segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Mário Centeno e o Eurogrupo


Nem cego nem parolo.
A escolha de Centeno para presidente do Eurogrupo não é, obviamente, desprezível e tem importância e significado.
É uma vitória do Governo português, que com a actual estrutura de suporte se afirma num dos palcos de decisão europeus mais sensíveis (e essa medalha simbólica tem o seu valor, não há como negá-lo). É prestigiante para Portugal, que tem como titular da importante pasta das finanças alguém com currículo e reconhecimento (independentemente dos equilíbrios que lhe permitiram a eleição). E pode ser relevante no plano da definição ou conformação do debate interno que cada vez mais tende a projectar na «Europa», no «Eurogrupo», no «Euro», em «Bruxelas», uma espécie de bode expiatório de muitos dos nossos males e das impiedosas limitações que nos condicionam.
Mas também não vale a pena sermos deslumbrados (ou parolos, se preferirem um adjectivo mais corriqueiro). «Termos» o presidente do Eurogrupo não é «espectacular» para Portugal ao ponto de lhe dedicarmos infindáveis fóruns radiofónicos em tom de conquista e com expressões excitadas do tipo «o Ronaldo do Eurogrupo» (imagino a cara de gozo do agora incensado Shäuble a assistir ao deleite que gerou a sua expressão). E há, naturalmente, o risco de alheamento do próprio Centeno. É que ele não vai deixar de ser o titular da importante pasta das finanças no Governo de Portugal.

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