boas memórias.

#Salaodevisitas
#Saladeestar

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Voar à janela

Já não me lembro da excitação das primeiras «passagens» (como continuam a dizer os brasileiros). Ainda hoje preservo a preferência pelo lugar da janela nos aviões.
Por regra, chego ao fim do percurso sem ter sequer passado os olhos pela janela. Passo mais pelas «brasas», confesso. Mas a hipótese - fortuita que seja - de me deter sobre a paisagem que sobrevoo inclina-me para os lugares da janela. Mesmo que a escolha implique ficar refém dos dois passageiros do lado.
Há duas paisagens que me surpreendem sempre.


A imensidão de nuvens sem fim, abraçadas e leves, que me inspiram ao conforto do sobrenatural e me colocam no meu devido lugar. Pequenino. Impuro. Insignificante.

E o Porto. Sempre o Porto. Visto do céu o Porto nunca é banal. Nunca cansa. Quando a luz e os ventos consentem vê-lo do alto, o Porto impressiona sempre.



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#Jardim